Uma amiga mandou esses dias uma interessante matéria do New York Times, assinada por Guy Trebay, sobre um fenômeno ainda pouco comentado (pelo que eu sei) no meio da moda: a “magrelização” dos modelos masculinos. Ele abre o texto creditando (ou culpando) o estilista Hedi Slimane por promover, quando estava na Dior Homme, um tipo físico magricela, bem diferente do que estávamos acostumados.
“Não foi a pouco tempo atrás que a indústria estava alvoroçada com as modelos muito magras? Há menos de um ano, na Espanha, os estilistas foram obrigados a escolher seus modelos baseados no índice de massa corporal; especialistas em educação física foram alocados nos castings italianos; Diane von Furstenberg, a presidente do Council of Fashion Designers of America, e Anna Wintour, editora da Vogue, convocaram uma conferência para discutir a questão dos corpos não saudáveis e das disordens alimentares entre os modelos. Aliás, os modelos em questão eram mulheres, e tenho segurança em afirmar que tudo permanece a mesma coisa. Mas, algo aconteceu enquanto ninguém estava olhando. Alguém comprimiu os homens.”, escreveu Guy em sua reportagem.
Para ele, essa constatação era perfeitamente visível nos castings para a semana de moda de Nova York. “Nas seleções de Duckie Brown, Thom Browne, Patrik Ervell, Robert Geller e Marc by Marc Jacobs, modelos como Stas Svetlichnyy, da Rússia, tipificavam a nova norma. O peso máximo de Svetlichnyy’s, como ele revelou na semana passada, é de cerca de 65 quilos. Ele tem 1,82m e 71 cm de cintura”, conta o repórter.
O modelo russo Stas Svetlichnyy: 1,82 m, 65 quilos e 71 cm de cintura
Tem mais: ele cita o booker George Brown, da Red Model Management, que conta que quando ele recebe ligações de meninos querendo ser modelo, a primeira coisa que quer saber é o peso deles. “Quando recebo um telefonema aleatório de um garoto que diz, tenho 1,82m e estou ligando do Kansas, eu imediatamente pergunto, ‘Quanto você pesa?’ Se ele disser 85 ou 86 kg, eu sei que não posso usá-lo. Nossos modelos têm no máximo 70 kg”, diz o agente. Guy completa: “Eles têm, idealmente, pescoços longos, coxas finas, ombros estreitos e peitoral com não mais do que 85 cm de circunferência”. Magrelos, não?
Sinceramente, não consigo formular uma grande opinião à respeito do assunto. Só penso que, se para as meninas já é difícil manter a magreza, imagina para os rapazes, que naturalmente são maiores e mais fortes? Tudo bem que essa busca pela androginia acaba fazendo uma “seleção natural” dos modelos (aquele que já tem o biótipo magricela, que não precisa de nenhum esforço para atingir tais medidas, tem mais chances e pega mais trabalhos), mas o que dizer dos modelos mais fortinhos que já estão no mercado? Passam fome e emagrecem a qualquer custo?
Da esq. para a dir., modelos masculinos nos desfles de Duckie Brown, Thom Browne, Patrik Ervell, Robert Geller eMarc by Marc Jacobs
Enfim, essa reportagem me fez lembrar de um post do Luigi onde ele conta como os magrinhos, os modelos com visual frágil, fazem sucesso no Japão. Por lá, o legal mesmo é ser quase feminino. Particularmente, prefiro esse visual aos modelos robustos, com músculos torneados… Parecem mais naturais, mais humanos, sei lá. Mas, se a gente não tirava o olho do IMC das garotas, é bom começar a ficar de olho na saúde dos meninos também.