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8 set

Há milênios as mulheres procuravam uma matéria-prima para confeccionar algo que desafiasse a lei da gravidade e sustentasse os seios. Referências revelam que em 2000 a.C., na Ilha de Creta, elas usavam tiras de pano para modelá-los. Mais tarde, as gregas passaram a enrolá-los para que não balançassem. Já as romanas adotaram uma faixa para diminuí-los… Mas nada muito doloroso. O purgatório femino começou mesmo no século XVI, quando um espertinho inventou de criar os espartilhos, cujo nome vem do esparto, uma uma gramínea utilizada na fabricação de cestos. Eram rígidos, apertados, sufocantes. Eram feitos também com barbatana de baleia e, por meio de cordões bem amarrados, eles apertavam os seios a tal ponto que muitas mulheres desmaiavam.

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Mammy, aperta o espartilho da Scarlett até ela não ter mais ar!

Essa ditadura acabou graças a uma dobradinha França-Estados Unidos na primeira década do século XX. De um lado, Paul Poiret, que tomado por uma estética oriental, começou a criar vestidos fluidos, soltos, onde o espartilho não cabia. Do outro lado, estava a socialite nova-iorquina Mary Phelps Jacob e seu vestido novo de festa. Com o espartilho, a roupa que ela queria usar não caia bem de forma alguma. Bem irritada, ela chamou a empregada e juntas confeccionaram uma espécie de porta-seios tendo como material dois lenços, uma fita cor-de-rosa e um cordão. Linda, leve e solta, caiu na balada, deixando as amigas com inveja. Como não devia estar afim de olho gordo de ninguém pra cima dela, resolveu começar a produzir algumas peças para as mais chegadas. No ano seguinte, em 1914, resolveu patentear a criação.

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Cópia da patente so primeiro sutiã, criado por Mary Phelps Jacob

E olha como tudo é uma questão de timing: sete anos antes, em 1907, a Vogue francesa já alcunhava a palvra “soutien”. Quer mais? Logo na época que Mary patenteou sua criação, a Primeira Guerra Mundial tava estourando. As mulheres precisavam de roupas práticas para trabalhar e não podiam ficar presas a seus espartilhos. Você pensa: essa mulher ficou rica! Riiiiica! Mas não ficou. A tonta achou que o sutiã não ia dar em nada e acabou vendendo a patente para a Warner Bros por míseros 1550 dólares. Nos 30 anos seguintes, a empresa iria faturar 15 milhões de dólares com esta peça de roupa. E Mary iria morrer de despeito. O resto é história: na década de 20, os sutiãs achataram o busto (culpa da Chanel e seu estilo “garçonne”!).

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Madonna e Lady Gaga: épocas diferentes, stylings semelhantes

Nos anos 30, a silhueta feminina voltou a ser valorizada. Surgem os bojos de enchimento e as estruturas de metal para aumentar os seios. Nos 50, com o advento do nylon, as peças ficam mais sedutoras e conquistam as estrelas de Hollywood. Nos 60, as feministas queimam em praça pública a peça que consideravam símbolo da opressão masculina. Nos 70, a mulherada esquece que ele existe e vai curtir a liberação sexual. Nos anos 80, Madonna deixa todo mundo passado com os sutiãs pontudos de Jean Paul Gaultier. E, nos dias de hoje, só se fala em sutiã como “roupa de mostrar”. Filosofia seguida à risca por Lady Gaga, que precisa só dele e de uma calcinha pra fazer um show. Pelo menos ela ainda usa isso.

20 ago

Embora não seja um artigo de vestuário propriamente dito, a maioria dos homens deve concordar que a braguilha é bem essencial. Mas, como elas surgiram? Originalmente, os homens usavam túnicas, muito semelhante às que as mulheres usavam. Eventualmente, calças muito justas entraram na moda para os rapazes. No entanto, elas geralmente tinham uma fenda entre as pernas. Por isso, a fim de preservar sua modéstia, os homens passaram a usar uma espécie de saqueira. Só que esse pedaço de tecido preso por cordas não servia qualquer propósito além de cobrir determinada parte do corpo. E, para dar uma finalidade ao acessório, os homens começaram a usá-los como bolsos. Precisa de um lugar pra guardar aquele tabaco fresquinho que você comprou? Saqueira. Quer esconder uma coxa de peru daquele banquete que você foi? Saqueira.

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Reprodução de braguilhas do século 16

Só que com o tempo, a coisa foi se tornando maior e cada vez mais bizarra. Nos anos 1540, atingiu seu auge em tamanho e ornamentação, antes de cair em desuso por volta de 1590. Nas armaduras do século 16, a braguilha blindada era um complemento importante para os trajes de guerra. E algumas delas, inclusive, estão em exibição em museus hoje, como no “Metropolitan Museum of Art”, em Nova York, e na “Tower of London”. Bom, se a braguilha surgiu para preservar a modéstia de um homem, ela acabou ficando tão sutil quanto um sinal neon piscando e apontando para “as vergonhas” do cavalheiro… Um puta exemplo da sociedade falocêntrica daquela época, não acham? Aliás, fui à uma peça de Shakespeare no Globe Theater, aqui em Londres, e reparei que no figurino do rei, a braguilha era sempre maior do que qualquer outro personagem. Por que será, não?

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Ô, coisa mais esquisita
 

No Google, vi quadros de braguilhas super ornamentadas com jóias ou no exato formato daquilo que elas deveriam estar escondendo. Engraçadíssimo! Porém, graças a Deus, o desenvolvimento da moda e o surgimento dos bolsos, tornaram as calças com fendas e as braguilhas com cara de saqueiras obsoletas. As calças do séculos 19 e 20 ainda traziam uma espécie de aba de tecido que era abotoada de ambos os lados… Aliás, foram os botões os primeiros aviamentos usados para fechar a braguilha das calças jeans. O zíper é uma adição relativamente nova nessa história toda, mas também a mais popular e prática criação já inventada. Ainda bem.

21 jul

A história das cuecas é bem basiquinha, sabe? No começo, os homens usavam umas tanguinhas feitas com uns panos amarrados, depois mudaram pra uma coisa mais confortável bem similar às cuecas boxer que temos hoje. Daí, deram um passo pra trás e começaram a usar uns macacões bem justinhos… Pra esquentar. Tudo isso pra depois voltar pras boxers. Chaaaato!

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Olha as tangas que os homens usavam no Egito

Agora, a história da roupa de baixo feminina é tão mais divertida. Veja só: por muito tempo, as mulheres não usavam nada por baixo dos vestidos (isso faz você olhar os quadros das rainhas do século XVIII de forma diferente, hein?). Só que começaram a achar que isso era um pouco perigoso pra, digamos, a moralidade feminina. Segundo o livro “Por baixo do pano – a história da calcinha”, da autora inglesa Rosemary Hawthorne (Matrix Editora), a calcinha apareceu pela primeira vez em 1800, quando a revolução havia mudado a França e, por consequência, toda a Europa. Na época, as mulheres passaram a usar elegantes vestidos de cintura alta, inspirados na vestimenta das gregas antigas. Mas esses “vestidos império”, super sensuais, deixavam as partes baixas arejadas demais. Surgia então o primeiro modelo de calcinha, chamado de calção ou “pantaloon’, que chegava abaixo dos joelhos ou até os tornozelos e era feito de um tecido “cor de carne” semelhante ao das meias-finas. Daí o nome calcinha, sacou?

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No começo, as calcinhas não eram nada sexy

As guerras vieram, os hábitos mudaram, as saias subiram e as calcinhas foram virando vestidos levinhos e curtinhos. Com a evolução da indústria têxtil e o surgimento de fibras elásticas, elas foram perdendo os botões, as costuras e foram ficando cada vez mais justas. Quando chegou a época de ouro do cinema, virou festa: as calcinhas começaram a aparecer sem pudor, o que contribui pra criação da imagem sensual que ela tem hoje. E cada vez que elas iam ficando menores, mais sucesso elas faziam: a calcinha virou biquíni, que virou tanga, que virou fio dental… E tem mulher por aí que até resolveu aboli-la de vez. Mais uma prova de que a moda definitivamente é feita de ciclos. Hoje, calcinha não é só calcinha. É lingerie. E não é mais apenas um pedaço de pano pra cobrir as vergonhas… É peça fundamental do guarda roupa feminino e, como os homens bem sabem, uma perigosa arma de sedução. Pedacinho de pano poderoso esse, hein?

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Você realmente achou que eu ia posta a foto de uma bunda com fio dental? Esse blog é de respeito!

Nesse divertido vídeo do site Porta Curtas, da Petrobras, você vê a evolução da calcinha num vídeo animado e bem divertido. Pode assistir no escritório porque ele é família, tá?

7 mai

A curiosa história das gravatas (ou algo que mais ou menos se assemelhava a elas), pode ser remontada a partir de um grupo de mercenários croatas que viviam na corte francesa de Luís XIV. Os soldados usavam gravatas e iniciaram uma moda que deveria ser passageira: tratavam-se apenas de coloridos lenços de seda amarrados no pescoço e serviam absolutamente para nada (como até hoje, se você parar pra pensar). Mas o lance é que o estilo pegou em Versalhes. E o que as pessoas estavam usando em Versalhes era muito importante pro resto da Europa.

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Leonardo di Caprio fez Luís XIV no cinema. Olha a gravatinha dele!

Logo, os homens estavam cortando a circulação de suas cabeças com seus próprios lenços em todo o continente. Esses lenços foram então chamados de gravatas, palavra derivada do termo francês para “croata”. No início de 1800, quando os homens corriam o risco de perderem as orelhas por conta de golas altíssimas e rígidas, as gravatas também eram um sucesso e estrangulavam os homens com amarrações cada vez mais complexas. Embora o conhecimento de um ou dois nós sejam suficientes para o usuário moderno da peça (alguns livros dizem que existem mais de 80 tipos de nós conhecidos!), a gravata deu origem a uma verdadeira arte da amarração. Era um esforço tão longo e complexo que amarrar uma gravata podia envolver vários criados. Tanto que, por muito tempo, bagunçar a gravata de um outro homem era uma grave ofensa, respondida com um duelo. Tipo, “não toca na minha gravata se não o bicho come!”, manja?

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Estátua de cera de Beau Brumell no museu Ventura. O cara levava 5h pra fazer um nó de gravata!

Uma vez, o Lula Rodrigues, um dos grandes especialistas em moda masculina que temos no país hoje, me contou que o maior representante do dandismo, o Beau Brummel, usava gravatas com nós tãaao complexos que levavam até cinco horas para ficarem prontos. E sabe o que é mais bizarro? As pessoas consideravam uma honra poderem ficar sentadinhas durante todo esse tempo vendo o cara fazer esse trabalho. Depois de saber disso, só pensava numa coisa: isto é o que acontece quando você não tem televisão.

12 abr

Eu amo de paixão os livros da Taschen. Os de moda são sempre lindos, enormes, super bem feitos e… caros! Muuuuito caros. É raro encontrar um título barato dessa editora. Tão raro que, quando eu encontro um com preço não tão salgado, dá até vontade de fazer um post. “Vintage T-Shirts” traz 392 páginas sobre a história e importância da mais básica das peças. Por US$ 39,90 (R$ 70), dá pra levar pra casa 650 fotos das camisetas emblemáticas da cultura pop, permeadas por bons textos sobre a história delas.

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Algumas camisetas clássicas que estão no livro

Usada até os anos 50 apenas como uma “roupa de baixo” principalmente pelos soldados americanos, as camisetas se tornaram meio de expressão e individualismo na década de 70: os gostos musicais, as opiniões políticas, o programa de TV ou filme favorito, o último destino de suas férias… Tudo está estampado nelas. As camisetas foram selecionadas da coleção de Patrick and Marc Guetta, proprietários da “World of Vintage T-Shirts”, famosa loja da Avenida Melrose, em Los Angeles, por ser a fonte de camisetas vintage para produtores de moda, estilistas, celebridades e turistas em Hollywood.

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Página dupla dedicada às camisetas em homenagem à M. Jackson

Ah, um detalhe superinteressante: no site da Taschen, quando você clica num livro, repare que na nova janela que se abre há um botãozinho escrito “Leaf Through!”. Nele, dá para folhear algumas páginas da obra. Ideia bem legal para dar a sensação, pelo menos um pouquinho, de que você está numa livraria.

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