Artigos com o marcador noite
15 de Agosto | 2012
Dicas pra escolher um curso de DJ


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Dicas pra deixar de “atacar de DJ”
Há dois anos fui convidado para tocar pela primeira vez. Era uma festa pequena, comandada pelo DJ Bezzi e que tinha o querido Jorge Wakabara, residente da Killing the Dance no Glória, como o nome que me antecederia no line-up. Com a ajuda do Higor Dorta, repórter do Chic e um apaixonado por música, montei o line-up e fui na cara e na coragem “atacar de DJ”. Jorge me deu as instruções básicas, a festa rolou e desde então comecei muito a curtir a ideia. Ir pra balada, ter a comanda liberada e ainda ganhar uma graninha pra me divertir parecia uma ideia ótima! O relativo sucesso do blog e a amizade com alguns dos promoters e DJs me levaram a outros convites. Toquei no Astronete, no Emme, na Bubu, no Glória, no Yatch… Mas sempre fazendo o básico.
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Ir pra balada, ter a comanda liberada e ainda ganhar uma grana pra se divertir… Ser DJ parece sedutor
Sabia mudar de uma música pra outra, mas não entendia nada de mixagem e desconhecia 80% dos comandos do mixer e CD-Jotas. Pensava nos DJs profissionais que certamente deviam querer surtar ao ver uma festa comandada por um amador… As festas, aliás, estão cheias deles. Já conferiu o divertido Tumblr “Mão no botão, pose pra foto!”? Vai lá que você vai entender do que estou falando. E não é que eu esteja apontando o dedo pra niguém. Super compreendo essa lógica de que, hoje, para lotar uma casa em meio a dezenas de opções que a noite oferece, muitas vezes é necessário recorrer ao recurso das pseudo-celebridades e figuras toscas/ bizarras com 15 minutos de fama proporcionados pela internet. É o tempo em que vivemos e não adianta ficar de mimimi.
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Sabe pra que serve cada botão desse?
Fato é que por um tempo acreditei que, com a prática, conseguiria fazer a coisa direito. Tem gente que parece que nasceu com o dom, mas tenho absoluta certeza que grande parte dos DJs tiveram alguém que pacientemente ensinou o domínio dos equipamentos ou, ao menos, fizeram um curso um dia. Como pra mim não rolou a primeira opção, optei pelo segundo caminho. Esta semana termino meu curso de DJ e resolvi escrever este post pra dividir com vocês minha experiência e dar algumas dicas pra quem quer entrar nessa carreira ou, assim como eu, quer definitivamente acabar com essa história de “atacar de DJ” e fazer a coisa de verdade.
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After party da Cavalera, durante o SPFW, ao lado do Caio Braz
Pesquisei bastante, perguntei aos amigos e cheguei à duas escolas: DJ Ban e Senac. A primeira é muito bem cotada entre os profissionais, reconhecida, famosa. A segunda, dispensa referências: é super séria, conta com uma bela estrutura e tem os cursos mais bacanas e antenados com o mercado atual. Empate. Fui, então, pelo preço. Na DJ Ban, um curso de 18 horas (+ 12 horas de estúdio pra treino sozinho) sai por R$ 1199. No Senac, um curso de 32 horas sai por R$ 856. Por motivos óbvios – mais horas de aula e preço menor – fiquei com o Senac, portanto. Se valeu à pena? Sim e não. Numa sala com 12 alunos e apenas um equipamento, você efetivamente toca pouco. Tem que rolar um revezamento pra que todos tenham sua vez. Por outro lado, você tem tempo de sobra pra tirar – uma, duas, mil vezes – as dúvidas sobre o funcionamento de cada botãozinho do equipamento. Sem falar no tempo dedicado à teoria musical: o que é um compasso, como treinar seu ouvido pra saber quando soltar e mixar a próxima música…
Henrique Padilha
Tocando na festa dos cancerianos, no Squat Bar
O que, afinal, descobri: se você está interessado em fazer um curso de DJ, se informe sobre o número de alunos na sala. O tempo do curso pode ser menor, mas se a sala for reduzida, você vai treinar muito mais. Depois, não se preocupe em fazer um mega curso… Eu diria que em duas ou três aulas bem praticadas, você já vai estar dominando tudo. Depois, é treinar, treinar e treinar. E pra isso, você não necessariamente precisa ter os equipamentos (um investimento inicial de uns R$ 1500). Você pode alugar um estúdio na DJ Ban mesmo por R$ 50 a hora (duas horas saem por R$ 80). Lá, você também pode gravar um set e, com ele, correr atrás das primeiras festas. E por falar em festa, amanhã eu toco ao lado do querido Felipe Ávila na estreia da Trio, no Lab Club, aqui em São Paulo. A festa é um projeto do Caio Braz (GNT Fashion) e do Mateus Carrilho (Banda Uó), só com brasilidades… Vai ser bem divertido! Todos estão super convidados a ir ver se o curso realmente fez efeito sobre meu desempenho como DJ.
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Pega no compasso e se joga coma gente!
Em tempo: pra entrar de cabeça nessa cultura DJ, recomendo o livro “Todo DJ Já Sambou”, da Claudia Assef. Um dos livros mais importantes sobre a cultura DJ no Brasil, ele passou um ano esgotado e agora volta às livrarias em edição ampliada, incluindo um prefácio exclusivo de Bill Brewster (co-autor do clássico Last Night a DJ Saved my Life). A obra conta a história da profissão desde quando ela surgiu no país até os dias atuais e trata da noite, cultura clubber e música pra dançar, seja ela samba-rock, disco music ou tecno. E se você tá se perguntando porque esse nome, esclareço que não tem nada a ver com Carnaval. “Sambar” é a gíria usada no meio pra dizer que o DJ errou na mixagem, entrou mal com uma música e fez o som ficar bizarro. Já aconteceu comigo, mas espero que não se repita nunca mais.








