/ Categoria / história



30 mar

A simples gola da sua camisa já passou por muitas variações pra chegar no que ela é hoje… No século XVIII, época em que ninguém curtia muito tomar banho, era uma espécie de chemise usada sob as roupas. Muito utilizada na Espanha e na França, indicava a limpeza corporal – as pessoas ficavam semanas sem ver a cara da água, só trocando a tal chemise.

ReproduçãoChemise-sec-XVIII
Reprodução de uma chemise do século XVIII (reparem no rufo superdiscreto da gola)

No século seguinte, as chemises foram engomadas e plissadas até darem origem ao chamado rufo. A lógica era a mesma: o rufo protegeria o resto da roupa de, por exemplo, restos de comida. E como sempre ocorre na moda, as pessoas começaram a competir entre si para mostrar quem tinha a versão mais absurda dos tais rufos. Virou sinônimo de status social: em seu livro “A Roupa e a Moda”, o historiador James Laver, conta que quem os usava não precisava trabalhar, ou mesmo realizar qualquer tarefa que exigisse esforço. Chegando ter até 45 cm de altura, o rufo tornava o visual “empertigado e austero, impedindo de certa forma que se tivesse uma postura mais relaxada”. Hábitos simples, como comer de talheres, pentear-se ou maquiar-se, por exemplo tornavam-se tarefas extremamente complicadas.

DivulgaçãoElizabeth-I-cate-blanchett-rufo
Cate Blanchett como rainha Elizabeth I, que adorava um rufo

Com o desaparecimento dos rufos, começaram a surgir os modelos de gola mais próximos do que conhecemos hoje. Só que mesmo assim elas eram extremamente altas e rígidas. Até o início dos anos 1800, eram realmente um perigo, já que seu acabamento engomado tornava-as afiadas ao ponto de cortarem as orelhas dos homens. Mesmo em 1902, HG Wells ainda queixava-se que o tecido engomado fazia “o [pescoço] ficar bastante dolorido, deixando uma marca vermelha nas orelhas.”

Reproduçãogolas-collar-1800
Saca a altura da gola da camisa desse cara!

Embora hoje não seja muito comum ver homens com a gola das camisas levantadas, as pólos foram projetadas para serem usadas dessa forma. Em 1929, René Lacoste criou uma camisa para a prática do tênis com colarinho levantado para evitar queimaduras de Sol. Foi só quando as tais pólos começaram a sair das quadras para as ruas, que as pessoas começaram a usar as golas abaixadinhas.

Reproduçãorenee-lacoste-polo-shirt
Sr. René Lacoste e as pólos que são sucesso até hoje

Mas olha que engraçado: ultimamente, tenho visto muito rapazes cheios de estilo usando elas da maneira como foram inventadas… Questão de gosto, de atitude e de modismos. Faça sua escolha.

10 mar

De tanto navegar na internet, ler livros e pesquisar, a gente acaba encontrando umas histórias curiosas sobre roupa. Por isso, começo hoje essa seção pra dividir um pouco dessas minhas descobertas. De tempos em tempos, eu vou falar de alguma peça. E espero que eu consiga encontrar material suficiente pra fazer isso render…rs. Pra começar, o assunto será sapatos, blz?

Reproduçãosapato-século-XIII
Réplica de um sapato da segunda metade do século XIII

A cada temporada, parece que tem sempre algum estilista que se esforça pra criar o sapato mais louco da estação. É o caso do sapato-lego da Balenciaga na temporada de inverno 2007 ou do sapato Armadillo do McQueen no verão 2010. Mas quando o assunto é pirar o cabeção, nossos antepassados eram mestres. Por volta de 1300, na Europa, um dos modelos mais populares eram os calçados com bicos alongados… Eles iam alogando, alongando até o ponto de você se perguntar como é que eles não tropeçavam nos próprios pés. O pior é que, ao invés de caírem na real e acharem que estavam indo literalmente longe demais, eles começaram a ligar as pontas dos sapatos aos joelhos com cabos e correntes. Alguns modelos de bicos eram recheados com tecido e feitos na forma de pênis! É claro que a igreja na época surtou e proibiu o uso.

Reproduçãosapato-século-XIV-chopine
Original e uma réplica de sapatos italianos do século XVI

Depois, por volta de 1500, os sapatos deixaram de ser longos para serem altos… muito altos. Começou com uma coisinha básica de 15cm e foi chegando, principalmente na Itália do século XVI, a 20cm ou mais – dá um Google no termo “Chopines”, que era o nome dado a essas plataformas enormes, que você cairá pra trás. A lógica da época é que esses super saltos evitavam que a barra dos vestidos se arrastassem pelas ruas imundas (é, limpeza não era o forte desse povo). Dizem que em alguns lugares da Europa o absurdo era tanto que as plataformas chegavam a medir de 60 a 90cm. Quase uma perna de pau! Bom, nessa altura eu só imagino quer era impossível andar sem alguém pra se escorar, o que sem dúvida era privilégio das moças que tinham empregados e, por conseqüência, eram bem ricas.

Agora, da próxima vez que você reclamar que seu sapato está te matando, lembra desse povo, relaxa e não desce do salto!

Página 2 de 2«12