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18 jun

Se no Fashion Rio era uma luta conseguir escrever um post aqui pro Descolex, tentem imaginar aqui no SPFW. Tem mais coisas pra cobrir, mais desfiles, mais famosos, mais tops… Mas, to tentando, viu? O (São) Paulo Borges colocou alguns veículos, tipo Blog LP, Folha de S.Paulo e Chic, nuns quadradinhos dentro da sala de imprensa. Ficou bem legal, por que assim a gente não se isola do borburinho e também não fica loko disputando um pedacinho na bancada da sala. Sem contar que a comida daqui nunca foi tão boa. Tem brigadeiro, carolina, sanduíchinho… Tudo do Benjamin Abraão. Fino, né? Bom, vou destacar algumas coisas que estão rolando neste SPFW.

Ivy Folha

Nosso quadrado na sala de imprensa

Tênis grifados

As marcas sempre fazem parcerias com grandes fábricas de calçados pra desenvolver os tênis de suas coleções. Nessa temporada, destaco a parceria da Cavaleira com a Penalty e da V.Rom com a Rainha. Os da Cavaleira serão todos customizados por ilustradores e pintados manualmente. A inspiração é a arte da bandeira do estado de São Paulo (a grife faz um desfile homenagem ao estado, com desfile no Minhocão, região central da cidade) misturado com a águia da Cavalera. Pra quem não sabe, a parceria entre Cavalera e Penalty não vem de hoje. Ela começou há dois anos, quando juntas desenvolveram a Camisa 3 da Portuguesa.

Divulgação
O tênis da Cavalera em parceria com a Penalty

No desfile da V.Rom, que rolou ontem, a Rainha apresentou o tênis Iate (aquele sem cadarço) em lona, em quatro modelos inéditos: sapatilha (duas versões florais e uma versão lisa em lona cru), alto (versão cano alto do calçado), raso (modelo mais baixo e cavado), sandália (um cordão é transpassado pelos ilhoses e amarrado no tornozelo).

Divulgação
O tênis da V.Rom em parceria com a Rainha

Eu vi Jesus

Não é que a Colcci veio melhor nessa estação? Acho que a Jessica Lengyel tá mais segura, investindo em jeanswear e peças sexies. Finalmente, a melhor coisa da Colcci deixou de ser somente a Gisele. Aliás, a modelo continua sendo um case de sucesso. Dane-se que a Vanity Fair e a Harper’s Bazaar venderam menos com ela na capa de junho. Gisele ainda é motivo de muito tumulto, aplausos e gritos. No desfile, tinha um rapaz atrás de mim que esperneava toda vez que ela fazia uma entrada. Ele gritou tanto, que até tirou um sorriso e um aceno dela na passarela.

Reprodução
Gisele Bündchen e Jesus Luz na passarela da Colcci

Rodrigo Hilbert também foi mega aplaudido, já Jesus Luz decepcionou. O cara entrou – ao som de Time goes by so slowly, da Madonna, diga-se de passagem – com uma expressão nada. O povo até gritou na primeira entrada, mas de tão impassível (diria até assustado) que ele estava, que na 2ª entrada dele nem deram trela. Depois de vê-lo de pertinho, confirmei minha dúvida: o que a Madonna viu nesse cara?

O samba da Osklen

Silvia Boriello/ Erika Palomino
Os looks mais incríveis da Osklen

Chega até ser um clichê, mas a Osklen foi ótima. Não que seja a coleção mais incrível do Oskar Metsavaht – prefiro muito mais a anterior, dos moletons. Mas, a forma como ele pega um tema (o carnaval) e desdobra ele é única. Amo a sobreposição transparente de tules em cores vivas. Amo os bordados de confete, amos as estampas de plumas e amo a idéia das calças-serpentina, de tiras que se abrem conforme o andar. Pena que na loja isso vai custar o olho da cara.

11 fev

Acho que não tem expressão mais na moda do que “crise econômica”, já reparou? Em qualquer veículo ou editoria, a onda é falar dela… No meu dia-a-dia fico me esforçando pra sempre estabelecer links entre esses tempos bicudos com a roupa nossa de cada dia. Tarefa ingrata? Nem tanto. O lance é que as vezes a gente fica tão imerso naquilo, que esquece muitas vezes de explicar como dois universos aparentemente distintos (economia e moda) tem tanto a ver. E não é que eu tive essa epifania e resolvi escrever um post aleatoriamente. É que essa semana, pela terceira vez, uma leitora assídua do blog veio pedir para que eu explicasse onde e como a crise financeira que toma conta do mundo aparece na moda. É claro que não sou nenhum expert e não conseguirei dar uma explicação mega aprofundada do assunto. Mas, pra que pelo menos você possa entender um pouco dessa engrenagem, darei minha humilde contribuição.

Reprodução/ Blog LP
Wilson Ranieri, Alexandre Herchcovitch, Samuel Cirnansck, Uma e André Lima

Basicamente, ao meu ver, essa coisa de crise se manifesta na moda de duas maneiras: no “espírito” das coleções, e nos materiais em que elas são criadas. Um exemplo simples: já notou que tanto aqui no Brasil, quanto nas temporadas internacionais de pret-a-porter que rolaram e estão rolando, tudo é preto, cinza e bege? Essa ausência de cor nada mais é do que um reflexo desse espírito pra baixo, triste e apreensivo em que vivemos. Tem mais: um vestido preto é praticamente atemporal… E já que em tempos difíceis nunca sabemos como será o dia de amanhã, melhor investir em algo que você poderá usar muitas vezes, certo? De olho nesse desejo do consumidor, as marcas capricham na oferta do preto, da roupa de modelagem clássica… Enfim, na simplicidade e elegância. Nessas épocas de grana curta e a palavra “economize” buzinando na orelha, nada como o bom e velho “básico”.

Reprodução/ Blog LP
Osklen e seu trabalho em moletom

Segunda relação: tecidos elaborados e sofisticados são caros. E não tem mais nada cafona no vocabulário receshionista do que “caro”. Por isso, muitas grifes investem nos tecidos mais baratos… E nessa, se destaca quem é bom de moda mesmo. Exemplo: a Osklen nessa última temporada fez toda uma coleção em cima do moleton, um tecido mais fácil de trabalhar, que rende bem na fábrica e é relativamente barato. Agora, pensa que só porque é moleton, a coleção só tem calça de dormir e blusa com capuz? Não! Ali, o moleton é trabalhado de tudo o que é jeito: com resinas, tintas, lavagens, tricôs… Tudo isso numa boa alfaiataria. Isso que é moda, saca? Resumindo, a crise está afetando a todos: desde as industrias têxteis que sofrem com a falta de matéria-prima barata, passando pelos estilitas que são afetados ctanto na criação (o espírito triste), quanto na execução (os tecidos caros), chegando aos stylists, que adoram pegar essa crise e deixar tudo mais sombrio na passarela…

27 jan

… E eu nem consegui escrever todos os posts que eu queria escrever! Essa vida dupla de blogueiro e jornalista não dá muito certo, não. De qualquer forma, eu vou postar aqui pelo menos algumas coisas que eu vi e achei legal, tá?

Dreads e moletom na Osklen

Rasta: a beleza da Osklen, assinada por Marcos Costa, foi uma das melhores. Que trabalhão deu pra colocar e tirar esses dreads da cabeça das modelos! Mas o resultado na passarela ficou incrível. E já que o assunto é Osklen, aproveito pra dizer que fiquei encantado com a nova coleção. Oskar Metsavaht, estilista da marca, pegou a coisa mais simples do nosso guarda-roupa, a blusa de moletom mescla, e fez miséria. Pra vocês verem que um bom estilista não se faz só de tecidos caros e luxuosos. Com criatividade, minha gente, neguinho vai longe! Por outro lado, preparem-se: vocês nunca vão ver um moletom tão caro nessa vida quanto na loja da Osklen. Eu vou me contentar com meu moletonzinho da FidoDido mesmo. Pelo menos, digo que é vintage!

 

Dona Lili e dona Maria, as bordadeiras da TAM

Arte: a TAM investiu legal nessa edição do evento. Além de ter um dos lounges mais bacanas – decoração incrível, comida melhor ainda – eles montaram um outro espaço no primeiro andar da Bienal. Lá, chamava atenção duas senhorinhas, que passaram os sete dias de evento bordando um vestido branco do Lino Villaventura. Tomado pela emoção provocado pelo desfile do Ronaldo Fraga, fiquei com vontade de abraçar até esmagar dona Lili de Castro e dona Maria Helena. As pobrezinhas deram um show em Frivolités, Rendas Valencianas, Vagonites e Pontos Cruz… Tudo debaixo daquele luz infernal de quente que colocaram na cabeça delas. Mereciam um ar-condicionado, viu TAM?

Henrique, o herdeiro

Esmagar: e na onda “vontade de esmagar” da foto anterior, outro forte candidato é o Henrique, filho de Paulo Borges. Essa graça de menino tava dando sopa pela Bienal só no xadrez Burberry… Fino! Ele ainda não tem idade, mas logo vai passear por lá, dizendo pro amiguinhos “isso aqui vai ser tudo meu”! Tá?

Pra terminar, quero dar uma indicação e fazer um comentário sobre duas coisas que não tem nada a ver com SPFW, mas, que devido à preguiça que me toma, vão aqui mesmo.

A estréia da linha masculina de Gareth Pugh em Paris

Estréia: amo de paixão o debut da coleção masculina de Gareth Pugh em Paris! Para a sua estréia, neste dia 25, o estilista inglês criou 25 looks gótico-futuristas incríveis. Bem a cara que ele vem dando pra suas coleções femininas, sabe? Algumas peças surgem inteiramente cobertas com spikes, como se ele quisesse criar um homem intocável, bastante fashion, porém macho. Enfim, to divagando… Mas o que importa é que as calças justas, as jaquetas e os trenchs são objetos de desejo que morarão (e acho que nunca sairão) no meu coraçãozinho fashionista. Agora, vendo as fotos com calma, vocês não têm a sensação de que a coleção dele tem uma forte pegada Alexandre Herchcovitch no começo? Ai ai, to divagando de novo…

Macho: e já que o assunto é masculinidade, vou indicar a divertida leitura do post “Estudo de Caso: a Pochete”, no blog Homem.org. Nele, o inspirado Salomão Valadão desvenda a verdadeira história por trás do banimento da pochete. Triste história, viu?

18 jan

Quem entrou e consegui sentar direitinho no desfile da Osklen, o último do primeiro dia de SPFW, pode nem ter visto isto: um bate-boca sem fim e muito deselegante entre os seguranças e a turma do standing. Para quem não sabe, existe sempre uma fila na entrada das salas de desfiles de gente sem convite, que aguarda sobrarem lugares para tentar entrar. Acontece que, não sei por qual motivo, colocaram gente demais dentro da sala. O resultado? Muitas pessoas com convite de pé e outros tantos se espremendo nas escadas de emergência. Os seguranças, que têm que liberar as escadas de qualquer maneira, foram pedir para o povo ir se espremendo mais ainda lá em cima, o único lugar permitido para o standing. E a confusão se armou: a galera com convite reclamava do pessoal do sitting, que não conseguia liberar as cadeiras ocupadas por gente que não deveria estar ali, jornalistas implorando para poder ver o desfile decentemente, já que teriam que escrever sobre, outras pessoas gritando só para aumentar a algazarra… Aquele bafo! Nessas horas, só penso na Glorinha Kalil: educação, bom senso e respeito é tudo nessa vida. Não dá para simplesmente sentar em qualquer lugar e fazer carão dizendo que não vai sair. Isso complica a vida da assessoria. Não adianta a assessoria liberar mais gente do que a sala de desfile comporta. Isso é excesso de gente e garantia de confusão. E não adianta os seguranças querem espremer as pessoas num lugar micro, pois, como bem diz as leis da física: dois corpos não ocupam o mesmo espaço.

14 jun
Logo após ao desfile da Osklen, na noite de ontem, fui ao backstage tentar pegar algumas impressões do Oscar Metsavaht sobre a sua coleção. Como era de se esperar, a imprensa estava toda em cima dele. De qualquer forma, deu para fazer um vídeo legal onde ele comenta as inspirações para coleção e os tecidos utilizados. Confira!

Para ler mais sobre a apresentação, acesse o BlogView