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11 de Julho | 2012
LV e as bolinhas de Yayoi Kusama


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A artista Yayoi em uma de suas instalações
Acaba de abrir a primeira pop-up store da parceria entre Louis Vuitton e a artista plástica japonesa Yayoi Kusama no SoHo, em Nova York. Super aguardado entre os fashionistas, o lançamento revelou a coleção de roupas e acessórios que tem como protagonista as icônicas bolinhas de Kusama, um dos temas mais explorados pela artista ao longo de sua carreira.
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A coleção da Louis Vuitton traz as bolinhas de Kusama estampadas em roupas e acessórios
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Eu acho esses sapatos particularmente fofos, você não acha?
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A coleção chega às lojas esta semana
Trata-se de um trabalho lindo e impressionante, fruto de sua esquizofrenia, que a faz ter uma percepção e uma visão diferente da realidade em que vive: segundo seus relatos, ela sempre foi atormentada por visões distorcidas, que a fazem enxergar bolas e pontos.
Bolinhas por todos os lados
Yayoi nasceu 1929 e desde a infância sofria com as alucinações. Como forma de desabafo e também para mostrar às pessoas como era o mundo que ela enxergava, passou a colocar no papel as bolinhas que via por todos os lados. Com o tempo, passou a preencher pisos, paredes, telas, objetos e até pessoas com seus pontos. O lance mais louco é que além da esquizofrenia, Yayoi começou a desenvolver TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e as bolinhas e os pontos se tornaram uma verdadeira obsessão, que se reflete em tudo que venha da artista, não só em sua arte como também nas suas roupas.
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O TOC de Kusama por bolinhas se reflete até nas suas roupas
No fim dos anos 50, Yayoi resolveu ir para os Estados Unidos. O Japão ainda se recuperava da guerra e ela percebeu que no novo país poderia exercer sua arte livremente e ganhar reconhecimento. Em Nova York, trabalhou com grandes nomes da Arte Moderna e Contemporânea como Andy Warhol e logo passou a liderar o movimento da vanguarda. Participou de diversas exposições, engajou-se numa campanha contra a guerra do Vietnã e foi (e continua sendo), uma grande simpatizante na luta pelos direitos dos gays.
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Yayoi engajou-se numa campanha contra a guerra do Vietnã. Essa foto foi feita em 1968, durante a queima de uma bandeira americana na Ponte do Brooklyn, em NY
Em 1973, ela resolveu retornar ao Japão por problemas de saúde. Seu transtorno obsessivo tinha se agravado, e assim se internou em um hospital psiquiátrico e lá vive até hoje voluntariamente, apesar de usar seu apartamento há poucos minutos dali como ateliê. Apesar de ficar conhecida por suas pinturas e instalações psicodélicas, ela também trabalha com escultura, performance, happenings e já escreveu mais de 13 livros. Em Inhotim, Minas Gerais, é possível ver uma de suas obras, a “Narcissus Garden Inhotim”. São dezenas de esferas prateadas que ficam na superfície da água e que podem ser movidas conforme a ação do vento.
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“Narcissus Garden”, obra de Yayoi em Inhotim, Minas Gerais
A obra é uma versão da escultura que ela fez em 1966 para participar da Bienal em Veneza, onde ela espalhou 1500 dessas esferas, vendendo-as por US$ 2. Entre as bolas, podia-se ler ”Seu narcisismo à venda”. Era uma forma de crítica ao sistema das artes.
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A obra de Inhotim é uma versão da escultura que ela fez em 1966 para participar da Bienal em Veneza
Parceria vai rodar o mundo
Depois da pop-up store em NY, a sequência de inaugurações de lojas temporárias continua em Tóquio (que terá dois endereços dedicados à coleção), Cingapura, Hong Kong, Paris (com uma instalação na loja Printemps) e Londres (com uma pop-up na Selfridges). Os lançamentos dão continuidade à relação de inspiração que Marc Jacobs, estilista da Louis Vuitton, mantém com a artista.
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Mais um look da coleção da Louis Vuitton pra dar vontade
A grife, aliás, é um das principais patrocinadoras da retrospectiva da obra de Yayoi no Tate Modern em Londres e que agora, no dia 12, vai para o Whitney Museum em NY. Aliás, um dos episódios mais marcantes do documentário “Marc Jacobs & Louis Vuitton”, que mostra como é o trabalho do estilista dentro da grife francesa, é justamente uma visita do designer ao ateliê dela no Japão. Mr. Marc sabe das coisas.








