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14 abr

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Damian Finch, estilista aos 12 anos

Pra quem pensava que Pedro Lourenço era o único caso por aí de “estilista-criança-prodígio”, precisa conhecer Damian Finch. Este jovem nova-iorquino de apenas 12 anos, começou a ficar conhecido por seu trabalho com jeanswear, mas agora faz sucesso com uma alfaiataria despojada e super cool. O discurso é o mesmo de quase todos os estilistas iniciantes: “Faço roupas que eu gostaria de usar”, ele conta em entrevistas. Já uma reportagem no site Men.Style diz que “a primeira coleção completa de Finch, que foi apresentada a um bom número de compradores e editores, mostra um notável nível de maturidade”. Nada mal, né? Pelas fotos, eu achei o trabalho bem bom, mas nada surpreendente… No quesito inventividade e piração, nosso Pedro dava de 10 a 0, vai.

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Looks da coleção outono-inverno 2009/10 de Damian

13 nov

[Antes de começar, queria contar que essa matéria foi originalmente publicada na revista Catarina, edição 19, que saiu recentemente nas bancas. Aproveitem!]

Pedro Lourenço não é um garoto acessível. Nem poderia. Seu talento e precocidade na moda impuseram no “menino prodígio” uma certa barreira social. Filho de Glória Coelho e Reinaldo Lourenço, com 12 anos Pedro apresentou sua primeira coleção no SPFW, em 2003. Já foi elogiado pela crítica por seu apuro estético, inventividade na criação e pela qualidade de seu acabamento. Também foi criticado, e muito. Tudo bastante intenso para um jovem de 18 anos que lida com tudo isso de forma bem particular. Pedro tem fama, verdadeira, de não gostar de dar entrevistas. Nas reportagens e perfis que são publicadas a seu respeito, quase sempre adota um certo ressentimento em relação à imprensa por analisá-lo sempre sob a luz de seus pais, dois grandes nomes da moda nacional. Mostra-se incomodado por, na grande maioria da entrevistas que concede, enfocarem na questão da sua idade. E, não raro, diz que sua moda autoral é incompreendida pela consumidora brasileira. No backstage de seu último desfile, realizado em junho deste ano, na temporada de Primavera-Verão 2008/09 do SPFW, circulava de um lado pro outro gritando “camarim japonês”, uma referência clara ao seu desejo de total silêncio nos bastidores minutos antes de seu show.

Pedro Lourenço (foto: Hique/Flickr)

Esta foi primeira de diversas tentativas de entrevistá-lo. Aqui vale destacar que o referido desfile marcava seu retorno as passarelas, após uma pausa de cerca de um ano em que Pedro dedicou-se aos estudos. Semanas depois, mais uma tentativa de entrevista, via assessoria de imprensa. A resposta veio em pouco tempo, dizendo que Pedro responderia às perguntas somente via e-mail. Um pouco inusitado, já que o estilista “não gosta de computador, adora escrever à mão e prefere se informar através de meios mais profundos”, como ele mesmo explica. A resposta veio, meio monossilábica. Mesmo com parte das perguntas respondidas, faço uma nova tentativa, desta vez, bem sucedida. E aí que Pedro surpreende. Gentil e cordial, responde a (quase) tudo. Conta de seu interesse por astrologia – “analiso meu mapa para saber o momento em que estou” –, fala de seu convívio com Marie Rucki, a célebre diretora do Studio Berçot de Paris e até comenta sobre as críticas que recebeu por realizar um desfile às 8h em pleno final de semana. Tudo com poucas, mas boas palavras. Confira:

Descolex: Para quem você cria?
Pedro Lourenço:
Eu crio para me expressar. Visto mulheres que seduzem pelo intelecto e pela mente. Já as outras, que seduzem pelo físico, não me inspiram.

D: Comparado com o seu começo, antes da sua pausa, como você enxerga seu trabalho hoje? O que mudou no seu estilo nesse tempo?
P.L:
Nesta pausa tive muito contato com as ciências e outras áreas que são descartadas pelos acadêmicos, e que, para mim, é o único universo a se explorar em minha profissão (em sua última coleção, Pedro voltou seu olhar para a biologia e anatomia dos pássaros). Estes estudos abriram minha mente e me fizeram observar o mundo. Inconscientemente, através destas observações, meu trabalho se tornou mais pessoal e livre.

D: O que te inspira? Como começa uma coleção?
P.L:
As inspirações vêm da relação do meu espírito com minhas experiências visuais e físicas. Por isso, acho que meu processo criativo é esquizofrênico, começo minha coleção através da relação dessas experiências.

D: E como é seu dia-a-dia quando não está trabalhando? O que você gosta de fazer nas horas vagas?
P.L:
Trabalhar (Pedro é enfático nessa resposta). Afinal, este é o único objetivo do homem. Meu hobby é descarregar minha energia no trabalho, na minha criação.

D: Como foi sua formação em moda? Como se desenvolveu profissionalmente?
P.L:
Sou filho de estilistas por isso meu desenvolvimento profissional foi adquirido muito naturalmente através de minha vivência com a moda e cultura. Desde pequeno eu já me interessava por moda, me envolvia com ela… Aprendi a costurar na fábrica dos meus pais.

D: Que estilistas – nacionais e internacionais – você admira? Tem um preferido?
P.L:
Os estilistas nacionais que admiro são meus pais, claro – Glória Coelho e Reinaldo Lourenço. Os internacionais são Cristóbal Balenciaga, Coco Chanel, Madeleine Vionnet e Elsa Schiaparelli. Foram eles que realmente inovaram na moda.

Look apresentados por Pedro no SPFW Primavera-Verão 2008/09 (foto: Charles Naseh/ Chic)

D: Quem você adoraria vestir? Quem você não gostaria de ver usando uma criação sua?
P.L:
Adoraria vestir a Charlotte Casiraghi (princesa de Mônaco, neta de Grace Kelly). Porém, não gostaria de vestir a Paris Hilton.

D: Quais são suas fontes de informação?
P.L:
Tento não usar a Internet. Vivemos em um mundo onde as pessoas buscam informações nos mesmos lugares. Prefiro estudar, pesquisar e me informar através de meios em que eu possa me aprofundar mais nos assuntos, que nem todos têm acesso. Além do mais, o computador tira aquela coisa da relação mais afetiva com o papel e tira a possibilidade de troca com cara a cara a pessoa. Eu por exemplo, não faço nada no computador. Gosto muito de escrever, adoro ver minha letra no papel, meus rabiscos, minhas anotações.

D: Você costuma ler blogs?
P.L:
Não costumo ler blogs, não. Acredito que o maior mérito do homem é saber optar. Administrando meu tempo, opto, mais uma vez, por assuntos que me enriquecem culturalmente e intelectualmente… Os livros, pra citar um exemplo, oferecem possibilidades que não estão disponíveis em sites.

D: Você começou muito novo… Como lida com a pressão da idade? Aliás, você se incomoda quando focam na questão de você ser muito novo?
P.L:
Sempre lidei e lido naturalmente com a pressão da idade e é claro que está questão incomoda. A maioria das pessoas com quem convivo são mais velhas e elas não usam a minha idade como fator de julgamento do meu trabalho. Mas, também existem pessoas que definem os outros pelo ano que elas nasceram e não pelo que elas são. E este é um dos motivos pelo qual me relaciono com gente de todas as idades, de um a cem anos… Todas elas, de alguma forma, me proporcionam alguma coisa.

D: Como é o clima em casa quando vai chegando as semanas de moda?
P.L:
Vira uma loucura e é natural. Os horários mudam muito e não batem mais… Com três etilistas em casa, tomar café da manhã juntos nessa época não existe!

D: Você é supersticioso? Tem algum ritual no dia do desfile?
P.L:
Sou, mas não igual aos meus pais, que fazem mapa astral pra tudo. Fiz cursos de astrologia, aprendi a analisar mapas e gosto muito de sempre ir a ele para saber por que momento estou passando. Junto com a minha astróloga, a Lidia Vainer, eu analiso o mapa e monto uma agenda com dia e horário para começar a pesquisar, para ler, para estudar, para determinar os dias que são para criar… Organizo isso tudo minuciosamente. E dá certo, viu?

D: Monta até planilha de horários, então…
P.L:
Sim. Mas, na mão! Nada de computador (risos). Sei lá, gosto muito disso e acho que tenho facilidade até. Adoro olhar para o rosto de uma pessoa que eu nem conheço e dizer o signo dela. Nunca erro e as pessoas ficam abismadas.

A família Coelho-Lourenço (foto: Jorge Bispo/ Flickr)

D: Como foi estudar com Marie Rucki? O que sua passagem pelo Studio Berçot acrescentou no seu trabalho?
P.L:
Convivo com a Marie desde pequeno e muitos dos meus raciocínios e formas de ver e viver a vida criativa, absorvi e aprendi com ela. Na última vez que estive com ela, fiz um curso de uma semana e foi maravilhoso passar esse tempo com ela. A Marie me acrescentou, desta vez, um novo entusiasmo e energia.

D: Você acaba de apresentar uma coleção conceitual, que não terá produção comercial. Qual o objetivo dessa coleção? Está montando um portfólio?
P.L:
Sim.

D: Para quê? Está pensando em batalhar um estágio lá fora?
P.L:
Bom, tais planos são pessoais, apenas cabem a mim. Mas, de qualquer forma, portfólio é uma coisa que muitas vezes a gente monta pra nós mesmos… Pelo desejo de ter, não para obrigatoriamente apresentar pra alguém.

D: E quando poderemos ter novamente uma coleção completa de Pedro Lourenço nas araras?
P.L:
Quando chegar a hora ou o momento.

D: Muita gente reclamou por seu desfile ter sido cedo no último SPFW… Saiu na imprensa que Glória Kalil chegou a chamar você de “menino mimado”. Como acontece a escolha desse horário? O que achou do comentário da Glória?
P.L:
A escolha do horário acontece em uma reunião minha com a organização do evento. Desfilo fora da Bienal porque cresci assistindo desfiles internacionais e eles nunca são apresentados em um só lugar. Para mim, esta deslocação é natural. Se a Gloria Kalil realmente fez esse comentário, acredito que a mesma não tem muito conhecimento a respeito da minha personalidade e dos meus ideais. Muitos críticos de moda me viram crescendo pessoalmente, ela não.

D: Recentemente, Alcino Leite Neto, da Folha de S.Paulo, declarou ao Descolex que a moda é racista, além de discriminar “os feios, os velhos e os não magros”. Você concorda com essa opinião?
P.L:
Não. Sou estilista, convivo com todos os tipos de pessoas e as ajudo a se vestirem, a ficarem mais bonitas por meio da moda. Percebo que existem opções de roupas para todos os tipos de pessoas.

D: Quais seriam suas dicas para um estilista que está começando? O que você acha que é essencial num criador?
P.L:
A dica para um estilista que está começando é sair do quadrado. O que é essencial num criador é energia, não aceitação do primeiro resultado, pé no chão; porém, com a mente no céu; desejo, vontade… Tais instintos moldam a personalidade. A dica prática para esse jovem estilista é não se apegar em valores pequenos, tentar sair da sua área, estudando todas as outras que existem no mundo. Tais criadores devem pensar como um arquiteto no corte, um músico na harmonia e um filósofo na idéia.

D: Como consumidor, o que você está gostando para o verão?
P.L:
Do branco.