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Tudo começou na década de 80, quando o fundador da marca, Caito Maia, passou uma temporada na praia de Venice Beach, na Califórnia. Palco das mais variadas manifestações da contracultura, com uma profusão de artistas de rua, punks, músicos, acrobatas e afins, a praia trouxe a inspiração necessária. “As pessoas viviam comprando óculos baratos para compor a personalidade que queriam assumir naquele dia. Quando voltei para cá, trouxe vários modelos e comecei a vender a meus amigos e conhecidos”, contou em uma entrevista para a Veja SP.

Imagens da última campanha da marca, pintadas pelo artista plástico inglês Steven Smith, conhecido pelos seus quadros de mulheres com óculos
Em 1996, Caito montou um pequeno estande no Mercado Mundo Mix, depois, já em 1997, uma lojinha na Galeria Ouro Fino. O primeiro quisosque foi inaugurado no Shopping Villa Lobos, em 2000. A partir daí as vendas explodiram. Tudo graças a um modelo de loja que eu adoro: em vez de óculos expostos em vitrines, balcões “self-service”, onde qualquer um pode chegar e provar. No lugar de produtos de marcas diversas, apenas uma marca própria. Em vez de duas ou três coleções por ano, dez modelos de óculos novos (com quatro cores cada!) na prateleira a cada semana. Sem contar os vendedores, a maioria um povo mais jovem e moderninho no último.

A comunicação é um caso à parte. Caito, que atuou como músico por mais de 10 anos, sempre apoiou e patrocinou festas, DJs, peças de teatro e novas bandas. Além disso, as lojas funcionam como ponto de venda de ingressos para raves e festivais de música, o que fixa a marca junto ao público jovem e atrai o cliente. Mas quer saber qual é, na minha opinião, o maior motivo do sucesso? O preço – os óculos vão de R$ 65 a 85. Tudo graças a um sistema similar ao da Nike e de outras grandes marcas mundiais, ou seja, não possuem uma fábrica ou produção direta. Com exceção da criação, tudo é feito na China. “Nunca escondi de ninguém que são fabricados lá e que no início fazíamos réplicas de modelos já existentes”, declarou Caito na mesma entrevista à Veja SP.
Imagens da última campanha da marca, pintadas pelo artista plástico inglês Steven Smith, conhecido pelos seus quadros de mulheres com óculos
São esses fatores que fizeram a Chilli “estar nas ruas”, vestindo desde motoboys a patricinhas classe média (porque as de classe alta gostam mesmo é de se jogar nos Channel e Dior da vida…rs). E o crescimento da empresa já começa a ser notado: Shaun Smith, consultor inglês especialista em inovação e experiência do consumidor, apontou a Chilli como uma das mais inovadoras marcas do varejo mundial durante o Brasilshop 2007, congresso realizado pela Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) na última semana de junho, em São Paulo. E o cara, durante a explanação, ainda salientou: “Prestem atenção na Chilli Beans: esta será uma das mais importantes marcas do mundo nos próximos quatro anos”. É o street style brasileiro conquistando o mundo.
- Este post foi originalmente publicado no BlogView

Linha de Óculos
Bom, para aproveitar o gancho, vale contar que Elkann, 29 anos, herdeiro da Fiat, criou recentemente uma linha de óculos de carbono super exclusiva, o Itália Independent. O diferencial dessa linha é que o cliente pode personalizar os óculos via internet. As opções vão desde escolher entre quatro cores de “frames” e lentes à escrever uma palavra na parte interna da armação com no máximo cinco letras.O toque final é a possibilidade de grafar um texto de até 500 palavras dentro da caixa que acompanha os óculos. Bom para dar de presente, não? Por enquanto, a marca só pode ser encontrada na web, mas já existem planos de comercializar os produtos em grandes lojas… Desde Milan’s 10 Corso a L’Eclaireur in Paris. Brasil, aparentemente, não entra tão cedo nessa lista. Ao menos que a gente dê muitos nós nas nossas fitinhas do Senhor do Bonfim…
O milionário Lapo Elkann

