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Raquel Zimmermann, 27 anos, 1.78m
Quando eu vi que Raquel Zimmermann tinha sumido da posição número 1 do Models.com, quase tive um treco. Essa gaúcha de Bom Retiro do Sul ocupou por tanto tempo a posição mais alta do ranking mais respeitado do mundo, que parecia que desde sempre estivera lá. “Como a Lara Stone foi roubar o lugar dela? O que a Raquel fez pra sumir da lista?”, eu me perguntava. Só fui me acalmar quando descobri que ela não havia sido derrubada do pedestal, mas havia galgado mais algumas posições. Ela agora ocupa o restrito ranking dos 20 ícones mundiais, onde apenas outras duas brasileiras dão as caras: Isabeli Fontana, na 18ª posição, e Gisele Bündchen em primeiro lugar. Há um ano, quando a conheci durante um SPFW, fiquei surpreso com sua paciência e ausência de estrelismo. A então número um do mundo, agora a 13ª da estrelada lista, não se escondeu em uma sala reservada no backstage.
Após seu desfile para a Animale, de quem ela é exclusiva aqui no Brasil desde janeiro de 2008, ela foi à sala de imprensa atender calmamente o batalhão de repórteres que desejavam falar com ela. Para vocês pode até parecer uma atitude básica, mas para quem praticamente se mata por uma aspa de um ex-BBB, por exemplo, o profissionalismo de Raquel espanta. Nessa entrevista, que ela concedeu via e-mail alguns dias após fotografar mais um editorial para a “W Magazine“, ela fala desse novo momento na carreira, planos pro futuro, comenta da polêmica sobre a magreza excessiva das modelos e ainda conta como foi participar da última campanha de Alexander McQueen antes de sua trágica morte, em fevereiro desse ano. Confira:
Descolex: Por muito tempo você ocupou o posto de modelo número um do mundo. E quando parece ter atingido o topo, você entra pra lista dos ícones da moda. Como é a sensação de estar ao lado de nomes como Claudia Schiffer, Christy Turlington e Linda Evangelista?
Raquel Zimmermann: Estou muito feliz, porque sinto que, mais uma vez, meu trabalho foi reconhecido. E eu entendo a responsabilidade que acompanha um título tão especial. Elas são mulheres lindas, poderosas e influentes e estou muito orgulhosa por estar no mesmo patamar que elas.
D: E o que vem depois? Quando se chega aonde você chegou ainda dá para sonhar com mais?
R.Z: Eu acredito que sempre existe algo a ser conquistado. Chegar aonde cheguei foi um desafio e fruto de muito esforço. Me esforçarei sempre para estar à altura do trabalho que sou requisitada para fazer. Todos os dias e estou aprendendo, sempre aberta para evoluir. Aliás, esse é meu desejo: evoluir sempre.
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Campanha para a Animale, de quem Raquel é exclusiva no Brasil desde 2008
D: Gisele Bündchen acabou investindo na carreira de atriz… Você pensa em seguir alguma carreira diferente depois que parar de modelar?
R.Z: Eu amo o que eu faço e, pelo menos por enquanto, é o que eu quero fazer. Ser atriz não está nos meus planos, apesar de já ter recebido convites e já ter tido um contato com isso. Fiz um filme para a Gucci, dirigido pelo David Lynch. Penso em fazer faculdade de design gráfico ou alguma coisa ligada a arte.
D: Em 2008, você foi eleita pela revista Vogue America como uma das mulheres mais bem vestidas do mundo. Como você escolhe suas roupas?
R.Z: Meu estilo é básico, mas com uma pegada rock. Trabalhando no mundo da moda é natural que se desenvolva um maior senso do que combina com você, mas, independentemente de moda, eu busco sempre o conforto.
D: Você tem mais dez anos de carreira. Nesse tempo, qual seria um dos momentos mais legais que você viveu?
R.Z: O trabalho recente mais marcante que fiz foi com cobras, para o McQueen Fora isso, conheci pessoas excepcionais, lugares incríveis e tive a oportunidade de fazer grandes amigos.
D: Conta mais do trabalho com as cobras…
R.Z: Foi só quando cheguei ao estúdio que me contaram sobre a ideia do McQueen. Confesso que inicialmente fiquei um pouco nervosa. Mas, como sempre cumpro com muito profissionalismo cada trabalho, fui em frente e encarei o desafio. A experiência foi excelente e tudo fluiu super bem e, no fim, até fiquei com vontade de ter uma cobra (risos).
D: E como recebeu uma notícia da morte do McQueen?
R.Z: Foi um choque para todo mundo. Perdemos um ícone e uma influencia genial. Era um talento insubstituível, sempre colaborei nos seus desfiles. Na minha carreira, ele foi um marco e uma inspiração.
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Ela foi a modelo da última campanha de Alexander McQueen, de primavera-verão 2010
D: Você iniciou sua carreira aos 14 anos. Não acha que as modelos de hoje começam a trabalhar muito cedo?
R.Z: Sim, iniciei aos 14 anos. Claro que abri mão de muitas coisas, mas foi uma escolha minha. Começar trabalhar cedo na carreira de modelo é mesmo uma questão de opção. A oportunidade estava na minha frente e eu resolvi abraçá-la.
D: E a polêmica sobre a magreza excessiva das modelos? Qual sua opinião sobre tudo isso?
R.Z: Acho que assim como existem modelos que deveriam ser mais atentas à saúde, há uma boa parte que se cuida, principalmente com a alimentação. Muitas modelos são magras naturalmente, tem esse biótipo e, com a correria das semanas de moda, pode ser que emagreçam um pouco. E isso dá a impressão de serem muito mais magras, mas a verdade é que elas já são magras por natureza.
D: O que faz uma modelo ser um número um, o ícone?
R.Z: Mais importante que a beleza, é a atitude e o profissionalismo da modelo. Beleza é algo muito relativo, e o que vale mais é a disciplina e como a carreira da modelo é conduzida
D: Como você consegue ser diversos personagens na hora de fotografar? É uma coisa que flui na hora?
R.Z: É tudo uma questão de prática e de entender e saber trabalhar seus melhores ângulos. Conhecer o seu rosto e corpo é essencial. Além disso, claro, é preciso captar o que o estilista/ fotógrafo/ trabalho exigem e como você pode passar a mensagem da maneira mais positiva.
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Raquel na “W Magazine” de abril de 2010
D: A clássica pergunta é: quais são seus cuidados para pele e cabelo?
R.Z: Cuidado com os cabelos e a pele são indispensáveis. Um bom creme e hidratação nos cabelos, uma alimentação saudável, caminhadas e muita água… Esses são os meus segredos de uma vida saudável. Onde há saúde, há beleza.
*Essa entrevista foi originalmente publicada no Portal R7








