Muita gente gostou da entrevista que fiz no mês passado com a Tais Mol. Por isso, inspirado pelos e-mails queridíssimos que recebi, resolvi dar continuidade à idéia. Dessa vez, a entrevistada é Denise Dahdah, editora de moda da revista Quem. Conheci a Denise na minha curta (porém, muito gratificante!) passagem pela editora Globo. Além de excelente interlocutora (ela era a única que, como eu, vibrava com um editorial incrível…rs), a Denise entende muuuito do que faz. Mesmo em uma revista nada conceitual, vem conseguido desenvolver trabalhos muito criativos e, sobretudo, bonitos. Seu olhar para a moda é apurado, divertido e super aberto às novidades. Nesta entrevista, ela conta sobre sua trajetória, fala sobre seu trabalho na Quem, dá dicas de como “chegar lá” e ainda elege suas celebridades favoritas no quesito estilo.

Denise Dahdah (foto tirada do Fora de Moda)
Confira a entrevista:
Descolex: Como despertou o seu interesse pela moda?
Denise Dahdah: Veio de família. Minha avó fazia roupinhas pra minha Barbie, do jeito que eu pedia. Um dos meus programas favoritos era ir ver vitrine com a minha mãe no final de semana, ficar assistindo ela experimentar roupas, e a minha tia tinha um quarto enorme, cheio de armários, com mil roupas, acessórios e maquiagem onde eu passava horas, provando tudo, montando looks aos 6 anos!!
D: Onde você se formou? Que curso fez?
D.D: Eu estudei jornalismo na PUC/MG e depois fiz um mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres. A minha tese de mestrado foi sobre a moda brasileira e a imprensa de moda no Brasil. Fora isso, fiz alguns cursos livres como, por exemplo, marketing de moda e estilismo.
D: Como todos que um dia começam, você teve ajuda de alguém para entender e escrever sobre o assunto? Quem foram seus mestres?
D.D: Meus mestres foram mesmo as revistas. Eu sempre amei revistas, desde pequena. Sempre adorei ler e me inspirava no que eu lia. E acho que pela vida a gente vai se inspirando e aprendendo com as pessoas bacanas que passam por ela. Pode até ser gente que nunca conhecemos, mas que inspira, as vezes só com uma frase, sabe?
D: O que uma pessoa tem que fazer para chegar a editor de moda? Qual foi o seu caminho?
D.D: Eu acho que tem que estudar muito, ter o máximo de conhecimento possível, levar seu trabalho muito a sério e saber aproveitar as oportunidades. Para mim foi uma mistura de vários fatores: eu era repórter de moda e beleza da revista AnaMaria, a partir desse trabalho eu recebi o convite para assumir a moda da Quem. Eu tive muito medo de dar o passo, mas fui assim mesmo, afinal de contas uma oportunidade assim não aparece duas vezes, né? Muita gente iria torcer o nariz para um trabalho em uma revista tão popular como a AnaMaria, mas foi esta revista que me deu oportunidade de mostrar o meu trabalho e de conhecer pessoas bacanas, que apostaram em mim.
D: Em entrevista ao Descolex, Thais Mol aproximou os termos stylist e editor de moda, pois, segundo ela, ambos conseguem “um resultado que vai além do que o estilista definiu, que expande, inverte, recria as fronteiras daquela criação”. Mesmo assim, sabemos que stylist e editor são duas profissões bem diferentes, certo? Você poderia explicar melhor essa diferença? O que um editor faz?
D.D: Acho que estes termos, na teoria, se equivalem mesmo. Originalmente a função de editor de moda seria se focar apenas na moda, mas as editoras acabam fazendo muito mais. Não sei como é exatamente nas outras revistas, na Quem é assim: eu penso no conceito do editorial, ou seja, penso em tema, em locação, na moda, e quem seriam os melhores profissionais para cada trabalho (fotógrafo, stylist, modelo, maquiador). Geralmente eu convido primeiro o stylist, a gente discute o que eu espero, quais são as minhas idéias e ele traz as dele também, a gente conversa bastante e chega num consenso. E eu sempre gosto de ouvir as sugestões do stylist e do fotógrafo para bater o martelo em quem fará a beleza, quem será a modelo e qual será a locação – acho que um trabalho de equipe é sempre mais bacana.

“Esse é de um dos editoriais que eu mais gostei de ter feito na vida – a modelo é a Gracie Wink, o styling é da Carolina Gold, fotos do Rogério Alonso e beleza do Lu Ramos. Depois das fotos prontas, a Rita Wainer fez interferências em cima”
D: Quais são os seus editores preferidos na moda?
D.D: Eu adoro o trabalho do Paulo Martinez, acho ele incrível. Fora do Brasil eu adoro a moda da Vogue Inglesa e da Harper’s Baazar, tanto a americana quanto a inglesa.
D: O que é preciso para ser reconhecido?
D.D: Trabalhar direito, saber aproveitar as oportunidades e se relacionar bem com as pessoas. Ah, precisa um pouco de sorte também!
D: Ser editora de moda em uma revista de celebridades é diferente de trabalhar como editora em uma revista como a Vogue, certo? Você poderia falar um pouco dessa diferença?
D.D: É diferente sim. Por a Quem não ser uma revista de moda eu tenho muito menos “amarras”. Tenho mais liberdade para criar, não preciso ser didática e nem comercial. Não que eu ache que a Vogue seja assim. Estou falando de revistas de moda em geral.
D: O que você acha do estilo das famosas brasileiras?
D.D: Eu acho que elas ainda estão engatinhando. Não temos no Brasil uma grande fashionista, a preocupação com a moda ainda é pequena nas nossas celebridades. Mas tem muita gente bacana, que já começa a se destacar, como Wanessa Camargo, Camila Morgado, Débora Falabella, Camila Pitanga, Tais Araújo e Sabrina Sato.
D: E das internacionais? Quem você gosta?
D.D: Eu gosto muito da Kate Moss, da Agyness Deyn, da Charlotte Gainsbourg, da Chloé Sevigny, da Sarah Jessica Parker.
D: Existem desavenças entre editoras de moda no mundinho fashion brasileiro?
D.D: Ah, que pergunta engraçada! Sei lá! Acho tem uma nova geração que está mais preocupada em trabalhar do que em ficar xoxando os outros.
D: Uma editora de moda pode ter queridinhos ou protegidos?
D.D: Claro que pode. Só não pode é fechar o olho para o que é bom e o que é ruim por causa de desafetos ou preferências pessoais.
D: O que você está gostando mais para o inverno?
D.D: AMO xadrez, sempre amei. Estou gostando também desta mistura de estampas à la Ugly Betty, e dos cowboys, eternos ícones.
D: Você acaba entrar para a blogosfera, com o blog Estilo Quem. O que podemos esperar desse novo canal?
D.D: É um blog leve, falo de tudo que tem a ver com moda e beleza, o que vier na cabeça. Estou adorando!
D: Você acompanha os blogs de moda?
D.D: Acompanho sim, adoro. Acho que tem vários blogs legais, o povo está soltando a língua, acho isso incrível, admiro muito a coragem e a integridade dessa nova geração de jornalistas de moda.
D: Quais blogs você gosta de ler, recomenda? Quais são suas outras fontes de informação?
D.D: Eu leio o seu, leio o do Oliveros, o do Sylvain, da Olívia Hanssen, da Oficina de Estilo, da Biti, o da Renata Piza, o da Victoria Ceridono. Adoro o Sartorialist, o GoFugYourself, que é hilário, o da Hilary Alexander… além dos blogs e das revistas eu me inspiro e me informo muito na música e no cinema. Acho que são fontes inesgotáveis.

“Esse foi um editorial que eu também amei. A modelo é a linda Talita Pugliese, styling do Rodrigo Polack, make do Lu Ramos e fotos do Feco Hamburger”

