/ Categoria / Sustentabilidade



11 nov

Reprodução
Alguns números interessantes…

Uma amiga que trabalha na Página22, revista bacana e cheia de conteúdo sério sobre sustentabilidade, me falou de uma nota que eles publicaram no site sobre uma grife que vem adotando uma prática surpreendente. Ao invés de fazerem campanhas pra venderem mais roupas, eles usam a publicidade pra pedir que os consumidores pensem duas vezes antes de comprar um produto novo. Mais do que isso: a Patagonia “associou-se ao site eBay, maior intermediário de transações de produtos usados na web, para estimular a venda de calçados e roupas de segunda mão. Agora, no portal da empresa, é possível comprar tanto roupas esportivas novas quanto oferecer lances por agasalhos ou calçados, às vezes surrados, às vezes nem tanto, oferecidos por usuários da marca”, cita a matéria da colunista Regina Scharf.

Ela conta que a iniciativa faz parte de um programa chamado Common Threads, lançado em 2005, que permite que os consumidores possam devolver roupas velhas e gastas da marca para serem recicladas. Cerca de 45 toneladas de roupas foram devolvidas à empresa desde então – e a sua reciclagem deu origem a 34 toneladas de vestimentas novas! “A Patagonia também promete costurar e remendar roupas que vendeu, de graça ou por um preço módico, conforme o caso”, complementa. E se você acha que isso é papo de maluco ou que essa empresa tá mais é querendo falir, fique sabendo que eles faturam cerca de US$ 400 milhões ao ano! Isso só faz a gente pensar que existem sim alternativas inteligentes pra esse sistema consumista doido que a gente vive. Basta um pouco mais de boa vontade e um pouco menos de ganância. Se você se interessou e quer ler o texto na íntegra, é só acessar o site da revista.

11 fev

Parece um absurdo, mas você sabia que seu simples jeans de todo dia pode gastar até 3 mil litros de água, desde o cultivo do algodão pra fabricação do tecido até a última lavagem antes de botá-lo pra doação? Pois é. E numa época em que se fala tanto da importância de economizar recursos, é muito bacana saber da iniciativa da Levi’s em reduzir o consumo de água no processo de fabricação de suas calças em até 96%. E como diria Joana Prado, “não é feitiçaria, é tecnologia”. A redução do consumo de água no processo de acabamentos dos jeans da marca (um jeans padrão utiliza cerca de 42 litros de água, segundo a própria Levi’s) foi possível graças a alterações simples, como a redução do número de ciclos da máquina lavadora, incorporação do processamento com ozônio na lavagem de roupas e remoção da água da estonagem, entre outros.

Reprodução

A primeira coleção de produtos Water<Less, como é batizada a linha, estará disponível ainda esse mês com mais de 12 modelos de clássicos da marca, incluindo o famoso 501. Serão mais de 1,5 milhões de peças que irão economizar, juntas, aproximadamente 16 milhões de litros de água. Pra completar, a Levi’s também lançou a campanha “Care the Planet”, modificando as etiquetas de cuidados com os produtos para incluir instruções sobre maneiras como os consumidores podem reduzir o impacto ambiental de suas roupas com menos lavagens, lavando em água fria, secando no varal e doando quando não forem mais necessárias. Nesse vídeo, muito bem produzido, dá pra entender melhor essa história:

Esse post me fez lembrar de outro texto publicado aqui no Descolex, da pesquisadora Carolina Cabral Murphy. Ela discorre sobre os seriíssimos impactos do cultivo de algodão e sobre o reaproveitamento de produtos descartados (o chamado upcycling). Sustentabilidade não é um hype da moda ou coisa pra gente moderna e descolada. É um tema que deve e tem que ser encarado de forma séria por todos nós. #Ficadica.

10 set

ReproduçãoElizabeth-Rasmuson-five-gum-prom-dress
Elizabeth Rasmuson e seu vestido de embalagem de chiclete

Final do ano daqui a pouco está aí e a época das festas também. Pode ser a da sua faculdade, do colégio ou a dos seus amigos, irmãos e parentes. E o drama é sempre o mesmo: com que roupa eu vou? Pois então, uma estudante americana estava na mesma situação, as voltas com a tão sonhada formatura, que é motivo de dor de cabeça pra muitos jovens nos EUA. Elizabeth Rasmuson queria um vestido único pro evento e teve a grande idéia inspirada pela embalagem do chiclete que mais gostava. O “Five gum” vem em embalagens coloridas e brilhantes e Elizabeth escolheu os tons de azul e prata e começou a comprar quantidades da guloseima.

Elizabeth-Rasmuson-vestido-reciclado
Ela ainda fez um colete pro namorado! São o casal cafoninha mais fofo que já se viu, não são?

Parou de contar quando juntou 200 papéis desses que envolvem o chiclete – distribuindo o conteúdo entre os amigos. O trato era: chiclete mascado; papel devolvido. Com a matéria em mãos iniciou seu trabalho de estilista/artesã num corpete que ela envernizou para dar um melhor acabamento e terminou o vestido com uma saia volumosa de tule. Pra combinar, ainda fez um colete pro namorado! Fofa, né? Não que o produto final tenha ficado a 7ª maravilha do universo, mas idéia é super original e tem tudo a ver com essa onda de reaproveitar materiais. Ha-zô!

Ana Olyveira e Izadora Gauche, colaboradoras do Descolex, de São Paulo

6 set

Reciclagem está em alta e isso não é mais novidade pra ninguém. Mas, quando pensamos que já não tem mais o que ser inventado, sempre alguma coisa que surpreende. A da vez é uma clutch bag feita a partir de teclado de computador. Sim, aqueles que sempre quebramos e já tivemos que trocar várias vezes.

DivulgaçãoRecycled-Keyboard-Clutch-Reciclado-Bolsa
Não é divertida?

Essa veio pra tirar qualquer preconceito que possamos vir a ter com coisas feitas a partir de materiais reciclados!
Super inusitada, ainda dá pra rolar um ar de nerd eco-consciente e com um preço ótimo. Sai por R$ 66 e está à venda no neatoshop.com. A parte ruim da história, é o “out of stock” que aparece na página quando acessada. Nada muito além do esperado, já que lançamentos legais com preços em conta acabam em um piscar de olhos. Agora é esperar por um novo lote!

Ana Olyveira e Izadora Gauche, colaboradoras do Descolex, de São Paulo

12 jul

Eu não sou nenhum especialista em moda sustentável. Na verdade, entendo bem pouco… E acho que essa é uma deficiência que precisa ser corrigida em breve. Mas, de qualquer forma, sabe o que eu acho uó? Ver colegas de profissão usando três ou quatros discursinhos prontos e rasos pra falar de sustentabilidade e, o que é pior, sair comprando qualquer ideia de “marca sustentável” que algumas grifes – com a ajuda das assessorias de imprensa – saem vendendo por aí.

Tenho uma amiga repórter de uma respeitada revista sobre sustentabilidade – a “Página 22″, ligada à Fundação Getúlio Vargas – que simplesmente não conseguiu entrevistar alguns nomes, considerados pela imprensa especializada como exemplos de sustentabilidade na moda brasileira, para uma grande matéria que ela está preparando sobre o assunto. Para que os sites e revistas de moda citem parcerias ínfimas e sazonais (do tempo de uma coleção) com um pequeno grupo de bordadeiras de sei lá da onde, as marcas fazem de um tudo. Agora, pra falar sério, elas somem.

E a imprensa de moda muitas vezes corrobora com tudo isso, dando espaço pra notícias sem muita relevância e tratando-as como grandes ações verdes. Por puro despreparo, eu acho. Sei lá, é apenas um pensamento que ocorreu cá com meus botões. Gostaria, agora, de saber a opinião de vocês sobre o assunto. E pra terminar, deixo aqui um texto de uma pesquisadora da Columbia University, a Carolina Murphy, sobre “o que é moda sustentável”. Achei interessante e pertinente.

Reproduçãomoda-ecologica-sustentavel
Isso que é moda verde

“Sabe aquela camiseta de algodão natural do seu armário que traz geralmente uma mensagem amigável, insígnia de banda de rock ou política? Na verdade, a camiseta pode ser a roupa mais ambientalmente tóxica que você possui. E no Brasil cerca de 450 milhões de peças de camisetas são produzidas por ano. De acordo com estudo do IISD (Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável), para confeccionar uma camiseta de 250 gramas, na China, utiliza-se, em média, 160 gramas de agrotóxicos. Uma pesquisa do Departamento Agrícola dos Estados Unidos aponta ainda que cerca de um terço dos pesticidas e fertilizantes produzidos no mundo são pulverizados sobre o algodão.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que 25% dos inseticidas produzidos mundialmente são utilizados na plantação do algodão e quase metade deles são extremamente tóxicos. O Aldicarbe (ou Temik 150) é, por exemplo, o segundo pesticida mais utilizado na produção de algodão mundial e apenas uma gota dele, absorvida pela pele, é suficiente para matar um adulto. Levantamento do IISD em conjunto com o Centro para Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Academia Chinesa das Ciências Sociais de Beijing revela que o algodão está no topo da lista de produtos que precisam de controle ambiental. Isso porque a água, os agrotóxicos utilizados no cultivo de algodão, os resíduos deixados nos rios e os restos despejados em aterros fazem com que o ciclo de vida da sua humilde camiseta de algodão tenha deixado um rastro ecológico gigantesco.

Reproduçãoplantação-de-algodão
Algodão está no topo da lista de produtos que precisam de controle ambiental

Isso explica por que celebridades, como Jason Mraz, apareceram nos Grammys usando ternos de plástico reciclado. Mas o movimento de “ecologização” da indústria da moda levanta uma pergunta ainda mais relevante: o que seria a moda sustentável? Para encontrar respostas coerentes e práticas seria necessária a opinião de profissionais do lado menos atraente da indústria da moda, como pesquisadores ambientais e engenheiros de produção especializados na fabricação de tecidos, envolvidos em estudos de impacto ambiental.

Para desenvolver uma peça de roupa verdadeiramente orgânica que não seja financeiramente exorbitante, designers, estilistas e consumidores de moda, precisam trabalhar em conjunto com profissionais especializados em gestão de sustentabilidade. No entanto, para ser qualificado como orgânico, o algodão ou lã precisam passar por inspeções e processos sofisticados para não serem tocados por produtos químicos e substâncias tóxicas. Mas a indústria têxtil mundial encontra grande dificuldade para definir os padrões de qualidade mínimos necessários à criação de um produto realmente orgânico e sustentável.

Reproduçãojason-mraz-terno-grammy-plastico
Jason Mraz e seu “eco-tux” feito com garrafas pet recicladas

No Brasil, diversos produtores da Paraíba já trabalham com a IFOAM (International Federation of Organic Agriculture Movements) para atender à legislação referente a produtos orgânicos da Comunidade Européia e dos Estados Unidos. Em 2007, cerca de 7.500 hectares nos Estados Unidos foram dedicados à safra de algodão orgânico. E programas como o “North American Organic Fiber Processing Standards” já estão se popularizando junto à indústria da moda.

De acordo com as projeções do DataMonitor, o mercado varejista de vestuário no bloco BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) deverá chegar a US$ 253,6 bilhões em 2013. Por ser o principal produtor e importador de algodão cru e o maior exportador de tecidos de algodão e vestuário acabado do mundo, a indústria têxtil chinesa tem grandes interesses neste novo cenário. Sendo assim, ela já está se organizando para estabelecer requisitos necessários à obtenção de escala na cadeia de produção de roupas orgânicas. Sua cadeia produtiva já passou por danos que precisam ser resolvidos. O avanço do vasto deserto de Takla Makan, por exemplo, cujas dunas engoliram cidades inteiras e apavoram os moradores dos subúrbios de Beijin, tem sido associado à produção industrial do algodão em larga escala na província árida de Xinjiang ocidental.

Além da indústria têxtil, o universo da moda também está se mobilizando. No mês passado, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, em Genebra, realizou a EcoChic: um desfile de moda sustentável, em que designers conhecidos criaram peças de fibras naturais fabricados de forma mais sustentável. Em fevereiro de 2010, na Fashion Week de Londres, a exposição “Estethica” foi dedicada à moda ecologicamente sustentável. Em março de 2010, o Fashion Institute of Technology em Nova York, uniu forças com a Universidade de Delaware e com a escola de design Parsons para montar uma exposição de moda sustentável, intitulada “Passion for Sustainable Fashion”, na qual os estudantes criaram roupas com matérias de origem ética e matérias-primas ecologicamente neutras.

Reproduçãodesfile-semana-moda-londres-esthetica
Desfile de uma das marcas participantes do “Esthetica”, dedicada à moda ecologicamente sustentável, durante a Semana de Moda de Londres

Outra alternativa seria o processo de reaproveitamento de produtos descartados como o Upcycling, do qual o terno de Jason Mraz é um bom exemplo. O problema é descobrir como fazer o Upcycling em escala comercial. O importante é a conscientização de que sustentabilidade não se trata de modismos passageiros e sim de um assunto que deve ser abordado de forma coerente e séria.”

Carolina Cabral Murphy é pesquisadora da Columbia University e fundadora da MicroEmpowering.Org com sede em Nova York (EUA)
e-mail: acm2134@columbia.edu

**

Update, em 19 de julho: Saiu a matéria da Carolina Derivi na “Página 22″. Recomendo muito a leitura!

Página 1 de 3123»