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12 jul

Eu não sou nenhum especialista em moda sustentável. Na verdade, entendo bem pouco… E acho que essa é uma deficiência que precisa ser corrigida em breve. Mas, de qualquer forma, sabe o que eu acho uó? Ver colegas de profissão usando três ou quatros discursinhos prontos e rasos pra falar de sustentabilidade e, o que é pior, sair comprando qualquer ideia de “marca sustentável” que algumas grifes – com a ajuda das assessorias de imprensa – saem vendendo por aí.

Tenho uma amiga repórter de uma respeitada revista sobre sustentabilidade – a “Página 22″, ligada à Fundação Getúlio Vargas – que simplesmente não conseguiu entrevistar alguns nomes, considerados pela imprensa especializada como exemplos de sustentabilidade na moda brasileira, para uma grande matéria que ela está preparando sobre o assunto. Para que os sites e revistas de moda citem parcerias ínfimas e sazonais (do tempo de uma coleção) com um pequeno grupo de bordadeiras de sei lá da onde, as marcas fazem de um tudo. Agora, pra falar sério, elas somem.

E a imprensa de moda muitas vezes corrobora com tudo isso, dando espaço pra notícias sem muita relevância e tratando-as como grandes ações verdes. Por puro despreparo, eu acho. Sei lá, é apenas um pensamento que ocorreu cá com meus botões. Gostaria, agora, de saber a opinião de vocês sobre o assunto. E pra terminar, deixo aqui um texto de uma pesquisadora da Columbia University, a Carolina Murphy, sobre “o que é moda sustentável”. Achei interessante e pertinente.

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Isso que é moda verde

“Sabe aquela camiseta de algodão natural do seu armário que traz geralmente uma mensagem amigável, insígnia de banda de rock ou política? Na verdade, a camiseta pode ser a roupa mais ambientalmente tóxica que você possui. E no Brasil cerca de 450 milhões de peças de camisetas são produzidas por ano. De acordo com estudo do IISD (Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável), para confeccionar uma camiseta de 250 gramas, na China, utiliza-se, em média, 160 gramas de agrotóxicos. Uma pesquisa do Departamento Agrícola dos Estados Unidos aponta ainda que cerca de um terço dos pesticidas e fertilizantes produzidos no mundo são pulverizados sobre o algodão.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que 25% dos inseticidas produzidos mundialmente são utilizados na plantação do algodão e quase metade deles são extremamente tóxicos. O Aldicarbe (ou Temik 150) é, por exemplo, o segundo pesticida mais utilizado na produção de algodão mundial e apenas uma gota dele, absorvida pela pele, é suficiente para matar um adulto. Levantamento do IISD em conjunto com o Centro para Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Academia Chinesa das Ciências Sociais de Beijing revela que o algodão está no topo da lista de produtos que precisam de controle ambiental. Isso porque a água, os agrotóxicos utilizados no cultivo de algodão, os resíduos deixados nos rios e os restos despejados em aterros fazem com que o ciclo de vida da sua humilde camiseta de algodão tenha deixado um rastro ecológico gigantesco.

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Algodão está no topo da lista de produtos que precisam de controle ambiental

Isso explica por que celebridades, como Jason Mraz, apareceram nos Grammys usando ternos de plástico reciclado. Mas o movimento de “ecologização” da indústria da moda levanta uma pergunta ainda mais relevante: o que seria a moda sustentável? Para encontrar respostas coerentes e práticas seria necessária a opinião de profissionais do lado menos atraente da indústria da moda, como pesquisadores ambientais e engenheiros de produção especializados na fabricação de tecidos, envolvidos em estudos de impacto ambiental.

Para desenvolver uma peça de roupa verdadeiramente orgânica que não seja financeiramente exorbitante, designers, estilistas e consumidores de moda, precisam trabalhar em conjunto com profissionais especializados em gestão de sustentabilidade. No entanto, para ser qualificado como orgânico, o algodão ou lã precisam passar por inspeções e processos sofisticados para não serem tocados por produtos químicos e substâncias tóxicas. Mas a indústria têxtil mundial encontra grande dificuldade para definir os padrões de qualidade mínimos necessários à criação de um produto realmente orgânico e sustentável.

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Jason Mraz e seu “eco-tux” feito com garrafas pet recicladas

No Brasil, diversos produtores da Paraíba já trabalham com a IFOAM (International Federation of Organic Agriculture Movements) para atender à legislação referente a produtos orgânicos da Comunidade Européia e dos Estados Unidos. Em 2007, cerca de 7.500 hectares nos Estados Unidos foram dedicados à safra de algodão orgânico. E programas como o “North American Organic Fiber Processing Standards” já estão se popularizando junto à indústria da moda.

De acordo com as projeções do DataMonitor, o mercado varejista de vestuário no bloco BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) deverá chegar a US$ 253,6 bilhões em 2013. Por ser o principal produtor e importador de algodão cru e o maior exportador de tecidos de algodão e vestuário acabado do mundo, a indústria têxtil chinesa tem grandes interesses neste novo cenário. Sendo assim, ela já está se organizando para estabelecer requisitos necessários à obtenção de escala na cadeia de produção de roupas orgânicas. Sua cadeia produtiva já passou por danos que precisam ser resolvidos. O avanço do vasto deserto de Takla Makan, por exemplo, cujas dunas engoliram cidades inteiras e apavoram os moradores dos subúrbios de Beijin, tem sido associado à produção industrial do algodão em larga escala na província árida de Xinjiang ocidental.

Além da indústria têxtil, o universo da moda também está se mobilizando. No mês passado, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, em Genebra, realizou a EcoChic: um desfile de moda sustentável, em que designers conhecidos criaram peças de fibras naturais fabricados de forma mais sustentável. Em fevereiro de 2010, na Fashion Week de Londres, a exposição “Estethica” foi dedicada à moda ecologicamente sustentável. Em março de 2010, o Fashion Institute of Technology em Nova York, uniu forças com a Universidade de Delaware e com a escola de design Parsons para montar uma exposição de moda sustentável, intitulada “Passion for Sustainable Fashion”, na qual os estudantes criaram roupas com matérias de origem ética e matérias-primas ecologicamente neutras.

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Desfile de uma das marcas participantes do “Esthetica”, dedicada à moda ecologicamente sustentável, durante a Semana de Moda de Londres

Outra alternativa seria o processo de reaproveitamento de produtos descartados como o Upcycling, do qual o terno de Jason Mraz é um bom exemplo. O problema é descobrir como fazer o Upcycling em escala comercial. O importante é a conscientização de que sustentabilidade não se trata de modismos passageiros e sim de um assunto que deve ser abordado de forma coerente e séria.”

Carolina Cabral Murphy é pesquisadora da Columbia University e fundadora da MicroEmpowering.Org com sede em Nova York (EUA)
e-mail: acm2134@columbia.edu

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Update, em 19 de julho: Saiu a matéria da Carolina Derivi na “Página 22″. Recomendo muito a leitura!

9 fev

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Modelo “L’Amour Toujours”

Gostei da coleção de bolsas ecológicas da marca gaúcha Bag For Life. A linha, chamada de MasterPiece, foi criada em parceria com o ilustrador Ricardo Trombini Pires (Pirecco), que pintou cada uma à mão. Pra quem não conhece, Pirecco mora em Vancouver e tem em seu trabalho referências e inspirações do street, da pop e do toy art. As bolsas são desenvolvidas com lona de caminhão reciclada, tem modelagem mais estruturada, duas alças diferentes, kit interno com bloquinho de anotações de papel recliclado e o que eles chamam de “Save Bag”, uma sacola de compras dobrável. A grife surgiu em 2007 com a proposta de ser uma marca de bolsas ecologicamente correta. A sustentabilidade vem desde a pesquisa de matérias sustentáveis, até a contratação de ateliers e cooperativas de artesãos de comunidades carentes para a produção de seus produtos. Vale conferir!

21 out

Ontem eu falei que tava cheio de coisas pra falar e que por isso, ia dar dois posts em hoje. Hoje é o segundo:

Divulgação
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Adorei. Será que é caro?

Fiquei sabendo que a Evoke tem um projeto bem interessante na Itália para produzir óculos sustentáveis, o “Conscious Design”. Eles são desenhados e desenvolvidos com uma matéria-prima biodegradável, vinda de fonte 100% natural e renovável: o BioPlastic. São dois modelos, o EVK nº 4 e o Super Seed. O material utilizado na fabricação deles não usa tinturas, tem textura fosca e é extremamente leve. Já as embalagens trazem o selo FSC (Forest Stewardship Council), que, segundo uma amiga jornalista ambiental me explicou, é uma das certificações mais bacanas e respeitadas nessa área. Quer mais? Os estojos vêm em tecido de pet reciclado forrados de algodão natural. Gostei da iniciativa, que já é vendida aqui no Brasil.

Livro sobre grafite

Divulgação
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“Estética Marginal” mostra o grafite como expressão de arte

Rolou na última Pixel Show 2009 o lançamento do livro “Estética Marginal”, 2º título publicado pela Editora Zupi e o 1º de uma série de 5 volumes de autoria de Victor Moriyama e Felipe Lopez. Com intenção de mostrar o grafite como expressão de arte, a obra reúne textos críticos sobre o movimento dos grafiteiros e conta a trajetória de dez artistas do gênero: Akeni, Boleta, Chivitz, Highraff, Prozak, Nove, Nunca, Paulo Ito, Titi Freak e Zézão. O projeto é resultado de dois anos de documentação, pesquisas, entrevistas e exploração do espaço urbano da cidade de São Paulo realizadas pelos autores. Já o prefácio foi escrito pelo fundador da marca Ecko Unltd., o artista Marc Ecko, que começou sua carreira como grafiteiro na década de 80. O livro tem 160 paginas, com capa dura. Na loja virtual da Zupi, ele custa R$ 50, sem o frete. Fica a dica pra quem curte o assunto.

15 out

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“Troquei uma calcinha por esse casaco. To loka de felicidade!”

Lembra que eu falei do Swap-o-Rama, aqueles encontros pras pessoas trocarem as roupas que não usam mais por outras que podem não estar servindo a outra pessoa? Nesse mesmo post eu sugeri que alguém aqui no Brasil trouxesse a ideia pro país. E não é que rolou? A Helena Soares, de Porto Alegre, criou oBrechó de Troca, um evento mensal, que promove trocas de peças de vestuário e acessórios. Cada participante leva de 5 a 10 peças de roupas ou acessório e participa de um grupo onde poderá desvincilhar-se de suas peças inutilizadas adquirindo outras com a possibilidade de saber a procedência e estado real de conservação (valem peças novas, usadas e usadíssimas). Pra participar, basta chegar, pagar R$ 8 de entrada e se jogar. Boa iniciativa!

Brechó de Troca
Sábado, 17/10, 15h (1º grupo), 16h30 (2º grupo) e 18h (3º grupo)
Pó de Estrela: r. Alberto Torres, 228, Cidade Baixa, Porto Alegre
Informações: (51) 9336-6844 ou hellsoares@gmail.com
Ingresso: R$8

31 mar

Reprodução
“Troquei uma calcinha por esse casaco. To loka de felicidade!”

Em tempos de crise, nem bazar salva. Afinal, quem não saiu de uma liquidação essa temporada com a certeza de que gastou mais do que o bom senso nos permitiria? É por isso que acho essa história de “clothing swap” tão interessante. Além de você não gastar um centavo sequer, renova seu guarda-roupa e contribui pra salvar o planeta. Não entendeu? Eu explico. Não se sabe se a história surgiu primeiro nos EUA ou na Inglaterra, mas o que se sabe é que, há uns dois anos, jovens – duros por definição – começaram a juntar os amigos pra simplesmente trocar de roupa: pegavam tudo que estava encalhado na gaveta, levavam pra casa de alguém e trocavam essas peças por outras roupas que os amigos não queriam mais. Simples assim, fácil assim. Uma vantagem desses bazares de troca é que se sabe de quem era a roupa e exatamente por quanto tempo ela foi usada.

Reprodução

Flyer do Swap-o-Rama

Ótimo pra aquelas pessoas que não gostam de usar peças de segunda mão, de um brechó. Afinal, com amigo a história é diferente, né? Outra vantagem: trocar roupas faz com que você consuma menos, preservando assim o meio ambiente. E a coisa já tá fazendo tanto sucesso, que já existem empresas especializadas em organizar festas e bazares de clothing swap. Entre os eventos mais conhecidos, está o Swap-o-Rama, que já percorreu cidades dos EUA, Canadá e Israel, e promove também oficinas de customização e workshops de costura. Que tal fazer um desses aí com sua galera?

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