
Há uns dois anos, nos idos tempos do Blogview, eu e a Biti tentamos muitas vezes combinar uma ida ao centro de São Paulo para fotografar os moradores de rua. O ensaio nunca rolou, mas até hoje eu compartilho com ela a visão de que, a despeito de todas as questões socioeconômicas, esse grupo é extremamente interessante do ponto de vista visual. Bom, eu nem sei se ainda a Biti acha isso mesmo, mas eu, pelo menos, continuo me pegando a reparar na forma como os mendigos vestem as roupas que eles conseguem juntar, como eles sobrepõem as peças e como eles são o exemplo mais triste e verdadeiro dessa estética do pauperismo (os estilistas japoneses em Paris conhecem bem esse papo).

Daí, eis que um dia desses, eu dou de cara com o trabalho de um jovem talento canadense chamado Joey L. Com apenas 20 anos, ele é atualmente um case de sucesso no meio publicitário, tendo fotos de mendigos entre uma de suas mais famosas e interessantes séries. Minha sensação é a de que ele fez o que eu adoraria ter feito e nunca teria conseguido.

No site dele, Joey fala um pouco desse trabalho: “É um enorme clichê e ridículo tentar tirar fotos de moradores de rua com pressa, como se estivesse com medo. Minhas fotos de rua são extremamente posadas e eu estou feliz com isso… Algumas pessoas que você vê nas minhas galerias eu conheço há anos; outras, de uma rápida conversa, mas eu sempre fotografo porque eu quero entender a vida dessas pessoas. Uma boa história vem sempre antes de uma boa imagem… Se você trata os moradores de rua com a mesma dignidade e respeito que você trata qualquer outro objeto que poderia fotografar, você chega longe”.

E Joey não encanta só pela fotos que faz nas ruas. O garoto que começou a se interessar por essa arte aos sete anos de idade e começou a fotografar profissionalmente aos 17 (sem nunca ter estudado pra isso!), hoje tem três diferentes agentes em três países. Entre seus clientes estão desde a Summit Entertainment (a produtora do fenômeno “Crepúsculo”), passando pela NBC, Kawasaki e Warner Brothers Records até a “Arena Magazine”. Isso sem falar no incrível trabalho fotojornalístico dele nos lugares mais remotos do mundo. Enfim, o portfólio do rapaz deixa muito macaco velho no chinelo.

Tem gente que acusa ele de ter um trabalho muito photoshopado, como vocês podem ver no site de tutoriais em que ele vende um DVD explicando todas as suas técnicas. Mas isso para mim não desmerece o valor de suas fotos, principalmente se a gente for pensar que esse cara está apenas no começo da carreira. Enfim, Joey L. me inspirou, me fez ficar hoooras olhando todas as fotos dele e me querer ir agora comprar uma máquina fotográfica decente. Se ele pode, porque eu não posso?
Aqui, você confere uma entrevista bem bacana com Joey L.