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2 mai

Muita gente gostou da entrevista que fiz no mês passado com a Tais Mol. Por isso, inspirado pelos e-mails queridíssimos que recebi, resolvi dar continuidade à idéia. Dessa vez, a entrevistada é Denise Dahdah, editora de moda da revista Quem. Conheci a Denise na minha curta (porém, muito gratificante!) passagem pela editora Globo. Além de excelente interlocutora (ela era a única que, como eu, vibrava com um editorial incrível…rs), a Denise entende muuuito do que faz. Mesmo em uma revista nada conceitual, vem conseguido desenvolver trabalhos muito criativos e, sobretudo, bonitos.  Seu olhar para a moda é apurado, divertido e super aberto às novidades. Nesta entrevista, ela conta sobre sua trajetória, fala sobre seu trabalho na Quem, dá dicas de como “chegar lá” e ainda elege suas celebridades favoritas no quesito estilo.

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Denise Dahdah (foto tirada do Fora de Moda)

Confira a entrevista:

Descolex: Como despertou o seu interesse pela moda?
Denise Dahdah:
Veio de família. Minha avó fazia roupinhas pra minha Barbie, do jeito que eu pedia. Um dos meus programas favoritos era ir ver vitrine com a minha mãe no final de semana, ficar assistindo ela experimentar roupas, e a minha tia tinha um quarto enorme, cheio de armários, com mil roupas, acessórios e maquiagem onde eu passava horas, provando tudo, montando looks aos 6 anos!!

D: Onde você se formou? Que curso fez?
D.D:
Eu estudei jornalismo na PUC/MG e depois fiz um mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres. A minha tese de mestrado foi sobre a moda brasileira e a imprensa de moda no Brasil. Fora isso, fiz alguns cursos livres como, por exemplo, marketing de moda e estilismo.

D: Como todos que um dia começam, você teve ajuda de alguém para entender e escrever sobre o assunto? Quem foram seus mestres?
D.D:
Meus mestres foram mesmo as revistas. Eu sempre amei revistas, desde pequena. Sempre adorei ler e me inspirava no que eu lia. E acho que pela vida a gente vai se inspirando e aprendendo com as pessoas bacanas que passam por ela. Pode até ser gente que nunca conhecemos, mas que inspira, as vezes só com uma frase, sabe?

D: O que uma pessoa tem que fazer para chegar a editor de moda? Qual foi o seu caminho?
D.D:
Eu acho que tem que estudar muito, ter o máximo de conhecimento possível, levar seu trabalho muito a sério e saber aproveitar as oportunidades. Para mim foi uma mistura de vários fatores: eu era repórter de moda e beleza da revista AnaMaria, a partir desse trabalho eu recebi o convite para assumir a moda da Quem. Eu tive muito medo de dar o passo, mas fui assim mesmo, afinal de contas uma oportunidade assim não aparece duas vezes, né? Muita gente iria torcer o nariz para um trabalho em uma revista tão popular como a AnaMaria, mas foi esta revista que me deu oportunidade de mostrar o meu trabalho e de conhecer pessoas bacanas, que apostaram em mim.

D: Em entrevista ao Descolex, Thais Mol aproximou os termos stylist e editor de moda, pois, segundo ela, ambos conseguem “um resultado que vai além do que o estilista definiu, que expande, inverte, recria as fronteiras daquela criação”.  Mesmo assim, sabemos que stylist e editor são duas profissões bem diferentes, certo? Você poderia explicar melhor essa diferença?  O que um editor faz?
D.D:
Acho que estes termos, na teoria, se equivalem mesmo. Originalmente a função de editor de moda seria se focar apenas na moda, mas as editoras acabam fazendo muito mais. Não sei como é exatamente nas outras revistas, na Quem é assim: eu penso no conceito do editorial, ou seja, penso em tema, em locação, na moda, e quem seriam os melhores profissionais para cada trabalho (fotógrafo, stylist, modelo, maquiador). Geralmente eu convido primeiro o stylist, a gente discute o que eu espero, quais são as minhas idéias e ele traz as dele também, a gente conversa bastante e chega num consenso. E eu sempre gosto de ouvir as sugestões do stylist e do fotógrafo para bater o martelo em quem fará a beleza, quem será a modelo e qual será a locação – acho que um trabalho de equipe é sempre mais bacana.

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“Esse é de um dos editoriais que eu mais gostei de ter feito na vida – a modelo é a Gracie Wink, o styling é da Carolina Gold, fotos do Rogério Alonso e beleza do Lu Ramos. Depois das fotos prontas, a Rita Wainer fez interferências em cima”

D: Quais são os seus editores preferidos na moda?
D.D:
Eu adoro o trabalho do Paulo Martinez, acho ele incrível. Fora do Brasil eu adoro a moda da Vogue Inglesa e da Harper’s Baazar, tanto a americana quanto a inglesa.

D: O que é preciso para ser reconhecido?
D.D:
Trabalhar direito, saber aproveitar as oportunidades e se relacionar bem com as pessoas. Ah, precisa um pouco de sorte também!

D: Ser editora de moda em uma revista de celebridades é diferente de trabalhar como editora em uma revista como a Vogue, certo? Você poderia falar um pouco dessa diferença?
D.D:
É diferente sim. Por a Quem não ser uma revista de moda eu tenho muito menos “amarras”. Tenho mais liberdade para criar, não preciso ser didática e nem comercial. Não que eu ache que a Vogue seja assim. Estou falando de revistas de moda em geral.

D: O que você acha do estilo das famosas brasileiras?
D.D:
Eu acho que elas ainda estão engatinhando. Não temos no Brasil uma grande fashionista, a preocupação com a moda ainda é pequena nas nossas celebridades. Mas tem muita gente bacana, que já começa a se destacar, como Wanessa Camargo, Camila Morgado, Débora Falabella, Camila Pitanga, Tais Araújo e Sabrina Sato.

D: E das internacionais? Quem você gosta?
D.D:
Eu gosto muito da Kate Moss, da Agyness Deyn, da Charlotte Gainsbourg, da Chloé Sevigny, da Sarah Jessica Parker.

D: Existem desavenças entre editoras de moda no mundinho fashion brasileiro?
D.D:
Ah, que pergunta engraçada! Sei lá! Acho tem uma nova geração que está mais preocupada em trabalhar do que em ficar xoxando os outros.

D: Uma editora de moda pode ter queridinhos ou protegidos?
D.D:
Claro que pode. Só não pode é fechar o olho para o que é bom e o que é ruim por causa de desafetos ou preferências pessoais.

D: O que você está gostando mais para o inverno?
D.D:
AMO xadrez, sempre amei. Estou gostando também desta mistura de estampas à la Ugly Betty, e dos cowboys, eternos ícones.

D: Você acaba entrar para a blogosfera, com o blog Estilo Quem. O que podemos esperar desse novo canal?
D.D:
É um blog leve, falo de tudo que tem a ver com moda e beleza, o que vier na cabeça. Estou adorando!

D: Você acompanha os blogs de moda?
D.D:
Acompanho sim, adoro. Acho que tem vários blogs legais, o povo está soltando a língua, acho isso incrível, admiro muito a coragem e a integridade dessa nova geração de jornalistas de moda.

D: Quais blogs você gosta de ler, recomenda? Quais são suas outras fontes de informação?
D.D:
Eu leio o seu, leio o do Oliveros, o do Sylvain, da Olívia Hanssen, da Oficina de Estilo, da Biti, o da Renata Piza, o da Victoria Ceridono. Adoro o Sartorialist, o GoFugYourself, que é hilário, o da Hilary Alexander… além dos blogs e das revistas eu me inspiro e me informo muito na música e no cinema. Acho que são fontes inesgotáveis.

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“Esse foi um editorial que eu também amei. A modelo é a linda Talita Pugliese, styling do Rodrigo Polack, make do Lu Ramos e fotos do Feco Hamburger”

26 mar

Adoro jornalismo. Mas, com em toda profissão, ela tem seus altos e baixos. Tem hora que chove trabalho e tem tempos de vacas magrinhas magrinhas. Para driblar isso, reparei que muitos profissionais assumem mais de um papel dentro do mercado: atacam de stylist, assessor de imprensa, DJ, maquiador, redator… Tudo para conseguir pagar suas mais que merecidas roupinhas descoladas no final do mês. Comigo também não tem sido diferente. Por isso, resolvi me aventurar pela produção de moda, uma área que sempre me despertou interesse e admiração.

E sabe a primeira coisa que eu fiz? Me inscrevi num curso lá no Senac. Afinal, estudar nunca é demais. Tenho curtido bastante as aulas e, inspirado pelos bate-papos com os colegas e profesoras, achei que seria interessante conversar com alguém que já faz esse tipo de trabalho há tempos. A escolhida foi a queridíssima Thais Mol. Mais do que produtora, Thais é figurinista e stylist. Assina editoriais para publicações brasileiras como Vogue, Elle, Key, Marie Claire, Trip e Simples e internacionais como Surface, Dune, JNC, Ware e Fashion Lines

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Thais Mol

Ela também atuou como crítica de moda para os sites Erika Palomino, Chic e São Paulo Fashion Week, tem textos publicados nas revistas Capricho, Revista da Folha, Simples e jornal do São Paulo Fashion Week além de assinar o prefácio do livro da Huis Clos da coleção Moda Brasileira pela editora CosacNaify. Produziu desfiles para marcas como Adidas, Lucy in the Sky, Drosófila e Recife Fashion. Fez o styling de campanhas da Cori, Lei Básica, Dryzun e Zoomp acessórios. E como figurinista já atuou na MTV, TV Bandeirantes e em comerciais de marcas como Puma, Coca-Cola Clothing, Boticário, Natura e Seda. Currículo ruim o da moça, hein?

Confira a enrevista:

Descolex: Qual a diferença entre um stylist e um produtor de moda? A formação dos dois é diferente?
Thais Mol: Acho que aqui há um problema de nomenclatura. Deveríamos usar editor de moda ao invés de stylist, além de ser uma palavra em português que definiria essa profissão pelas bandas de cá, isso já explicaria bem a diferença entre as duas profissões. O produtor é aquele que corre atrás das roupas, procura, produz, mas não necessariamente ultrapassa aquelas peças e formas, ou cria uma nova forma de mostrar aquilo, na maioria das vezes faz o correto, o bonito. O stylist, ou editor, é aquele que consegue um resultado que vai além do que o estilista definiu, que expande, inverte, recria as fronteiras daquela criação. Ou que a define tão bem que o produto passa a ter uma identidade própria após esse encontro.

D: O que um stylist faz? Quais são as áreas e veículos que ele atua?
T.M: O stylist trabalha em revistas, confecções, eventos, criando uma imagem de acordo com um objetivo definido. Ele pesquisa referências e propõe caminhos estéticos para aquele trabalho.

D: Onde você se formou? Que curso fez? Fez algum curso livre a mais?
T.M:
Eu me formei em Comunicação Social na PUC-MG, fiz uma especialização em moda na Anhembi Morumbi e diversos cursos livres de modelagem, moulage, história da arte, filosofia e política.

D: Como começou? Quais foram os primeiros trabalhos?
T.M: Minha mãe trabalhou na área como representante, tenho uma prima que foi casada com o Renato Loureiro, então, mesmo passando minha infância e adolescência em Recife, sempre tive contato com moda. Meu primeiro emprego, já morando em Belo Horizonte, foi num show room, aos 16 anos, da Zoomp, como estagiária. A partir daí passei a trabalhar como freelancer em todos os lançamentos. Enquanto estava na faculdade, fiz uns biquinhos de modelo para ganhar dinheiro e passei a conhecer um monte de gente e, rapidinho, a produzir para publicidade e moda. Escrevia para jornais locais, vinha cobrir a Semana de Moda e o então Morumbi Fashion e comecei a conhecer o mercado de SP. Fui contratada pela revista Capricho como repórter e produtora de moda em 2000, quando mudei para a cidade.

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 Look switchblade sisters, para a Vogue (Foto: Rodrigo Marques)

D: O que é preciso para ser reconhecido?
T.M:
É preciso ter uma habilidade visual própria, que faça com que os outros se encantem com aquela imagem que você criou e que, com o tempo, consigam identificar seu modo de ver e estar na moda. Responsabilidade, como em qualquer profissão, e muito esforço. É um trabalho muitas vezes exaustivo, de horas e horas de estúdio e externa, de produção na rua, de madrugadas acordado. Mas muito encantador por sempre mudar, por sempre desafiar os profissionais a criar e entender o momento que vivemos.

D: Quais são os seus stylists preferidos na moda?
T.M:
Aqui eu adoro o Daniel Ueda, o Paulo Martinez, o Davi e a Flávia. Fora, admiro a Polly Mellen por ter sido meio pioneira na carreira, nem tinha seu nome publicado nas revistas quando começou a trabalhar… A Katie Grand que tem muita versatilidade e resultados impactantes.

D: No Brasil tem bastante mercado para um stylist? Dá para ganhar dinheiro?
T.M: Se essa profissão mal existia há 8 anos, se as escolas de moda no país são recentes, se a educação visual que temos nas escolas ainda é tão incipiente, dá pra imaginar que há muito que se conquistar na profissão, desde a formação de um repertório de imagens e idéias até a um mercado que consiga absorver esse profissional. E, sim, dá pra ganhar dinheiro.

D: Você tem alguma dica prática para aqueles que estão começando agora na profissão?
T.M:
São tantas dicas… Desde o extremo cuidado com as roupas (já machuquei uma saia Versace de R$ 3000 por tê-la alfinetado), sapatos e acessórios, até a manutenção de uma boa relação com os parceiros, entregar as peças nas lojas no prazo, limpas, bem cuidadas.

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 Dryzun “Black Venus” (foto: Paulo Vainer)

D: O que você está gostando mais para o inverno?
T.M: Eu ainda continuo viciada em vestidos e saias, especialmente nos comprimentos curtos. Mas especialmente nesse inverno eu adorei os volumes nos ombros, os volumes criados por novas experimentações de modelagem. E o engraçado nesse inverno são as ankle boots. O mercado consumidor demora cerca de dois anos pra absorver uma tendência da passarela, e é agora que a gente começa a ver nas ruas e nas lojas as ankle, que os editoriais e jornalistas de moda nem conseguem mais falar sobre.

D: Você também tem uma marca, a Mona. O que levou você a se jogar na criação?
T.M: Eu sempre interferi nas roupas, sempre fui curiosa pelos diversos aspectos da moda, já escrevi, brinquei de fotografar, customizei, trabalhei em confecção, então, fazer roupa acabou se tornando uma vontade de aprender mais, de aprender algo novo.

D: Sua marca é para que tipo de consumidor?
T.M:
É para mulheres que não se preocupam tanto com as demandas externas, que querem uma roupa expressiva e feminina, cuja sensualidade é menos explícita, depende mais de quem usa.

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Editorial “Apocalypse Now”, para a Vogue (foto: André Passos)

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