Achamos o Prada Boy, quer dizer Bryan Boy nos corredores da Bienal. Se alguém acha ele fresco, blasé ou qualquer coisa do gênero, esqueça. O rapaz é bem fofo e pelo visto tá amando o Brasil e seus “cafuçus”, gíria favorita que ele aprendeu com as bees daqui pra falar dos homens. Vestido de Prada dos pés a cabeça, “very tropical”, jurou que vai vir toda temporada. Quase um local, o rapaz que adora dar entrevista contou pro blog os lugares que ele mais curtiu conhecer em São Paulo. De quebra, revelou o que a gente tem que fazer pra pular de semana de moda em semana de moda pelo mundo, ganhando um monte de roupas dos estilistas que a gente mais ama e também falou sobre como foi conhecer a diaba Anna Wintour. Dá uma olhada no vídeo!
O SPFW que começou nesta segunda parece cada vez mais focado na moda. O acesso ao evento está mais controlado, poucas celebridades circulam (com exceção de ex-BBBs e ex-Fazendas, que parecem surgir do bueiro) e os lounges parecem bem tranqüilos, sem aquelas mega baladas rolando… Pode parecer chato, mas pra quem tá trabalhando, tá uma maravilha! A vida fica mais fácil, gente. Por outro lado, o line-up está insano, as vezes com até sete desfiles no mesmo dia, sendo que três deles externos. Haja Vitamina C e complexo vitamínico pra ir até o fim! E é por conta dessa correria, que escalei dois colaboradores talentosos e muito animados pra dar uma força aqui no blog. Nesses dois primeiros dias de evento, André Puertas e Thomas del Carlo circularam pela Bienal pra fotografar a moda dos corredores. E, como me contaram, perceberam “que neste inverno os fashionistas resolveram fazer algo de diferente. Deixaram o preto de lado e apostaram nas cores e estampas”.
Olha a calça-tendencinha-vermelha aí!
O Augusto Paz é um querido e sempre tá fofo nos looks nerdizinhos dele…
Os acessórios também vieram cheios de cor ou de brilho!
Quero o tênis dourado!
E até nossa musa máxima, Costanza Pascolato, posou pros meninos com seu anel de caveira, presente de um neto… Costanza é muito ligada no povo mais jovem, adora conversar com todos e se diverte muito com esse pessoal. Enfim, uma vózinha do rock!
A Reserva faz uma moda masculina bonitinha. Sem grandes inovações, mas bacana, perfeita para seu público consumidor. O diretor criativo da grife Rony Meisler é um querido, simpático, empolgado nas entrevistas… Tudo certo. Mas que raios é essa mistureba política que ele resolveu fazer pro verão 2012? A coleção em si é ok, não tenho nada que criticar. Mas o conceito por traz dela é uma leitura muito rasa da complexa e particular história política de Cuba. O engano começa na cenografia e passarela – o que quiseram dizer com Che Guevara usando um nariz de palhaço? E o que eram aqueles homens enrolando charutos, com maquiagem de Chaplin? – e vai até o discurso de Rony – o que ele quer dizer com “a coleção é uma critica ao belicismo cubano”?
Divulgação
Estampa “dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial…” na calça
Não sou um profundo conhecer da história da ilha e nem quero politizar o papo por aqui. Mas só queria registrar que achei tudo isso bem confuso: nesse angu todo ainda entra uma “critica ao imperialismo americano” com a estampa de camuflagem feita com “dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial…” e referências às influências da China no país. Hã? Veja uns trechos do bate papo que tive com ele no backstage um pouco antes do desfile:
A coleção em si foi bem leve, alfaiataria estampada, cartela de cores em tons pasteis, laranja, verde e bege. A modelagem das calças e bermudas é bem ampla, os comprimentos um pouco mais curtos. E a parte de cima, sequinha com pegada “militar casual”. Look de brasileiro no verão. Veja o que o Lula Rodrigues e a Suzana Barbosa falaram do desfile da marca:
Autoretrato de Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin
Não é exatamente Ashton Kutcher e Demi Moore que vão causar frisson entre os fashionistas nesta temporada. Aliás, parece que a atriz nem deve dar as caras no SPFW que começa hoje trazendo os lançamentos de 36 marcas para a primavera-verão 2011/12. Quem deve parar tudo mesmo é o casal 20 da moda Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin. Mais do que o amor, a dupla divide uma carreira de mais de 25 anos na fotografia.
Lady Gaga para a revista “V” #71
O currículo deles é extenso: além das versões francesa, britânica, japonesa e americana da Vogue, assinaram editoriais para a V Magazine, W Magazine, Harper’s Bazaar, GQ, Purple Fashion, Visionaire, VMAN, Arena Homme Plus e outras.
Raquel Zimmermann, uma das modelos favoritas do casal para a revista “Purple” #14
E é um pouco desse trabalho que estará exposto no prédio da Bienal em cerca de 300 imagens da expo “Pretty Much Everything”, a mesma que eles apresentaram em 2010 na Foam – Fotofrafie Museum Amsterdam, na cidade natal dos dois. O bacana é que a mostra estará aberta à visitação do público depois que a temporada acabar. Nesse vídeo, eles falam um pouco da expo:
Em seus trabalhos, Inez e Vinoodh transitam pela moda e arte, sempre tendo a manipulação digital como parte importante de sua obra. Juntos, exploram questões como gênero, sexualidade, realidade, superficialidade e identidade… Papo cabeça.
Anastasia, de 1994
Vinoodh nasceu em 1961, trabalhou como modelo antes de entrar na Academia de Moda de Amsterdã em 1981 e lançou uma grife. Depois, começou a trabalhar como stylist. Foi exercendo este oficio que conheceu Inez na década de 80. Ela, que nasceu em 63, estudou na Rietveld Academia de Artes. Enquanto ainda era estudante, começou a trabalhar com seu futuro marido.
Editorial para a revista Vogue Paris de agosto de 2009
A dupla tentou se estabelecer como fotógrafos de moda nos EUA em 1993, mas o estilo do trabalho deles não parecia estar em sincronia com o que estava sendo comercialmente feito. “Foi quando o grunge atingiu o mundo da moda. A nossa fotografia era exatamente o oposto disso: muito colorida, muito glamurosa, com uma sensação dos anos 70. Todos aqui (nos EUA) diziam apenas ‘esqueçam disso’.”, contou Inez à revista “Creative Review”.
Gisele para a revista GQ, de junho de 2008
O sucesso chegou pouco tempo depois, na Europa, uma audiência mais receptiva. Tratava-se de um editorial para a revista inglesa “The Face”, com modelos numa pegada anos 1970, colocadas em fundos dramáticos. A notoriedade trazida pelas imagens pegou-os desprevenidos. “Quando a ‘The Face’ saiu não estávamos prontos para nada… Foi super emocionante, mas realmente não esperávamos aquela atenção toda e estávamos relutantes em ganhar dinheiro com isso”, contou Inez na mesma revista.
Sophia Loren aos 72 anos para o calendário Pirelli de 2007
Hoje, especula-se que a dupla não dá um misero clique por menos de 35 mil dólares. Entre seus clientes famosos, estão Viktor & Rolf, Yves Saint Laurent, Balenciaga, Chloé, Stella McCartney, Valentino, Gucci, Givenchy, Calvin Klein, Roberto Cavalli, Yohji Yamamoto, Jean-Paul Gaultier, Narciso Rodriguez, Dior Homme, Pucci, Emanuel Ungaro, Lancôme, Balmain, Isabel Marant, Moschino, Jimmy Choo, Herve Leger e Nina Ricci.
Auto-retrato para a campanha masculina de verão 2010 da Lanvin. A pose é a mesma da foto “Me Kissing Vinoodh” (Passionately), que os dois fizeram em 1999
“Algumas pessoas pensam que estamos preocupados com glamour. É uma palavra vazia. Estávamos sempre interessados em celebrar e subverter ao mesmo tempo, tanto nas artes como na moda. Nosso trabalho é sobre constantemente mostrar os lados opostos de uma imagem, tornar as pessoas conscientes das diferentes realidades que estão acontecendo ao mesmo tempo.”, conclui Inez.
O SPFW começou já em ritmo de badalação. A começar pela cenografia incrível logo na entrada da Bienal com uma passarela gigante cercada por espelhos d’água, criação do coletivo formado pelos estúdios Árvore e 20.87, além da Luminosidade. Só no primeiro dia, contei três desastrados enfiando o pé na água por descuido. E ainda teve gente que viu Paulo Borges, organizador do evento, descendo a língua numa dessas descuidadas que ousou cair na água. Não queria estar na pele dela.
Charles Naseh/Chic
E com tanta correria e tantos bafos do primeiro dia, o mais divertido foi mesmo entrevistar a Paris Hilton. Quer dizer, uma pseudo entrevista. Estou eu lá cobrindo os backstages pro GNT Fashion, quando me avisam no rádio da produção que seria eu a conversar com a loira. Fui pra porta do backstage da Triton, naquele maior esquema de segurança e de seleção de “quem entra e quem não entra”. Daí, dá-lhe espera. Tecnicamente, Paris concederia apenas três entrevistas. Mas, apaixonada por câmeras e atenção que ela é, acabou atendendo a muito mais veículos. Uma fofa! Pena que a loira quase não fala nada que se aproveite. Paris não responde a uma pergunta sequer sem consultar o empresário. Até pra dizer suas cinco músicas favoritas do iPod pra uma jornalista ela recorreu ao rapaz.
Charles Naseh/Chic
Tudo bem. O que falta nela em repertório e expressividade, ela compensa com simpatia e poses, muitas poses. Sem contar a obsessão que ela tem por acrescentar “HOT” ao final de cada frase. Então eu já sei que ela acha o Brasil HOT, que os brasileiros são HOT e que a festa de aniversário dela de 30 anos vai ser HOT, very HOT. Festa não. Festas! No plural mesmo,como ela me contou. E mesmo sem perder o espírito festeiro, ela ainda diz que se sente “crescida” no momento que está prestes a se tornar uma balzaquiana. Tirando isso, a modela-empresária-apresentadora-atriz-e-cantora não acrescentam nada demais. Só pra Triton, que com essa presença mais que bem paga na passarela, vê sua marca aparecendo em tudo que é lugar, até no Fala Que Eu Te Escuto. Paris, you’re hot!