Reprodução
Da esq. pra dir.: Andy Warhol (1978), Robert Mapplethorpe (1974), Helmut Newton (1975)
Essa é uma dica de presentão pro Natal (oi, mãe, tá me lendo?): a Polaroid lançou recentemente um livro que reúne os cliques instantâneos de grandes artistas como Andy Warhol, Robert Mapplethorpe, e Helmut Newton – o “From Polaroid to Impossible”. Objeto de desejo, não? Porém, mais interessante que a obra, é a história por trás dela. Fundada em 1937, a Polaroid faliu em 2008… Culpa dessa era digital (calma! Os filmes pra máquina ainda são produzidos). Mas o fundador da empresa Edwin Land, muito esperto e ligado no futuro, convidou, lá na década de 60, cerca de 800 artistas para fotografarem o que bem entendessem. Foram mais de 4.500 trabalhos enviados, catalogados e arquivados no QG da empresa em Frankfurt, na Alemanha. Agora, muito oportunamente, esse arquivo virou um liro. E olha que ele não tá muito caro, não. Coisa de 39 euros ou R$ 95. Alguém quer me dar?
É sensacional a série “Back to the Future” da fotógrafa argentina Irina Werning. Ela convida pessoas a reproduzirem com todos os detalhes fotos antigas delas mesmas: o mesmo cenário, a mesma luz, a mesma roupa, a mesa pose, a mesma expressão… Só que 10, 15, 20 anos depois! A atenção aos detalhes é impressionante. Olha esse vídeo:
“Eu amo fotos antigas. Admito ser uma fotógrafa curiosa. Assim que eu entro na casa de outra pessoa, eu começo a procurar por elas. A maioria de nós é fascinada pelo visual retrô dessas imagens. Mas para mim, o fascinio está em imaginar como as pessoas iriam se sentir e agir se fossem para reencená-las hoje… Há alguns meses eu decidi realmente fazer isso. Então, com minha câmera, eu comecei a convidar as pessoas para voltar para o seu futuro”, diz Irina em seu site, onde reúne grande parte desse lindo trabalho. Reuni algumas aqui:
Reprodução
Ato em 1992 e 2010, Buenos Aires
Reprodução Lulu e G. em 1980 e 2010, Buenos Aires
Reprodução Cecile em 1987 e 2010, França
Deu vontade de reproduzir umas fotos antigas minhas só pra ver como fica! Agradecimentos ao Márcio Goulart, amigão e leitor assíduo do blog, que deu essa dica.
Autoretrato de Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin
Não é exatamente Ashton Kutcher e Demi Moore que vão causar frisson entre os fashionistas nesta temporada. Aliás, parece que a atriz nem deve dar as caras no SPFW que começa hoje trazendo os lançamentos de 36 marcas para a primavera-verão 2011/12. Quem deve parar tudo mesmo é o casal 20 da moda Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin. Mais do que o amor, a dupla divide uma carreira de mais de 25 anos na fotografia.
Lady Gaga para a revista “V” #71
O currículo deles é extenso: além das versões francesa, britânica, japonesa e americana da Vogue, assinaram editoriais para a V Magazine, W Magazine, Harper’s Bazaar, GQ, Purple Fashion, Visionaire, VMAN, Arena Homme Plus e outras.
Raquel Zimmermann, uma das modelos favoritas do casal para a revista “Purple” #14
E é um pouco desse trabalho que estará exposto no prédio da Bienal em cerca de 300 imagens da expo “Pretty Much Everything”, a mesma que eles apresentaram em 2010 na Foam – Fotofrafie Museum Amsterdam, na cidade natal dos dois. O bacana é que a mostra estará aberta à visitação do público depois que a temporada acabar. Nesse vídeo, eles falam um pouco da expo:
Em seus trabalhos, Inez e Vinoodh transitam pela moda e arte, sempre tendo a manipulação digital como parte importante de sua obra. Juntos, exploram questões como gênero, sexualidade, realidade, superficialidade e identidade… Papo cabeça.
Anastasia, de 1994
Vinoodh nasceu em 1961, trabalhou como modelo antes de entrar na Academia de Moda de Amsterdã em 1981 e lançou uma grife. Depois, começou a trabalhar como stylist. Foi exercendo este oficio que conheceu Inez na década de 80. Ela, que nasceu em 63, estudou na Rietveld Academia de Artes. Enquanto ainda era estudante, começou a trabalhar com seu futuro marido.
Editorial para a revista Vogue Paris de agosto de 2009
A dupla tentou se estabelecer como fotógrafos de moda nos EUA em 1993, mas o estilo do trabalho deles não parecia estar em sincronia com o que estava sendo comercialmente feito. “Foi quando o grunge atingiu o mundo da moda. A nossa fotografia era exatamente o oposto disso: muito colorida, muito glamurosa, com uma sensação dos anos 70. Todos aqui (nos EUA) diziam apenas ‘esqueçam disso’.”, contou Inez à revista “Creative Review”.
Gisele para a revista GQ, de junho de 2008
O sucesso chegou pouco tempo depois, na Europa, uma audiência mais receptiva. Tratava-se de um editorial para a revista inglesa “The Face”, com modelos numa pegada anos 1970, colocadas em fundos dramáticos. A notoriedade trazida pelas imagens pegou-os desprevenidos. “Quando a ‘The Face’ saiu não estávamos prontos para nada… Foi super emocionante, mas realmente não esperávamos aquela atenção toda e estávamos relutantes em ganhar dinheiro com isso”, contou Inez na mesma revista.
Sophia Loren aos 72 anos para o calendário Pirelli de 2007
Hoje, especula-se que a dupla não dá um misero clique por menos de 35 mil dólares. Entre seus clientes famosos, estão Viktor & Rolf, Yves Saint Laurent, Balenciaga, Chloé, Stella McCartney, Valentino, Gucci, Givenchy, Calvin Klein, Roberto Cavalli, Yohji Yamamoto, Jean-Paul Gaultier, Narciso Rodriguez, Dior Homme, Pucci, Emanuel Ungaro, Lancôme, Balmain, Isabel Marant, Moschino, Jimmy Choo, Herve Leger e Nina Ricci.
Auto-retrato para a campanha masculina de verão 2010 da Lanvin. A pose é a mesma da foto “Me Kissing Vinoodh” (Passionately), que os dois fizeram em 1999
“Algumas pessoas pensam que estamos preocupados com glamour. É uma palavra vazia. Estávamos sempre interessados em celebrar e subverter ao mesmo tempo, tanto nas artes como na moda. Nosso trabalho é sobre constantemente mostrar os lados opostos de uma imagem, tornar as pessoas conscientes das diferentes realidades que estão acontecendo ao mesmo tempo.”, conclui Inez.
Que tal ganhar uma câmera Lomo e um workshop de fotografia com um profissional? É assim que o concurso cultural “God Save the Click” vai premiar os dois autores das fotos mais criativas sobre a cultura britânica. Com essa história que não acaba de casamento real, até que vai ser fácil, vai! O vencedor também terá acesso aos bastidores do festival “Música no Parque”, que conta com uma programação de oito bandas em show gratuito no Parque da Independência. Os participantes devem se inscrever nesse site até o dia 17 de maio e depois criar um álbum em sua página do Facebook chamado “God Save the Click – 15º Cultura Inglesa Festival”, incluindo a foto. Valem imagens de celular, câmeras digitais ou analógicas: o importante é soltar a criatividade e postar a imagem.
Divulgação 15º Cultura Inglesa Festival
Cada inscrito pode participar com apenas uma foto ou foto-colagem. O resultado sai dia 25 de maio. Com mais de 60 atrações, o 15º Cultura Inglesa Festival acontece de 27 de maio a 12 de junho em diversos pontos de São Paulo. A principal novidade é a presença de artistas britânicos como a banda Gang of Four, que encerra o “Música no Parque”. Mas a “Música na Noite” também integra o circuito, trazendo o produtor musical Alan MacGee e Glen Matlock, ex-baixista do Sex Pistols, para discotecar em casas noturnas do Baixo Augusta. Há ainda uma mostra de cinema, com retrospectiva Monty Python e curtas antecedendo essas exibições. Para completar, na estação de metrô Paraíso, rola uma exposição multimídia de ficção científica britânica… Aqui tem a programação completa. Enjoy, mate!
A Billabong acaba de apresentar a nova fase da coleção que traz imagens de artistas contemporâneos muito bacanas estampando camisetas recicladas feitas com fibra de garrafa PET. A “Gallerie Series by Felipe Morozini” conta com seis modelos de t-shirts (cinco masculinas e uma feminina) estampadas com imagens do fotógrafo e multiartista brasileiro. Cada camiseta representa uma visão poética e colorida da cidade de São Paulo.
Divulgação
Camisetas da “Gallerie Series by Felipe Morozini”
Felipe é mesmo um artista versátil. O cara vai de fotografia a decoração e despontou nos últimos anos como um dos nomes mais promissores de sua geração. Um de seus trabalhos mais notáveis foi o “Jardim Suspenso da Babilônia” (2009), na região do Minhocão, em SP: ele pintou flores no Elevado Costa e Silva para tornar a visão dos que vivem acima dele mais agradável.
Reprodução
Flores no Minhocão: o “Jardim Suspenso da Babilônia” de Felipe Morozini
É nesse ponto icônico de SP, que por acaso é onde ele mora, que Felipe realiza outro trabalho bem bacana: em “Um Lugar ao Sol” registra o cotidiano das janelas, varandas e sacadas de milhares de moradores. “O que me interessava era sempre imaginar quem são essas pessoas. Quem é a mulher que chora na varanda. Quem é o homem que malha na sacada. E discutir a diferença de uma imagem pública e privada”, comenta ele numa boa entrevista ao site FFW.
Reprodução
Imagem da série “Um Lugar ao Sol”, com retratos no Minhocão, em SP
Outro trabalho do cara que eu gosto bastante é seu blog “Feio na Foto”. O endereço está sem atualizações faz um tempo, mesmo assim vale dar uma conferida. Ele publica todos os cliques que deram errado. Dá pra ver amigo sacaneando algum bêbado, pessoas em situações constrangedoras e principalmente caretas involuntárias que garantem boas risadas.
Reprodução
O próprio Felipe Morozini “feio na foto” ao lado do querido fotógrafo Marcelo Elídio
“Em tempos de maxi-exposição, impossível sair bonito em todas as fotos. Tenham humor, por favor. Atitudes e comportamentos feios. Atualidades e bizarrices do mundo contemporâneo. O feio na foto apoia a naturalidade, a originalidade e a felicidade”, diz a descrição do blog. Eu adoro a proposta e compartilho. Vamô ser feliz!