/ Categoria / hip hop



15 set

Talvez vocês não saibam, mas o Brasil é considerado o terceiro maior mercado de streetwear no mundo… E é nesse cenário que acaba de aterrissar duas marcas gringas bacanérrimas: a G-Unit, grife do rapper 50 Cent, e a Zoo York, que também segue a linha street ligada ao hip-hop, skate e grafite. Lá fora, elas são representadas pelo grupo Marc Ecko e aqui pela The Brand´s Company. As peças serão vendidas em lojas multimarcas. Boa notícia, não? Pra vocês conhecerem as marcas um pouco mais, o Descolex traz um pequeno histórico:

Zoo York

Divulgação
Zoo-York-streetwear

O xadrez da Zoo York é bem legal, né?

Fundada pelos skatistas americanos Rodney Smith, Eli Morgan Gessner e Adam Schatz em 1993, a Zoo York foi umas das primeiras marcas a difundir o skate, o hip-hop, o punk e o grafite como estilo de vida. Com criações casuais inspiradas na arte urbana e na atitude de seus seguidores, a grife conta com uma extensa linha de produtos que inclui 180 itens entre roupas e acessórios. Para a primeira coleção para o Brasil, aposta na mistura de estilos, no design das artes e na estamparia. Tatuagens, grafites, ícones de NY, além de alusões ao skate, surf e BMX fazem parte também do universo criativo. No Brasil, a Zoo York tem planos de desenvolver ações com artistas urbanos, atletas, bandas e DJs nacionais, assim como faz em outros lugares do mundo através do projeto Zoo Crew.

G-Unit

Divulgação
G-unit-50-cent
 
A campanha da G-Unit foi fotografada pelo brasileiro J.R Duran

Criada em 2003 pelo rapper 50 Cent, a marca agrega a cultura e a música black ao movimento pop, criando um conceito repleto de referências urbanas. Para o seu lançamento no país, a grife preparou uma coleção especial com 200 itens divididos entre roupas e acessórios femininos e masculinos. O trabalho de estamparia com aplicações, a linha de bonés com bordados e tags, as bermudas de nylon e as regatas inspiradas nos uniformes vintage de times de basquete são o destaque da coleção masculina. Presente em mais de 20 países e 500 pontos de venda, a marca visa consumidores de 16 a 26 anos e pretende movimentar o mercado através da fabricação nacional inteiramente baseada nas coleções americanas. A proposta de fazer as roupas aqui é criar produtos adaptados ao gosto e a necessidade do mercado brasileiro, qualidade e custo beneficio. Mandou bem.

Zoo York e G-Unit

SAC: 3151-2553

28 nov

O mercado de luxo está nem aí pra esse papo de crise econômica, hein? Li hoje que o aguardado leilão “As jóias da coroa do Hip Hop” não rolou no dia 1º de outubro, como era previsto. A Phillips de Pury, que estava organizando o primeiro pregão da história com jóias que represetam as duas últimas décadas do hip hop, teve que adiar tudo pra março de 2009. O motivo? “Precisamos acomodar a enorme demanda de interessados em consignar e também em comprar as peças”, explicou Simon de Pury, presidente da casa de leilões. “As jóias da coroa do Hip Hop” reunirá cerca de 70 lotes de nomes como 50 Cent, Missy Elliot, Pharrell Williams, Ja Rule, Rihanna, Jay Z e Kanye West, num valor total estimado em US$ 3 milhões.

Lil Jon e seu colarzinho de US$ 250 mil

Entre as peças mais aguardadas está um colar com um “discreto” pingente de 18cm de altura por 15,5cm de largura, feito com diamantes e ouro. A jóia traz os dizeres “Crunk Ain’t Dead” e figura no livro dos recordes como o maior pingente em diamante do mundo. Avaliado em US$ 250 mil, este mimo pertence ao rapper Lil Jon. Isso sim que é bling bling, hein? Confira mais algumas belezinhas do leilão:

Da esq. para dir.: pingente de fone de ouvido feito em diamantes e ouro branco, de Biz Markie (US$ 12 mil); anel de toca-discos feito em diamantes e ouro amarelo, de Missy Elliot (US$ 8,5 mil); colar Gucci feito em diamantes multicoloridos e ouro branco, de Pharrell Williams (US$ 250 mil)

8 abr

Pimp yourself

TOPICOS: MTV , Pimp , hip hop

Navegando na net, encontrei a loja perfeita para quem curte streetstyle e tem uma festa à fantasia marcada para as próximas semanas: a Pimp Costumes. O site, que entrega seus produtos no mundo inteiro, tem de tudo. Desde uma “jaqueta” para os dentes (para parecer que eles são de ouro), passando por roupas, chapéus, bijuterias, até taças e bengalas. Tudo no melhor estilo cafetão de clipe norte-americano. Mais: eles têm um guia que ensina qualquer um a se tornar um pimp, além de uma lista de expressões típicas dessa galera e piadinhas para fazer com os amigos… Tosco, tosco, tosco! Tão tosco, que chega a ser divertido.

pimp.jpg

Nesse outro site, dá pra descobrir qual é o seu “pimp name”. Você coloca seu nome e sobrenome, que o site gera seu apelido. Eu, de Glauco Sabino, virei Vicious D. Glauco Slither, por exemplo. Yo!

Só pra contextualizar…

Não se sabe ao certo a origem da palavra “pimp”. Segundo a Wikepedia, o termo apareceu por volta de 1600 em países de língua inglesa para designar os caras que agenciavam garotas de programa (em bom português, cafetão). No século 18 e 19, pimps eram os delatores ou informantes da polícia. Já na década de 80, com o surgimento da MTV nos EUA, os pimps ficaram famosos graças ao enorme espaço que o canal abriu para os grupos e cantores de hip-hop. Esses, tinham como principal característica do figurino o bling-bling, aquelas jóias enormes e cheias de diamantes que são o item básico de qualquer pimp que se preze.

pimp2.jpg

Alguns acessórios bling-bling vendidos no site. A palavra é uma onomatopéia do brilho das jóias.

Hoje, esse substantivo virou quase um verbo. Existe até um programa na MTV chamado “Pimp My Ride”, que, em tradução livre, seria “Cafetine meu Carro”. Mas, dá para dizer “pimp my clothes”, “pimp my mobile”, “pimp my house”… Ou seja, deixe minhas roupas, meu celular ou minha casa luxuosos e bem exibicionistas. Deu pra sacar o espírito, né? Agora, se você quer saber o que as siglas de pimp significam, faça suas apostas. Não encontrei uma pessoa, um site sequer que desse uma definição com 100% de certeza. Pode ser “Pride Intelligence Money Power”, “Player In Management Position”, “Paper In My Pocket”… Você escolhe.

E pra terminar esse post tão lindo e esclarecedor, fiquem com um dos maiores pimps do mundo, 50 Cent, com seu famoso clipe P.I.M.P:

[youtube V4aXM-T_NFA&hl=pt-br 500 418]

2 ago
Começa nessa sexta-feira a Segunda Mostra de Filmes Hip Hop de São Paulo, no Cinesesc. Serão treze títulos nacionais e estrangeiros, distribuídos em 21 sessões… Tudo de graça. Mesmo para quem não curte muito o gênero, é um oportunidade bacana de conhecer e entender um pouco mais essa cultura que tanto influenciou (e influência!) o streetstyle mundo afora. Um exemplo? O documentário Just for Kicks (De Thibaut De Longeville e Lisa Leone), que investiga a obsessão que a cultura hip hop tem, desde sempre, com tênis. Durante 80 minutos, artistas de rap, atletas, empresários e colecionadores filosofam sobre as razões por trás do fenômeno que fez o calçado se tornar um dos acessórios mais usados no mundo todo. De quebra, dá ainda pra babar nas gigantescas coleções de Nikes, Adidas e Pumas dos caras que aparecem no filme.

Aliás, eu acho que essas são marcas têm muito a agradecer ao Hip Hop. Por serem mais confortáveis na hora de dançar e por terem um preço mais acessível, as calças largas e os itens esportivos viraram quase um uniforme dessa galera. A Nike tanto sabe disso que adotou uma prática que eles definem como “bro-ing”: no começo, uma equipe de marketing ia até as quadras de basquete da periferia para perguntar algo como “e aí, bro, o que você acha desse tênis, dessa calça, dessa camiseta?”. Enfim, pesquisa de opinião. A coisa funcionava tanto que, hoje, a empresa cria e apoia centros de recreação pra periferia, promovendo campeonatos e, é claro, testando seus produtos.

Roupas largas e confortáveis na hora de dançar e jogas basquete

Outro caso interessante é o da Adidas. Reza a lenda que uma vez Russell Simmons, presidente da gravadora Def Jam, procurou executivos da Adidas em busca de patrocínio para o lendário grupo Run DMC, que além de vestir a marca dos pés à cabeça, ainda gravaram o hit “My Adidas”. Os caras da empresa não deram a mínima. Foi aí, então, que Simmons convidou os executivos à assistirem a um show do grupo… Num determinado momento, quando eles cantavam a tal música, um dos integrantes gritou “Ok, todos balançando seu Adidas agora”. Não demorou cinco minutos: enquanto 3 mil pares de tênis balançavam no ar, os executivos sacaram o talão de cheques e começaram uma parceria que levaria a marca ao sucesso.

O look “Adidas da cabeças aos pés” do Run DMC…

… e o tênis comemorativo de 35 anos do modelo Run DMC Superstar
E não são só as grifes esportivas que se utilizam do hip hop pra turbinar as vendas, não. Em 2004, Steve Stoute, ex-produtor de artistas do gênero e consultor de empresas interessadas em se comunicar com um público mais novo, emplacou um sucesso trabalhando para Tommy Hilfiger. O desafio era revitalizar a linha de perfumes da marca. Por sugestão de Stoute, a grife contratou a cantora Beyoncé Knowles como garota-propaganda de uma nova fragrância, a True Star. O estardalhaço feito na campanha contribuiu para fazer do produto o mais bem-sucedido da empresa nessa linha nos últimos dez anos.


Camapanha da Tommy Hilfiger para o perfume True Star, com Beyoncé

Enfim, tudo isso me pensar o quanto os senhores Adorno e Horkheimer estavam certos: a indústria cultural engole e massifica tudo. Vou explicar. Quando surgiu no final da década de 60 e explodiu em meados dos anos 80, o Hip Hop tinha o mesmo caráter de rebeldia e protesto dos primeiros tempos do punk (lembra do meu post semana passada?) e do rock’n'roll. Mas, a exemplo do que ocorreu no passado, rapidamente o estilo musical foi absorvido pela indústria de consumo, transformando-se em uma máquina de fazer dinheiro. E não é só com a venda de discos e ingressos para shows, viu? Uma matéria da revista Exame diz que, de acordo com a consultoria NDP Group, “somente o mercado de vendas de roupas inspiradas no figurino dos astros do momento da música negra movimentou 2,6 bilhões de dólares no ano passado nos Estados Unidos”. É por essas e por outras, que eu termino o post cantando junto com o Public Enemy: “Don’t Belive the Hype”…rs

Pós-post


- Pensei em escrever esse texto no mesmo estilo da semana passada: com um breve histórico do movimento. Pesquisando o material, vi que isso seria impossível. O Hip Hop tem quatro elementos básicos (break dance, grafite, DJ e MC) que demoraraim uma vida para serem explicados, sem contar o monte de subgêneros e vertentes. Espero que tenham gostado do jeito que eu fiz.

- Para quem quiser se aprofundar no tema, tem um livro chamado “Can’t Stop, Won’t Stop – A History of the Hip Hop Generation” (não pode parar, não vai parar – uma história da geração hip hop) que parece ser muito bom. Escrito por Jeff Chang e lançado em 2005, recebeu críticas calorosas da revista New Yorker e do badalado site de música Pitchfork.

- Se você acha o máximo aquela batalhas de MCs, vá ao Studio SP no dia 17 de outubro. Lá irá rolar as eliminatórias da Liga dos MCs 2007, que pretende eleger o melhor MC do Brasil.

- A Wikipedia tem um resumão interessante do movimento Hip Hop

- Esse post foi originalemnte publicado no BlogView

1 ago
Começa essa sexta-feira, dia 3, a Segunda Mostra de Filmes Hip Hop, no Cinesesc. Com entrada gratuita, o evento trará um panorama da cena com documentários, longas de ficção e curtas brasileiros e estrangeiros. Serão 13 títulos, distribuídos em 21 sessões. Ótima oportunidade de conferir “Just for Kicks”, dos diretores Thibaut de Longeville e Lisa Leone. Rodado em 2005, o filme conta a história do surgimento do fenômeno sneaker (a galera que gosta de colecionar tênis) e traça um panorama desse mercado, que chega a movimentar por ano cerca de US$ 26 bilhões em todo mundo. Confira um trechinho aí em cima.

- Esse post foi originalmente publicado no FilmeFashion