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31 jul
Não faz nem duas semanas que eu falei da Bebel, de Paraíso Tropical, e como as novelas influenciam o que os brasileiros vestem por aí, lembram? E não é que a última newsletter do JC Report saiu com a matéria “Telenovela Trends”? Alguns trechos:

“In Latin America, soap operas, or telenovelas, are style touchstones. More than simple TV entertainment, telenovelas have become a trendsetter’s medium, and are the primary source for fashion information for millions of Latin American women”

“As a matter of fact, trends set by telenovelas are so important to the fashion industry that manufacturers and department stores are setting up partnerships with soap opera producers to capitalize further on the genre’s major style influence.”

“Gastal is responsible for today’s “Bebel” trend, named after Camila Pitanga’s character, whose style is composed of sexy outfits with odd color combinations and maximum accessories. She believes her characters’ outfits are successful because of a perfect harmony of the actresses’ charisma, story, and “costume proposal.” “It’s almost like a cake recipe,” she adds.”

18 jul

Ela tem “catiguria” e gosta de homem de “cueca maneira”. A prostituta Bebel, interpretada pela atriz Camila Pitanga na novela Paraíso Tropical está, digamos, na boca do povo. E seu estilo, do tipo “tudo ao mesmo tempo agora”, misturando a moda de Copacabana, a cultura do funk (lembrei do livro Meninas do Brasil, citado pela Oficina de Estilo lá no BlogView) e a perua das oncinhas, paetês e muito brilho, certamente tem tudo para ser um hit do próximo verão. Quer uma pequena prova? O portal de notícias da Globo, o G1, deu uma matéria no dia 3 de julho falando do sucesso do famoso body “engana mamãe”, muito popular nos anos 60 por ter uma cara comportada na frente, tipo um maiô e ousada atrás, como um biquíni. A reportagem conta o caso de uma grife da zona sul carioca que viu seus modelos – R$ 240, em média – se esgotarem após a atriz aparecer com um exemplar de oncinha na novela. A mesma matéria traz também uma série de depoimentos de mulheres, dos 27 aos 57 anos (!!!) que se declararam mega felizes com suas aquisições “pra lá de sexies”. E não é só nas ruas que esse modelo faz e ainda vai fazer bastante sucesso.

Os maiôs engana-mamãe de Bebel

Nas passarelas pude observar muitos maiôs, macacões e até vestidos utilizando a mesma idéia. Aliás, isso só me trouxe uma dúvida: Bebel influencia a moda verão 2008 ou é a moda verão 2008 que influencia Bebel? Enquanto não descubro a resposta (digam vocês!), uma coisa eu tenho certeza: não existe passarela maior que a novela das oito.

Da esq. para a dir.: Água de Coco, Cia. Marítima, Poko Pano e Blue Man


Da esq. para a dir.: Zoomp, Reinaldo Lourenço, Colcci, Triton e Cia. Marítima

Enfim, essa moda sexy com megadecotes, muito brilho, lurex, microssaias e salto altão, essa moda com um “pé na piranhice” (sem preconceitos, hein gente?) é bem provável que aconteça…. para a tristeza de alguns elegantes que conheço. Por falar em elegantes, lembrei de uma entrevista que o estilista brasileiro Francisco Costa, da Calvin Klein, concedeu à Folha. Quando perguntado sobre o que ele gostava e o que não gostava no estilo das brasileiras, respondeu: “Existem pessoas chiquérrimas no Brasil. Mas existe uma atração muito grande pela vulgaridade – não só aí, mas em todo mundo -, devido a uma série de fatores, inclusive econômicos. Tenho pavor de barriga de fora, por exemplo”. Pois é, Costa, a Bebel acabou trazendo à tona exatamente essa moda com um pé na vulgaridade. Ouso até dizer uma moda de rua autêntica, bem brasileira. E o engraçado é que enquanto Bebel toma aulas para se tornar uma moça chique, as chiques de carteirinha estão no caminho inverso. Todas querem ser Bebel.

Pós-post: o que separa a vulgaridade da sensualidade?

- Esse post foi originalmente publicado no BlogView

11 jul
Preço bom, variedade e uma excelente estratégia de comunicação. Para mim, são esses os três fatores que, em dez anos, transformaram a marca de óculos e relógios Chilli Beans na mais conhecida e consumida do Brasil. Acha que estou exagerando? Então, dá um pulinho nas baladas, raves, bares e endereços descolados da cidade e pergunte para as pessoas qual a marca de óculos que elas estão usando. Se isso não contentar, fique com esses números: a empresa detém atualmente 180 endereços exclusivos no Brasil e quatro lojas em Portugal, vendeu 1,3 milhão de acessórios no ano passado e, até 2008, pretende abrir mais quatro lojas próprias nos Estados Unidos.

Alguns dos modelos de óculos da Chilli Beans


Tudo começou na década de 80, quando o fundador da marca, Caito Maia, passou uma temporada na praia de Venice Beach, na Califórnia. Palco das mais variadas manifestações da contracultura, com uma profusão de artistas de rua, punks, músicos, acrobatas e afins, a praia trouxe a inspiração necessária. “As pessoas viviam comprando óculos baratos para compor a personalidade que queriam assumir naquele dia. Quando voltei para cá, trouxe vários modelos e comecei a vender a meus amigos e conhecidos”, contou em uma entrevista para a Veja SP.


Imagens da última campanha da marca, pintadas pelo artista plástico inglês Steven Smith, conhecido pelos seus quadros de mulheres com óculos


Em 1996, Caito montou um pequeno estande no Mercado Mundo Mix, depois, já em 1997, uma lojinha na Galeria Ouro Fino. O primeiro quisosque foi inaugurado no Shopping Villa Lobos, em 2000. A partir daí as vendas explodiram. Tudo graças a um modelo de loja que eu adoro: em vez de óculos expostos em vitrines, balcões “self-service”, onde qualquer um pode chegar e provar. No lugar de produtos de marcas diversas, apenas uma marca própria. Em vez de duas ou três coleções por ano, dez modelos de óculos novos (com quatro cores cada!) na prateleira a cada semana. Sem contar os vendedores, a maioria um povo mais jovem e moderninho no último.

Alguns dos modelos de óculos da Chilli Beans


A comunicação é um caso à parte. Caito, que atuou como músico por mais de 10 anos, sempre apoiou e patrocinou festas, DJs, peças de teatro e novas bandas. Além disso, as lojas funcionam como ponto de venda de ingressos para raves e festivais de música, o que fixa a marca junto ao público jovem e atrai o cliente. Mas quer saber qual é, na minha opinião, o maior motivo do sucesso? O preço – os óculos vão de R$ 65 a 85. Tudo graças a um sistema similar ao da Nike e de outras grandes marcas mundiais, ou seja, não possuem uma fábrica ou produção direta. Com exceção da criação, tudo é feito na China. “Nunca escondi de ninguém que são fabricados lá e que no início fazíamos réplicas de modelos já existentes”, declarou Caito na mesma entrevista à Veja SP.

Imagens da última campanha da marca, pintadas pelo artista plástico inglês Steven Smith, conhecido pelos seus quadros de mulheres com óculos

São esses fatores que fizeram a Chilli “estar nas ruas”, vestindo desde motoboys a patricinhas classe média (porque as de classe alta gostam mesmo é de se jogar nos Channel e Dior da vida…rs). E o crescimento da empresa já começa a ser notado: Shaun Smith, consultor inglês especialista em inovação e experiência do consumidor, apontou a Chilli como uma das mais inovadoras marcas do varejo mundial durante o Brasilshop 2007, congresso realizado pela Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) na última semana de junho, em São Paulo. E o cara, durante a explanação, ainda salientou: “Prestem atenção na Chilli Beans: esta será uma das mais importantes marcas do mundo nos próximos quatro anos”. É o street style brasileiro conquistando o mundo.

- Este post foi originalmente publicado no BlogView

5 jul
Há um tema que eu vejo pipocando por aí: as bolsas masculinas. Lançamentos nessa área já vem ocorrendo há algumas temporadas, durante as semanas de moda masculinas de Milão e Paris:

Da esq. para a dir.: Gianfranco Ferré, Calvin Klein, Bottega Veneta e Jean Paul Gaultier


Da esq. para a dir.: Etro, Costume Nacional, Enrico Coveri e Burberry Prorsum.

No último Fashion Rio e São Paulo Fashion Week elas também deram as caras:


Da esq. para a dir.: Redley, Ellus, Osklen e Zoomp


Mas, será que essa moda vai para as ruas mesmo? Pelo que eu vejo, na Europa elas já são bem comuns, mas aqui no Brasil só jornalista, alguns descolados e as bees que encaram. Fashion Weeks da vida não valem, hein, gente? Tô falando de vida real, Avenida Paulista, quarta-feira, meio-dia, manja? De qualquer forma, acho que elas tendem a virar item tipo indispensável, já que não rola carregar chaves, celular, carteira, óculos, i-pod, e tudo mais que você imagina, nos bolsos da calça ou do casaco (A gente sabe que fica horrível, com volumes feios e estranhos no look..rs). Esse papo da necessidade é tão sério que, para a Louis Vuitton, a meta é transformar as bolsas em item tão indispensável para os homens quanto para as mulheres. Para alcançar este objetivo, grande parte dos rapazes, no último desfile de verão da marca, carregavam a sua, transmitindo a proposta:

Mas e as mochilas? Elas não bastam? Afinal, tem gente que não abre mão dela por nada. Acontece que, na minha opinião, às vezes elas não combinam perfeitamente com o estilo urbano de ser ou são pouco versáteis. Já tentei usar um casaco mais arrumadinho e a mochila simplesmente deixava o look uó. Outra coisa que venho observando é que, quando topam usar uma bolsa, os homens são sempre tradicionais, não arriscando na bolsa de braço, de mão ou a tiracolo: vão de modelos tipo carteiro ou boliche, talvez por vincular o acessório a atividades tradicionalmente masculinas.

Pesquisando na internet para escrever esse post, li ainda alguns relatos falando que as lojas européias já estão expondo suas bolsas, originalmente femininas, em seções unissex ou masculinas. O varejo é rápido! Sei não, mas acho que daqui um tempo muitas mulheres deixarão de carregar uma bolsa maior que a necessária a si mesma. Os pertences que não cabem nos bolsos de seus companheiros serão carregados por eles próprios.

Ah, e só uma pequena consideração: talvez esteja rolando uma inversão de papéis. Durante as semanas de moda vi muitas modelos usando mochilas. Homens de bolsa e mulheres de mochila… Como diria minha vó, esse mundo ta perdido. Ainda bem.


Da esq. para a dir.: Maria Bonita, Redley, Zigfreda e Osklen.

- As fotos são do Uol Estilo e do site Chic
- Esse post foi originalmente publicado no BlogView

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