Essa foi a pergunta que alguns leitores devem ter encarado na hora de se candidatarem à vaga de repórter de moda na Folha de S.Paulo. Achei a pergunta muito abrangente pra ser respondida nas poucas 20 linhas exigidas pelo veículo. Mas gostei do desafio e posto aqui um texto que matutei com a ajuda de alguns livros e textos. Se estiverem afim, me digam o que vocês acham, se vocês concordam ou se viajei na maionese:
Só no Brasil a indústria da moda representa um faturamento estimado de US$ 47 bilhões em 2009, segundo dados da Associação Brasileira de Industria Têxtil e Confecção (Abit). Isso significa uma participação de cerca de 3,5% no PIB brasileiro. Não bastasse o papel que exerce na economia do país, o setor ainda é o 2º maior empregador da indústria de transformação, com 1,65 milhão de empregos formais, dos quais 75% são mão-de-obra feminina. Bonitos números. Porém, mais do que dados expressivos, a moda cumpre uma função que não pode ser simplesmente compreendida por meio de tabelas ecônomicas. No mundo contemporâneo, ela está no centro dos fenômenos estéticos, responsável pela expressão do homem comum. Embora a moda esteja sempre ligada ao fascínio pelo belo, o luxo, o glamour, ela se revela como uma forma de expressão de escolhas adotadas pelos indivíduos.
Reprodução
Esse foi o único tipo de imagem genérica que me ocorreu pra ilustra esse texto. Ficou muito ruim?
É essa postura adotada que gera a identificação, a diferenciação e a auto-afirmação. Ou seja, mais do que a mera funcionalidade material (cobrir o corpo), a moda é elemento de um sistema lingüístico cultural de nossos tempos. É na moda que o indivíduo age e reage socialmente, tendo, na roupa, uma espécie de armadura, como as que identificavam os antigos guerreiros aos seus reinos e protegia do perigo exterior. E num mundo em que a informação visual é propagada no ritmo acelerado da internet, a moda precisa ter essa característica de fênix que se renova, destruindo-se a cada seis meses para poder nascer mais forte e imponente. Hoje, o “novo” perde rapidamente seu poder informativo, torna-se redundante e cansativo. Quando isso acontece, a moda lança mão das estratégias incisivas, dos grandes desfiles, das campanhas e do incentivo ao consumo exacerbado. Assim, a roda dos desejos e da economia giram. Mas, a que preço? Sob esse ponto de vista, numa fase em que falamos de sustentabilidade, a moda parece estar precisando encontrar seu lugar no mundo.