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17 fev

Mariana Maltoni
João Pimenta, o homem das silhuetas femininas

Aos 41 anos, João Pimenta sente que sua moda ainda precisa de amadurecimento. Integrante desde 2004 do line-up da Casa de Criadores, sendo um dos nomes mais fortes do evento, esse estilista nascido em São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais, procura consistência antes de sair de uma semana de moda que revela novos talentos, para um evento “mais comercial”, como ele mesmo define o São Paulo Fashion Week. Sem pressa e sem querer “atropelar as coisas”, ele quer experimentar. Busca uma nova linguagem para a moda masculina, utilizando referências femininas. Essa, inclusive, é a verdadeira essência da sua marca que propõe para o homem uma maior liberdade para se vestir. “A moda masculina é muito chata”, declara o estilista com a autoridade de quem no começo da carreira dedicava-se a criar vestidos de noivas no centro de São Paulo. Nessa entrevista concedida ao Descolex no ateliê dele, em Pinheiros, João conta sua trajetória, fala de sua entrada na Casa de Criadores, de seu sítio em Sorocaba e, é claro, de muita moda masculina. Confira!

Descolex: Quando você decidiu que queria trabalhar com moda?
João Pimenta:
Sempre quis, desde criança sempre fui apaixonado pelos tecidos desde os lençóis às cortinas. Minha família também trabalhava com costura, mas não acho que seja daí meu interesse por moda. Lá em Ribeirão Preto existe a Policia Mirim e, por meio dela, eu fui trabalhar bem jovem no parte de pacotes da Casas Pernambucanas. Eu adorava! E depois comecei a trabalhar com a vitrine, até que vim pra São Paulo.

D: O que você fazia antes de ser estilista? Poderia contar um pouquinho da sua trajetória?
J.P:
Já fiz de tudo; mecânico, office boy, vendedor de loja… Mas sempre quis ser estilista. Em 1985, aos 18 anos, vim morar em São Paulo. Quando cheguei na rua São Caetano, ali na Luz, achei que aquilo era o reino encantado. Fui trabalhando de loja em loja, fazendo vestido de noiva, madrinha, roupa de festa… Até que eu não agüentava mais e resolvi mudar. Em 95, descobri o Mercado Mundo Mix e comecei a fazer só mini-saia pra vender lá. Criava um 300 modelos diferentes e tinham uns mais conceituais, feito de carne, de gilete, de prego, de recortes de revistas pornográficas…

D: E as pessoas compravam essas saias?
J.P:
Olha, muito mais do que vender essas peças, aquilo era um exercício pessoal. A moda é um veículo de expressão muito forte e tentar fazer essa comunicação com as pessoas faz com que você comece a entrar em sintonia com elas. Eu não vendia, mas conseguia encaixar varias delas em editoriais… (risos).

D: E você abandou os vestidos de festa? Não faz mais feminino?
J.P:
Faço vestido muito raramente e são mais para as amigas, que acabo nem cobrando. Exatamente pra deixar claro que eu não vivo mais disso. Mas o feminino ainda é presente na minha coleção. É só dar uma olhada na loja aqui em baixo. Eu acho que criar para o feminino é até mais bacana.

D: Mas porque, então, você só desfila moda masculina?
J.P:
Eu sinto uma carência na área. Vejo aqui na loja os meninos provando as roupas femininas, procurando uma coisa diferente… Para as mulheres já se experimentou de tudo, enquanto que para o homem uma apequena alteração já se transforma no diferente. Acho que o que evouli agora é a moda masculina. Ela vai ficar cada vez mais próxima do feminino até que tudo vire uma coisa só, unisex.

Mariana Maltoni
O estilista em sua loja em Pinheiros

D: Mas você não acha que há uma barreira cultural, pelo menos aqui no Brasil, que impede essa evolução?
J.P:
Essa história de que somente a roupa fala por você, de que ela determina quem você é o que trava os homens brasileiros. Essa associação tá longe de ser real, mas realmente atrapalha os meninos.

D: Aliás, essa discusão dos elementos femininos no guarda-roupa masculino é o tema da sua última coleção, né?
J.P:
Sim. Eu criei uma silhueta onde os homens ganhavam culote, tinham a região dos quadris super destacadas. Era pra chutar o pau da barraca mesmo. A moda masculina é muito chata e eu quis causar esse desconforto. O homem tem silhueta, mas tudo que se faz pra ele é muito quadrado, sabe? Mostrei um homem seguro, que se apropia do feminino e se sente lire pra experimentar. E isso deu uma coisa sexy à coleção.

D: E porque a trilha de picadeiro? Porque os modelos entravam com os braços afastados dos quadris?
J.P:
No sub-texto de desfile, eu quis trazer essa coisa do palhaço, que nada mais é do que uma defesa. De certa forma, os meninos estavam travestidos, mas pro palhaço tudo pode, porque ele tem essa máscara. Já os braços arqueados era pra mostrar que esse homem duro tinha uma sensação de certo estranhamento com seus quadris enormes, era pra brincar com esse novo. Mas eu sei que os modelos bem que gostaram da proposta. Na fila pra entrar na passarela, eles ficavam ajeitando os quadris pra deixar com mais volume… Foi bem engraçado.

D: Você fez faculdade de moda?
J.P:
Não. Eu não tenho formação acadêmica. Quando cheguei a São Paulo eu menti no meu primeiro emprego dizendo que sabia desenhar. Lembro até hoje que minha primeira cliente era uma senhora do interior e eu tinha que fazer um vestido de festa, desenhando na frente dela. Fiquei em pânico! A sorte é que ela sabia muito bem o que queria e gostou muito do meu atendimento, mesmo sem desenho (risos). Gostou tanto que foi me elogiar pro gerente. Isso me fez ganhar uns pontos com ele e me sentir confortável pra dizer que não sabia desenhar. E ele foi muito bacana e começou a me ensinar tudo. É uma história engraçada, mas eu não recomendo.

D: Por quê?
J.P:
Porque eu demorei muito pra dar credibilidade ao meu trabalho. Acho que só fui acreditar que sabia fazer há pouquíssimo tempo. Isso sem contar que você perde muito tempo quando você não sabe a técnica.

D: E como pintou o convite de desfilar na Casa de Criadores? Como foi seu primeiro desfile?
J.P:
É aquela história conhecida. Há cinco anos comecei a fazer roupas para os amigos e a coisa foi fazendo sucesso. Até que um dia eu e o Rodrigo Marques juntamos uns modelos, pegamos umas peças e fizemos umas fotos. Eu mandei o material pro André Hidalgo, a gente ficou um tempo se falando até que um dia surgiu a oportunidade e ele me convidou. Achei que ia detonar no primeiro desfile, só que quem detonou comigo foi a crítica. Daí, eu comecei a ver que eu não era o máximo e fui trabalhando em cima dessas críticas para melhorar.

D: Então você aceita criticas numa boa…
J.P:
Eu acho a crítica fundamental. Ela me serve de termômetro para perceber o que está acontecendo, pra evoluir. Sinto que alguns estilistas mais conceituados atingiram um patamar onde eles não têm mais crítica e, por isso, não evoluem.

Mariana Maltoni
Para ele, SPFW só daqui um tempo

D: Pensa em ir para um SPFW, por exemplo?
J.P:
Sim, claro. É um sonho. Há um ano, eu queria isso muito rápido, mas comecei a perceber que meu trabalho é mais experimental. Meu processo tem outro timing. Não adianta ir para um evento mais comercial sem estar pronto. Sinto que a moda no Brasil vai ser muito grande e eu tenho vontade de fazer parte dessa história que ainda vai acontecer. Por isso, não tem porque ficar atropelando as coisas. Eu preciso de consistência, entrar em sintonia, sacar as linguagens. Além do mais, estou muito desanimado com patrocínio e apoio. A relação é sempre um horror, você sempre está preso…

D: Como as pessoas comuns influenciam seu trabalho? Qual é sua fonte de inspiração?
J.P:
Eu tento buscar inspirações nas coisas simples. E acho muito bacana quando as pessoas comuns, fora do universo de moda, absorvem minhas idéias. No começo achava difícil uma pessoa de um universo como o meu, da roça, da simplicidade, pudesse dizer o que vestir ou o que usar. Mas descobri que são exatamente os contrapontos – pobre e rico, bonito e feio, homem e mulher, chique e cafona – o meu forte. Aprendi a pegar todo essa pauperismo do meu passado e transformar. Moda tem que vir de dentro.

D: Você segue tendências em suas coleções?
J.P:
Tento. Mas acredito muito no inconsciente coletivo. É só prestar atenção nas ruas, nas necessidades das pessoas que vêm aqui na loja… Não adianta você querer ir contra certas tendências. É óbvio que o estilista tem a obrigação de desenvolver uma linguagem prórpria, mas isso não impede de ele seguir certos desejos que estão no ar.

D: O que te faz sentir mais vaidoso?
J.P:
Ver o resultado de um trabalho.

D: O diário de quem você gostaria de ler?
J.P:
De pessoas que estão por ai pela rua, os mendigos.

D: Quando e onde você fica mais feliz?
J.P:
Em meu sítio, em Sorocaba, cuidando dos animais. Sou super da roça, adoro mexer com terra. Tanto que vou pra lá quase todo fim de semana.

D: Então você não é um cara de balada…
J.P:
Nos últimos tempos, tenho ficado um tanto enclausurado, tipo, concentração. Pra mim é muito importante poder aproveitar o dia todo… Tenho muita coisa pra fazer e não dá pra perder o dia me recuperando de uma noitada. Prefiro me preservar. Além do mais, sinto que a noite é repetitiva. São sempre as mesmas coisas, as mesmas caras…

D: O que é chique hoje? Você concorda com os estilistas que falam que é possível usar tudo hoje em dia?
J.P:
Acho que hoje e sempre chique é ser autêntico. Ou seja, dá pra usar tudo, desde que isso não mude sua personalidade.

D: Que tipo de música você gosta? O que anda ouvindo no momento?
J.P:
Gosto de todo o tipo de musica, mas devido a trilha do meu último desfile, tenho procurado muito pelas músicas de picadeiro.

12 dez

Era mais um trabalho de conclusão de curso universitário fadado a entrar pra biblioteca da faculdade e ser esquecido. Mas, o estudante Edson Soares aceitou a sugestão de um dos membros de sua banca avaliadora, o cineasta Kiko Goifman, e resolveu inscrever o primeiro média-metragem da vida dele na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. E não é que meses depois ele recebeu um convite para exibir seu filme no evento? “Sneakers – Entrando de Sola na Cultura Urbana” teve três exibições na programação normal e ainda foi parar na repescagem da competição. A obra traz nomes como Alexandre Herchcovitch (estilista), Fabio Cristiano (skatista), Fabrício Costa (designer da Nike), Flavio Samelo (artista plástico e fotógrafo) e João Braga (historiador de moda) expondo suas experiências e mostrando suas coleções de tênis, lógico. Em cerca de uma hora de filme, ele mostra o que é um sneaker head, fala do crescimento dessa cultura do culto ao tênis, além de moda, música, artes e tendências.


Edson Soares (Foto: HelenaN/Flickr)

Aqui, você confere o bate-papo com ele sobre a cultura sneaker no Brasil e sobre a odisséia de se fazer um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sem nenhum recurso financeiro, porém com muita criatividade:

Descolex: De onde veio a idéia desse tema?
Edson Soares:
Em 2006 fiz um intercâmbio de um pouco mais de um ano na França. Lá, do lado da sorveteria onde eu trabalhava, tinha uma sneaker shop. Foi assim que descobri que existe esse tipo de loja pequena, com modelos de tênis que você não encontra em magazines. Quando voltei pra São Paulo, vi que as primeiras lojas desse tipo já tinham sido abertas. Além disso, numa viagem a Goiás – eu sou de lá – um cara veio perguntar pra mim do tênis que eu estava usando. Ele sabia tudo do modelo, de quando tinha sido criado, por quem, quais eram os materiais… Fiquei impressionado. Como um cara naquele fim de mundo sabia tanto? Descobri, lógico, que a internet é fundamental. Todo mundo, de qualquer lugar, pode ser um sneaker head. Daí eu tava pra me formar, precisando decidir meu TCC e resolvi fazer um filme sobre o tema.

D: Quanto tempo você levou entre roteiro, produção, filmagem e edição? Como foi esse processo?
E.S:
Eu primeiro assisti ao “Just for Kicks”, um filme francês sobre o tema. Depois, entrei em contato com o Ricardo Nunes, editor do SneakersBr, pra ele me ajudar, me dar umas dicas… De janeiro a março fiquei nessa pré-produção. Entre março e maio eu filmei e, em junho, editei. O grosso do filme ficou pronto em seis meses, enfim. E tudo sem orçamento: uma câmera era da faculdade e uma outra eu emprestei. Para as gravações, contei com a ajuda dos amigos. Elaborei um cronograma e passei pra todo mundo perguntando quem podia me ajudar em que, dentro daquelas datas. Uma amiga que faz administração, por exemplo, e que nunca pegou numa câmera, me ajudou nas filmagens. A edição foi em casa mesmo. Já as animações, que dão uma cara super profissional ao trabalho, eu coloquei depois, pra a apresentação na Mostra.

Pedacinho da coleção de um dos entrevistados no filme (Foto: Edson Soares/ Flickr)

D: Qual foi a entrevista mais bacana desse documentário? Aliás, como você chegou a essas pessoas?
E.S:
Uma das entrevistas mais importantes foi com o Flávio Samelo. Ele foi um divisor de águas no filme, porque parecia que eu tava meio cru nas entrevistas que fiz antes dele. Com o Flávio, senti que pela primeira vez eu estava inserido no universo sneaker. Daí, as entrevistas seguintes foram melhores que as primeiras, senti uma evolução natural do processo criativo. Para chegar nesses nomes, foi por indicações durante o trabalho de pesquisa e do pessoal que comentava no blog do filme. Todo mundo deu pitacos e ajudou muito. No começo, por exemplo, eu tinha medo de conversar só com colecionadores, aí sugeriram o professor João Braga, que deu um tom mais didático e embasamento teórico pro que estava sendo apresentado no filme.

D: E como rolou de apresentar seu TCC na Mostra?
E.S:
Quando apresentei o filme na USP, um dos membros da minha banca avaliadora era o Kiko Goifman. Ele enxergou o filme sob uma ótica antropológica e curtiu pra caramba. Disse que eu tinha que inscrever o filme em festivais… Pô, o cara é um cineasta super respeitado, eu acreditei que ele devia saber o que estava falando, né? Resolvi inscrever. Coloquei no correio e esqueci. Até porque eu tinha certeza que não ia rolar. Seu eu entrasse no festival de Goiânia, tudo bem. Mas, na Mostra Internacional de Cinema? Passou um mês, um mês e meio, até que recebo um e-mail da organização da Mostra fazendo o convite. Eu estava trabalhando na hora que vi o e-mail, dei um grito no escritório que ninguém entendeu. Fiquei muito feliz, mais feliz do que quando recebi o diploma. Foram três sessões na mostra e uma repescagem depois.

D: Como você sentiu a recepção do público?
E.S:
Tiveram duas sessões que lotaram. Na primeira, tinha muita gente desse universo senaker. Foi legal! Também descobri que o filme é engraçado… As pessoas riam em determinadas partes. Na saída, os mais velhos vinham falar comigo espantados com o fato de existirem pessoas que colecionam tênis.


Popó e Jimmy, da sequência “batalha de customizadores” do filme (Foto: Edson Soares/ Flickr)

D: Tem planos de lançá-lo comercialmente?
E.S:
Tá rolando uma conversa com potencial patrocinador para ele financiar uma leva de cópias para distribuição gratuita. Eu não quero perder de vista que esse é um filme independente, feito sem grana, sabe? E eu tô sofrendo bastante, porque não entendo nada de produção executiva. Então, tá indo meio devagar essa negociação.

D: Você é um sneaker head?
E.S:
Não. Tenho alguns tênis só, uns sete pares eu acho. O meu preferido é um Puma Clyde High Top branco. Tá mega detonado, mas eu amo ele. Se eu achar outro igual, eu compro uns dois… Bom, acho que to um pouquinho sneaker head, sim (risos).

D: E a cultura sneaker no Brasil? Tá crescendo?
E.S:
Aqui, temos um limitador que é complicado: a questão da grana. É muito mais difícil pra um jovem brasileiro comprar um tênis do que nos EUA, por exemplo. Lá, com um trabalhão de verão, ele compra vários. Mas isso também não impede tanto o crescimento dessa cultura. O cara que curte, junta a grana e compra. E essa galera se comunica muito. O menino daqui fala com o cara da Alemanha, que avisa que saiu um modelo lá, que não tem em outro lugar do mundo… Ele compra, envia pelo correio pro cara daqui. Tem gente que já se ligou nesse potencial e começou a monetizar, a ganhar grana com esse mercado. O potencial do Brasil é enorme.

13 nov

[Antes de começar, queria contar que essa matéria foi originalmente publicada na revista Catarina, edição 19, que saiu recentemente nas bancas. Aproveitem!]

Pedro Lourenço não é um garoto acessível. Nem poderia. Seu talento e precocidade na moda impuseram no “menino prodígio” uma certa barreira social. Filho de Glória Coelho e Reinaldo Lourenço, com 12 anos Pedro apresentou sua primeira coleção no SPFW, em 2003. Já foi elogiado pela crítica por seu apuro estético, inventividade na criação e pela qualidade de seu acabamento. Também foi criticado, e muito. Tudo bastante intenso para um jovem de 18 anos que lida com tudo isso de forma bem particular. Pedro tem fama, verdadeira, de não gostar de dar entrevistas. Nas reportagens e perfis que são publicadas a seu respeito, quase sempre adota um certo ressentimento em relação à imprensa por analisá-lo sempre sob a luz de seus pais, dois grandes nomes da moda nacional. Mostra-se incomodado por, na grande maioria da entrevistas que concede, enfocarem na questão da sua idade. E, não raro, diz que sua moda autoral é incompreendida pela consumidora brasileira. No backstage de seu último desfile, realizado em junho deste ano, na temporada de Primavera-Verão 2008/09 do SPFW, circulava de um lado pro outro gritando “camarim japonês”, uma referência clara ao seu desejo de total silêncio nos bastidores minutos antes de seu show.

Pedro Lourenço (foto: Hique/Flickr)

Esta foi primeira de diversas tentativas de entrevistá-lo. Aqui vale destacar que o referido desfile marcava seu retorno as passarelas, após uma pausa de cerca de um ano em que Pedro dedicou-se aos estudos. Semanas depois, mais uma tentativa de entrevista, via assessoria de imprensa. A resposta veio em pouco tempo, dizendo que Pedro responderia às perguntas somente via e-mail. Um pouco inusitado, já que o estilista “não gosta de computador, adora escrever à mão e prefere se informar através de meios mais profundos”, como ele mesmo explica. A resposta veio, meio monossilábica. Mesmo com parte das perguntas respondidas, faço uma nova tentativa, desta vez, bem sucedida. E aí que Pedro surpreende. Gentil e cordial, responde a (quase) tudo. Conta de seu interesse por astrologia – “analiso meu mapa para saber o momento em que estou” –, fala de seu convívio com Marie Rucki, a célebre diretora do Studio Berçot de Paris e até comenta sobre as críticas que recebeu por realizar um desfile às 8h em pleno final de semana. Tudo com poucas, mas boas palavras. Confira:

Descolex: Para quem você cria?
Pedro Lourenço:
Eu crio para me expressar. Visto mulheres que seduzem pelo intelecto e pela mente. Já as outras, que seduzem pelo físico, não me inspiram.

D: Comparado com o seu começo, antes da sua pausa, como você enxerga seu trabalho hoje? O que mudou no seu estilo nesse tempo?
P.L:
Nesta pausa tive muito contato com as ciências e outras áreas que são descartadas pelos acadêmicos, e que, para mim, é o único universo a se explorar em minha profissão (em sua última coleção, Pedro voltou seu olhar para a biologia e anatomia dos pássaros). Estes estudos abriram minha mente e me fizeram observar o mundo. Inconscientemente, através destas observações, meu trabalho se tornou mais pessoal e livre.

D: O que te inspira? Como começa uma coleção?
P.L:
As inspirações vêm da relação do meu espírito com minhas experiências visuais e físicas. Por isso, acho que meu processo criativo é esquizofrênico, começo minha coleção através da relação dessas experiências.

D: E como é seu dia-a-dia quando não está trabalhando? O que você gosta de fazer nas horas vagas?
P.L:
Trabalhar (Pedro é enfático nessa resposta). Afinal, este é o único objetivo do homem. Meu hobby é descarregar minha energia no trabalho, na minha criação.

D: Como foi sua formação em moda? Como se desenvolveu profissionalmente?
P.L:
Sou filho de estilistas por isso meu desenvolvimento profissional foi adquirido muito naturalmente através de minha vivência com a moda e cultura. Desde pequeno eu já me interessava por moda, me envolvia com ela… Aprendi a costurar na fábrica dos meus pais.

D: Que estilistas – nacionais e internacionais – você admira? Tem um preferido?
P.L:
Os estilistas nacionais que admiro são meus pais, claro – Glória Coelho e Reinaldo Lourenço. Os internacionais são Cristóbal Balenciaga, Coco Chanel, Madeleine Vionnet e Elsa Schiaparelli. Foram eles que realmente inovaram na moda.

Look apresentados por Pedro no SPFW Primavera-Verão 2008/09 (foto: Charles Naseh/ Chic)

D: Quem você adoraria vestir? Quem você não gostaria de ver usando uma criação sua?
P.L:
Adoraria vestir a Charlotte Casiraghi (princesa de Mônaco, neta de Grace Kelly). Porém, não gostaria de vestir a Paris Hilton.

D: Quais são suas fontes de informação?
P.L:
Tento não usar a Internet. Vivemos em um mundo onde as pessoas buscam informações nos mesmos lugares. Prefiro estudar, pesquisar e me informar através de meios em que eu possa me aprofundar mais nos assuntos, que nem todos têm acesso. Além do mais, o computador tira aquela coisa da relação mais afetiva com o papel e tira a possibilidade de troca com cara a cara a pessoa. Eu por exemplo, não faço nada no computador. Gosto muito de escrever, adoro ver minha letra no papel, meus rabiscos, minhas anotações.

D: Você costuma ler blogs?
P.L:
Não costumo ler blogs, não. Acredito que o maior mérito do homem é saber optar. Administrando meu tempo, opto, mais uma vez, por assuntos que me enriquecem culturalmente e intelectualmente… Os livros, pra citar um exemplo, oferecem possibilidades que não estão disponíveis em sites.

D: Você começou muito novo… Como lida com a pressão da idade? Aliás, você se incomoda quando focam na questão de você ser muito novo?
P.L:
Sempre lidei e lido naturalmente com a pressão da idade e é claro que está questão incomoda. A maioria das pessoas com quem convivo são mais velhas e elas não usam a minha idade como fator de julgamento do meu trabalho. Mas, também existem pessoas que definem os outros pelo ano que elas nasceram e não pelo que elas são. E este é um dos motivos pelo qual me relaciono com gente de todas as idades, de um a cem anos… Todas elas, de alguma forma, me proporcionam alguma coisa.

D: Como é o clima em casa quando vai chegando as semanas de moda?
P.L:
Vira uma loucura e é natural. Os horários mudam muito e não batem mais… Com três etilistas em casa, tomar café da manhã juntos nessa época não existe!

D: Você é supersticioso? Tem algum ritual no dia do desfile?
P.L:
Sou, mas não igual aos meus pais, que fazem mapa astral pra tudo. Fiz cursos de astrologia, aprendi a analisar mapas e gosto muito de sempre ir a ele para saber por que momento estou passando. Junto com a minha astróloga, a Lidia Vainer, eu analiso o mapa e monto uma agenda com dia e horário para começar a pesquisar, para ler, para estudar, para determinar os dias que são para criar… Organizo isso tudo minuciosamente. E dá certo, viu?

D: Monta até planilha de horários, então…
P.L:
Sim. Mas, na mão! Nada de computador (risos). Sei lá, gosto muito disso e acho que tenho facilidade até. Adoro olhar para o rosto de uma pessoa que eu nem conheço e dizer o signo dela. Nunca erro e as pessoas ficam abismadas.

A família Coelho-Lourenço (foto: Jorge Bispo/ Flickr)

D: Como foi estudar com Marie Rucki? O que sua passagem pelo Studio Berçot acrescentou no seu trabalho?
P.L:
Convivo com a Marie desde pequeno e muitos dos meus raciocínios e formas de ver e viver a vida criativa, absorvi e aprendi com ela. Na última vez que estive com ela, fiz um curso de uma semana e foi maravilhoso passar esse tempo com ela. A Marie me acrescentou, desta vez, um novo entusiasmo e energia.

D: Você acaba de apresentar uma coleção conceitual, que não terá produção comercial. Qual o objetivo dessa coleção? Está montando um portfólio?
P.L:
Sim.

D: Para quê? Está pensando em batalhar um estágio lá fora?
P.L:
Bom, tais planos são pessoais, apenas cabem a mim. Mas, de qualquer forma, portfólio é uma coisa que muitas vezes a gente monta pra nós mesmos… Pelo desejo de ter, não para obrigatoriamente apresentar pra alguém.

D: E quando poderemos ter novamente uma coleção completa de Pedro Lourenço nas araras?
P.L:
Quando chegar a hora ou o momento.

D: Muita gente reclamou por seu desfile ter sido cedo no último SPFW… Saiu na imprensa que Glória Kalil chegou a chamar você de “menino mimado”. Como acontece a escolha desse horário? O que achou do comentário da Glória?
P.L:
A escolha do horário acontece em uma reunião minha com a organização do evento. Desfilo fora da Bienal porque cresci assistindo desfiles internacionais e eles nunca são apresentados em um só lugar. Para mim, esta deslocação é natural. Se a Gloria Kalil realmente fez esse comentário, acredito que a mesma não tem muito conhecimento a respeito da minha personalidade e dos meus ideais. Muitos críticos de moda me viram crescendo pessoalmente, ela não.

D: Recentemente, Alcino Leite Neto, da Folha de S.Paulo, declarou ao Descolex que a moda é racista, além de discriminar “os feios, os velhos e os não magros”. Você concorda com essa opinião?
P.L:
Não. Sou estilista, convivo com todos os tipos de pessoas e as ajudo a se vestirem, a ficarem mais bonitas por meio da moda. Percebo que existem opções de roupas para todos os tipos de pessoas.

D: Quais seriam suas dicas para um estilista que está começando? O que você acha que é essencial num criador?
P.L:
A dica para um estilista que está começando é sair do quadrado. O que é essencial num criador é energia, não aceitação do primeiro resultado, pé no chão; porém, com a mente no céu; desejo, vontade… Tais instintos moldam a personalidade. A dica prática para esse jovem estilista é não se apegar em valores pequenos, tentar sair da sua área, estudando todas as outras que existem no mundo. Tais criadores devem pensar como um arquiteto no corte, um músico na harmonia e um filósofo na idéia.

D: Como consumidor, o que você está gostando para o verão?
P.L:
Do branco.

29 ago

[Antes de começar, queria contar que essa matéria foi originalmente publicada na revista Catarina, edição 18, que saiu recentemente nas bancas. Como qualquer veículo impresso, há o velho problema de espaço. Por isso, não consegui publicar todas as perguntas feitas. Mas, aqui no Descolex, vocês conferem o bate-papo na íntegra. Aproveitem!]


Alcino Leite Neto (foto: Leandro Bugni)

Um dos mais importantes editores de moda do país trabalha na área há menos de três anos. Ao contrário de muitos jornalistas que contabilizam décadas dentro da moda, Alcino Leite Neto, 51, assistiu ao seu primeiro desfile somente em 2005, durante o extinto projeto Amni Hot Spot. Editor da coluna “Última Moda” e da revista “Moda”, ambas do jornal Folha de S.Paulo, Alcino assumiu o lugar de Erika Palomino após uma longa carreira como editor da Ilustrada, do Mais!, de cadernos especiais e das edições de domingo do jornal. “Passei uma semana refletindo se deveria ou não aceitar (o convite). Pensava que uma pessoa mais jovem seria mais apropriada ao cargo. Mas, como a Folha queria mudar o rumo da cobertura de moda, tornando-a mais jornalística, achei que poderia ter trazer alguma contribuição”, revela. Nessa entrevista, ele conta um pouco sobre seu começo na moda e mostra porque é hoje considerado detentor de uma das visões mais críticas e inteligentes do meio.

Descolex: Como muitos sabem, você foi despertado para a moda… Foi editor de diversos cadernos até assumir a editoria de moda na “Folha” no lugar da Erika. Qual foi sua primeira reação com o convite?
Alcino Leite:
Fiquei muito honrado com o convite, ainda mais que deveria suceder minha amiga Érika Palomino, que tinha feito um ótimo trabalho na “Folha”. Passei uma semana refletindo se deveria ou não aceitar. Pensava que uma pessoa mais jovem seria mais apropriada ao cargo. Mas, como a “Folha” queria mudar o rumo da cobertura de moda, tornando-a mais jornalística, achei que poderia trazer alguma contribuição. Foi um desafio que resolvi encarar.

D: Moda não era um assunto que você dominava, certo? E como fez para se preparar para assumir essa editoria?
A.L:
Sempre acompanhei a moda, teoricamente falando. Raramente deixava de ler as colunas e reportagens da Érika Palomino. Durante os desfiles europeus, gostava de ler alguma coisa da Suzy Menkes, apenas para me manter atualizado, como jornalista de cultura. Quando fui correspondente da Folha em Paris, segui com muita atenção as movimentações das grifes francesas em seus negócios. Mas eu realmente tinha pouca convivência com a moda e não havia parado para refletir no assunto com firmeza. Ao ser chamado para ser editor, tirei um mês de licença, quando aproveitei para ler vários livros e revistas, fazer visitas a fábricas e lojas, conversar com vários profissionais. Mas me considero ainda em período de aprendizado. Saí do pré-primário e entrei no primeiro grau!

D: Qual foi o primeiro desfile que você cobriu? Como foi a experiência?
A.L:
Foram os do Amni Hot Spot, ainda bem! Estava muito tenso, mas fui tão bem recebido por todos, que logo me senti em casa.

D: Ser editor de moda em um jornal que fala com um público bastante heterogêneo é diferente de trabalhar como editor em uma revista?
A.L:
Num jornal como a Folha, que tem uma tiragem média de 350 mil exemplares, é preciso escrever para um público amplo, que inclui de adolescentes a pessoas idosas, de fashionistas a médicos, de figuras do “underground” a empresários. Você tem que escrever com clareza, acentuando a importância de sua reportagem e buscando familiarizar as pessoas com o mundo da moda, que para muita gente é um lugar distante e estranho.

D: Como você vê a imprensa de moda no Brasil hoje?
A.L:
Me parece um setor incipiente do jornalismo brasileiro. Precisa ter editores e jornalistas mais independentes. Há uma confusão muito grande entre jornalismo e publicidade. O marketing e os anunciantes parecem se imiscuir em demasia no trabalho dos jornalistas de moda, e estes aceitam as interferências sem se importar muito. A gente não sabe se alguém está elogiando uma grife porque esta fez um bom trabalho ou porque ela é anunciante do veículo ou mesmo se o jornalista tem vínculos profissionais com a marca. As opiniões parecem cartas marcadas. Por outro lado, o meio da moda está acostumado à bajulação, e as pessoas levam tudo para o lado pessoal. Há uma personalização extremada de tudo. Se você critica uma grife, o estilista ou o empresário acha que você não gosta dele, da mulher dele, do filho dele… Alguns são capazes de inventar histórias estapafúrdias para justificar a sua crítica, menos reconhecer que, você, realmente, tem objeções legítimas à coleção que ele apresentou. É preciso quebrar um pouco com este subjetivismo e fazer valer a objetividade do jornalismo e da crítica. Em termos gerais, estamos precisando de jornalistas novos e ousados, que façam seu trabalho com altivez e independência. Eles vão incomodar muito, mas também vão ajudar a amadurecer a moda brasileira.

D: As revistas de moda são muito acusadas de não abrirem espaço para novos designers. Você concorda?
A.L:
Acho que abrem o suficiente. Não adianta ser novo apenas. Em moda, é preciso ter um negócio. A imprensa não pode ficar lançando novos nomes diariamente, sem que estes “novos” tenham estrutura comercial para atender as demandas que a difusão jornalística suscita. Há também, na moda, uma síndrome do novo a qualquer custo, que, às vezes, sobretudo no caso brasileiro, onde tudo é relativamente novo, acaba tendo um efeito desastroso. É o que também gera grifes sem personalidade, sem confiança na sua tradição, que acabam sacrificando toda a sua (pequena) história em nome do “novo” e do “contemporâneo”.

D: Em diversas entrevistas que faço já ouvi comentários do tipo “É triste abrir um editorial de moda e ver que ele é uma cópia da Vogue América de dois meses atrás”. Qual a sua opinião sobre isso?
A.L:
Acho que isso faz parte da cultura periférica de moda que temos. Mas também penso que o problema é maior… Você também vê hoje editoriais de revistas importantes da Europa e dos EUA que são “reciclados” de editoriais notáveis que foram feitos no passado, às vezes pelas mesmas revistas. Na moda, o hábito da repetição, da reciclagem e da cópia é muito forte e é universal.


Capas das duas últimas revistas “Moda”, editadas por Alcino para a Folha de S.Paulo

D: Em toda a cobertura da temporada, a “Folha” trouxe um ranking das modelos negras nas passarelas. A moda é racista?
A.L:
Creio que sim, da mesma forma como ela discrimina os feios, os velhos e os não magros. Mas existe um outro motivo para o racismo da moda: os negros costumam não estar entre os consumidores. Portanto, o sistema age também de maneira discriminatória por conta de seus interesses comerciais. Uma vez que os negros passem a ser contados entre os consumidores, certamente isso tudo mudará.

D: Depois do caso da morte da modelo por anorexia, você acha que essa história da “ditadura da magreza” diminui ou continua presente? Na última edição do “Moda” você criticou aqueles que falaram mal das curvas da Karolina Kurkova…
A.L:
Continua. Pessoalmente, acho retrógrado e boçal ficar propagando um ideal de beleza que visa a magreza ilimitada, a juventude a qualquer preço e o apagamento total das imperfeições

D: O que te inspira?
A.L:
Uma notícia boa e exclusiva.

D: Onde você se formou? Que curso fez?
A.L:
Sou formado em jornalismo pela PUC-MG e sou mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com tese sobre o diretor italiano Roberto Rossellini.

D: O que uma pessoa tem que fazer para chegar a editor dentro de um grande jornal como a Folha? Qual foi o seu caminho?
A.L:
Olha, meu caminho foi o mais banal possível. Eu morava em Belo Horizonte e li na “Folha” que o jornal estava recebendo currículos para o cargo de redator da “Ilustrada”. Mandei, fui chamado para a entrevista e acabei contratado. Até hoje, o jornal tem essa prática notável e muito democrática, de anunciar publicamente suas vagas de trabalho. E a “Folha” também é muito atenta àqueles que se destacam em suas funções e demonstram uma efetiva paixão pelo trabalho jornalístico.

D: Quais são suas fontes de informação?
A.L:
Tudo. Jornais, livros, revistas, sites, blogs… Mas sobretudo conversas, muitas conversas. Acho que nada, nem mesmo o Messenger nem os emails, substituem uma boa conversa ao vivo ou por telefone.

D: Você acompanha os blogs de moda? Tem algum que gosta de ler?
A.L:
Leio sempre que posso. Alguns são muito interessantes, com informações jornalísticas frescas, críticas fortes ou invenções formais curiosas. O blog que leio com mais freqüência não é de moda, mas de um talentoso crítico cultural francês, Serge Kaganski, no site da revista “Les Inrockuptibles“. De moda mesmo, no Brasil, gosto dos blogs da Maria Prata, da Camila Yahn, do Ricardo Oliveros, do Vitor Angelo, das meninas da Oficina de Estilo, do Sylvain Justum, do Lula Rodrigues, do Mario Mendes, da Olivia Hanssen e das garotas do It Girls, entre outros.

D: Na sua opinião, a moda brasileira segue hoje caminhos de criação próprios ou é uma repescagem de criações vistas nas coleções de temporadas internacionais?
A.L:
Acho que os estilistas mais talentosos do país estão inteiramente dedicados a trilhar um caminho próprio e original. Agora, no Brasil, como em toda parte, existem também os diluidores, os imitadores e os copiadores.

D: Nas semanas de moda do Rio e São Paulo vemos muita repetição de fórmulas e pouca criação. Por isso, há quem defenda a unificação dos dois eventos e, conseqüentemente, a eliminação de marcas que apenas desfilam “coleção de show-room”. O que você acha disso?
A.L:
Acho uma discussão inútil, uma perda de tempo. São Paulo congrega a maioria de grifes importantes e criativas. Mas não são as únicas. Também no Rio há grifes relevantes, ainda que em menor número. Devem existir outras grifes significativas, pequenas e pouco conhecidas, no Nordeste, no Sul, no Norte… Uma semana de moda não é um festival de melhores estilistas do país, mas um evento comercial que visa a apresentar para a imprensa especializada, para o comércio e, portanto, para os consumidores as coleções de cada marca e a imagem da grife para a temporada. Que algumas grifes estejam em São Paulo, no Rio ou em outra parte, isso tem a ver com a estratégia de mercado e de marketing de cada uma delas. Por que você acha que a Lacoste, grife francesa, não desfila em Paris, mas em Nova York? Porque em Paris ela seria apagada por grifes muito mais fortes do ponto de vista criativo ou da história da moda. E, no entanto, ela é uma das mais poderosas marcas francesas. Para a Lacoste, Nova York funciona bastante bem como vitrine midiática e comercial para o mundo. Por outro lado, por que as mais criativas grifes italianas, como a Prada, preferem desfilar em Milão do que irem para Paris, onde estariam ao lado de seus pares vanguardistas? Porque a Prada está interessada em fortalecer a indústria e o mercado fashion italiano. Ir para Paris seria uma deserção nacional. Não podendo ir com a marca principal, no entanto, a Prada mandou a sua marca secundária, a MiuMiu, para Paris, por estratégia mercantil. E por que a semana de Paris aceitou a MiuMiu, que é muito mais convencional que a Prada? Porque a semana de Paris não é feita apenas de grifes de vanguarda e altamente criativas, mas de outras também, que têm grande expressão comercial. Enfim, o sistema da moda é complicadíssimo. Ele não é feito à imagem e semelhança do gosto da crítica, mas atende sobretudo a complexas questões econômicas, sociais e até geopolíticas.

D: Em uma revista Moda, da Folha, você trouxe a seguinte declaração em editorial: “abaixem os preços, democratizem a cultura de moda e parem, então, de reclamar que os brasileiros se vestem tão mal!”. Você poderia desenvolver mais esse assunto? O brasileiro se veste mal? O que precisamos para democratizar a cultura de moda?
A.L:
Com freqüência, no meio da moda, ouço alguém falar que “os brasileiros se vestem mal”. Mas o que é “o brasileiro”? É uma generalização. Como falar “do brasileiro” se há tantas diferenças socioculturais e econômicas no país? O que quis chamar a atenção neste artigo é para a questão social e econômica. As grifes internacionais têm o mercado global para venderem seus produtos. Mas as grifes nacionais só têm, em geral, o mercado brasileiro, que, aliás, é potencialmente enorme. No Brasil, onde a maioria da população pertence às classes B e C, para não falar da D, você não terá um desenvolvimento industrial das grifes que fazem roupas com design (o “fashion”) se não houver uma democratização dos preços acompanhada de uma difusão do gosto pela moda. É uma opção de cada grife: tornar-se apenas uma fabriqueta, quando não um simples ateliê, dirigido para uma pequena elite; ou tornar-se uma grande indústria, que vende e difunde moda para um largo público. Agora, é preciso entender também que o brasileiro não se veste como o europeu. Se tomamos como parâmetro de gosto o estilo europeu (seja ele londrino, parisiense ou milanês…), nunca vamos entender o que faz o “estilo” do brasileiro. Este tem a ver com inúmeros componentes sociais e históricos próprios do país. Por exemplo, a herança da nudez indígena em nosso comportamento, ou a influência determinante dos trajes das escravas… Ninguém vai fazer “o brasileiro” se vestir melhor mudando esta cultura, que, por sinal, nos enriquece tanto, num mundo onde as pessoas tendem a adotar um estilo cada vez mais “global” e “internacional”. O interessante é associar o novo gosto global com o charme de nossa história particular.

D: Nessa temporada, alguns estilistas optaram por subverter a exibição tradicional de suas coleções, fazendo performances (caso de Rita Wainer e Lorenzo Merlino, por exemplo). Como você vê isso? Acha que o desfile é um modelo desgastado?
A.L:
Certamente, os desfiles não são a única forma de exibição das coleções. Mas sair da forma tradicional do desfile implica em redobrar a criatividade da apresentação. É preciso muito talento para conseguir mostrar as roupas num show diferente, não ortodoxo.

D: Como consumidor, o que você está gostando mais para o verão?
A.L:
Gosto especialmente do modo como algumas grifes masculinas vêm utilizando a alfaiataria de maneira mais informal e cool.

8 jul

Depois de uma breve pausa, o Descolex volta com a série de entrevistas com o pessoal que faz a moda acontecer. Dessa vez, a entrevistada é a assessora de imprensa e dona da namídia, Mercedes Tristão. Conheci a Mercedes quando meu blog estava começando, em abril de 2007. Ela e a sócia Márcia Fonseca organizavam o “Tendências Contemporâneas”, um encontro de gente bacana para falar de moda e tudo que a cerca e alimenta. Além de uma experiência muito enriquecedora, o “Tendências” me possibilitou conhecer pessoas e pensamentos incríveis. Foi ali que senti, pela primeira vez, que uma assessoria encarava os blogs como veículos de informação. Nessa conversa, Mercedes fala mais desses encontros, conta um pouco da sua trajetória e do trabalho de um assessor, dá sua opinião sobre a famigerada Fila A dos desfiles – “Tem revista que passa seis meses sem colocar uma peça da marca no editorial, sem dar atenção, mas chega lá na hora quer sentar na primeira fila” – e ainda comenta sua relação com os blogs.

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Mercedes (à esq) e sua dupla inseparável, a sócia Márcia (foto: Maurício Humberto)

Confira a entrevista: 

Descolex: De onde surgiu a idéia do “Tendências Contemporâneas”?
Mercedes Tristão: Tinha muita vontade de reunir pessoas para discutir não só a moda, mas a música, o design… Compartilhar conhecimento. Num almoço com a Biti Averbach e a Claudia Berkhout [ambas, jornalistas de moda], comentei sobre esta vontade e elas ficaram superanimadas. Na mesma hora marcamos uma data e a Biti disse que convidaria alguns amigos blogueiros. Confesso que até então não conhecia muito esta “nova mídia”. Foi aí que conhecemos toda a turma! No primeiro encontro do “Tendências Contemporâneas” foram Biti, a Fê do Oficina de Estilo, você, o Luigi, o Ricardo Oliveros (que não tinha blog ainda. Acho que só depois do segundo encontro vocês fizeram a cabeça dele), a Laura, a Claudia Berkhout, a Andréa Naccache… Puxa, que noite deliciosa! Não vou esquecer nunca! Mas foi a partir daí que passei a entender a importância, o alcance, a liberdade editorial dos blogs. Fiquei fã. 

D: E porque o “Tendências” não continuou?
M.T: Ele não acabou não! Como disse antes, tinha uma imensa vontade de juntar pessoas para debater, trocar figurinhas sobre o nosso meio.  Por que não passar pra frente experiências boas e ruins? Comentando com algumas pessoas próximas, descobri que não era uma vontade só minha. No primeiro encontro eu e Márcia ficamos aflitas, achando que ninguém apareceria. Que nada!  Você lembra bem! Não vejo a hora de reunir a “velha turma” novamente. Precisamos definir melhor o formato do projeto, mas o “Tendências Contemporâneas” é algo ambicioso e vai continuar. O último encontro foi na casa da Andréa Naccache, onde nos reunimos para assistir a uma entrevista do Yohji Yamamoto sobre seu processo criativo. Depois, além dos compromissos profissionais da namídia fiquei doente e não consegui organizar outro.

D: Desde quando você trabalha com moda?
M.T: Trabalho com moda desde os 17 anos. Meu irmão mais velho trabalhava numa marca que era cliente da Suzana Schreiner. Ela comentou que estava à procura de uma estagiária e, como na época eu fazia uma oficina de jornalismo, ele me indicou. Conversamos por telefone e lá fui eu… O primeiro encontro ia ser coisa séria: um evento de final de ano da Valisère para a imprensa no Panino Giusto, ali na Augusta. Quase deu tudo errado porque cheguei mega atrasada. A pessoa que me esperava já estava fechando o escritório. Quando me viu ficou irritada, porque ia ter que abrir tudo de novo para pegar um look que a Suzana havia separado pra eu vestir. Essa pessoa era a Márcia, minha sócia hoje (risos). Foi lá que aprendi a trabalhar, com Suzana e Márcia. Era uma das mais importantes assessorias. Durante muito tempo fomos responsáveis pela divulgação de marcas como Zoomp, Lino Villaventura, Blue Man, Iódice e Nike. Também fazíamos a divulgação de desfiles internacionais do Louis Féraud e da Anna Molinari lá na Phabrica (antigo espaço do Paulo Borges e Cristiana Arcangeli). Bons tempos… Estava tudo no comecinho!

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“Momento pra sempre na memória. Este foi o primeiro desfile que assisti do Ronaldo. Nem trabalhávamos juntos ainda. Chorei horrores com aquela moda intelectual” (Foto: Nino Andrés)

D: Quando a namídia entra nessa história?
M.T: Trabalhei com a Suzana durante quatro anos. Depois, fui para a Iódice, onde fiquei dois anos e meio. A Márcia tinha saído para ter bebê, depois ficou um tempo fazendo freelas e passou a me “apurrinhar” para abrirmos uma assessoria. Depois de muitas noites sem dormir, resolvi topar o desafio. A namídia completa agora em agosto sete anos.

D: Onde você se formou? Porque optou pela assessoria de imprensa?
M.T: Fiz jornalismo na FIAM. Assessoria não foi uma opção. Topei o estágio na Suzana porque estava para entrar na faculdade, queria experimentar. Nunca imaginei que fosse ficar. Eu mesma tinha um certo preconceito em relação à moda. Queria mesmo era ser jornalista especializada em música. Um André Forastieri de saias (risos)… Mas, quando me dei conta já não dava mais. Até fiz algumas entrevistas em TV (MTV, TV Cultura), mas minha experiência era zero. Foi aí que pintou o convite para ir para a Iódice, para trabalhar com a Ana Darce. Fui pra cuidar exclusivamente da imprensa Brasil. Depois de um tempo ela saiu e fiquei responsável por tudo.

D: O que faz um assessor de imprensa?
M.T: Cabe ao assessor de imprensa transformar o produto, a mensagem do cliente em notícia. Ser a ponte entre cliente e imprensa. Um facilitador, digamos assim. Um assessor de imprensa deve ter várias qualidades: ter um bom texto, ser um pouco repórter para enxergar possibilidades, ter boas idéias, ser um bom RP, ser um pouco terapeuta (risos). Mas, confesso que encontrar um profissional assim é bem difícil. Por isso, a união faz a força. O que acontece é que o papel da assessoria hoje é diferente de quando comecei. Atualmente o trabalho é muito mais pró-ativo, o cliente espera que você seja também marqueteiro, captador de patrocínios, por exemplo. Somos avaliadas pelo que sai na mídia. E quando não acontece da forma esperada não significa que não houve trabalho, que a marca não foi batalhada. O nosso papel é fazer com que a notícia, o produto, chegue ao jornalista da forma correta, no tempo certo. A partir daí cabe a ele decidir se entra ou não.

D: Há quem afirme que trabalhar em assessoria é mais tranqüilo do que em uma redação. Você concorda?
M.T:
Nunca trabalhei em redação, mas pelo que escuto de amigos sei que é bem puxado. Mas em assessoria não é diferente. Os problemas são outros, é claro! O assessor fica entre o cliente e a imprensa. É preciso muito jogo de cintura e paciência para lidar com esses dois lados.

D: Qual sua dica para quem quer ser um bom assessor de imprensa?
M.T: Eu diria que é preciso acreditar, antes de qualquer coisa, na mensagem, no produto que está vendendo. Caso contrário, você não encontrará argumentos suficientes para transmitir para a imprensa. Outra dica: relacione-se bem com todo mundo. Um produtor hoje pode ser um editor amanhã.

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“Foi um presente participar de momento tão importante para a história da moda nacional. Participei desde o comecinho e tinha que ficar com o bico calado, pra não vazar nenhuma informação. Além de agüentar as broncas de jornalistas que não podiam entrar no backstage. Este trabalho, pra mim, é moda e arte. E pura poesia.” (Foto: Sandra Bordin/ Coleção “A Costura do Invisível”, de Jum Nakao)

D: Como você vê os blogs de moda hoje? Como tem sido a relação da assessoria com esses “veículos”?
M.T: Um caminho sem volta! É maravilhoso o alcance, a forma democrática de as pessoas poderem deixar seus comentários, críticas… Acho que as marcas, as assessorias ainda não se deram conta da importância deste espaço. É algo tão dirigido, certeiro. Afinal, só entra ali quem tem realmente interesse. Incrível a iniciativa da Lilian Pacce de lançar um blog-site. Mais atual impossível. A namídia, até por conta do Tendências, já não vive sem os blogs. Toda a estratégia que fazemos para os nossos clientes inclui vocês. 

D: E como você vê a imprensa de moda no Brasil de hoje em relação ao que era nos idos tempos de Morumbi Fashion?
M.T:
Como toda a cadeia, a imprensa de moda no Brasil está mais profissional. Os principais veículos do país têm as suas colunas e jornalistas especializados na área. Mas ainda dá um aperto no coração quando abrimos um importante jornal, de tradição, reproduzindo um release enviado pela assessoria. Se por um lado, o cliente fica satisfeitíssimo, eu como jornalista fico bem frustrada. Ou quando você abre um editorial de moda e vê que é uma cópia da Vogue América de dois meses atrás. Triste ver que as revistas de moda quase não têm espaço para novos designers. Claro, elas precisam vender, temos que levar em conta o lado comercial. Mas se não são elas que vão divulgar, alimentar o leitor com o novo, quem vai ser? E, às vezes, fico com a impressão de que certas informações não são devidamente checadas. Talvez a nossa imprensa seja um pouco ingênua ou crédula demais.

D: Vocês fazem toda a assessoria da Casa de Criadores e também têm clientes desfilando no SPFW. Quais as diferenças, do ponto de vista da assessoria, de trabalhar nesses dois eventos?
M.T:
A primeira é que fazemos assessoria para todo a Casa de Criadores. Como muitas marcas não têm assessoria, cuidamos praticamente de toda a divulgação (institucional + marcas). Os desfiles são seqüenciais, não recebemos muitos jornalistas de outros estados e de fora do país (ainda). O mapeamento acaba sendo mais tranqüilo. Além do mais, somos responsáveis somente pela imprensa. O André Hidalgo (idealizador do evento), geralmente, contrata um RP para convidar formadores de opinião. Já no SPFW cuidamos exclusivamente do cliente. No desfile do Ronaldo Fraga, por exemplo, somos responsáveis por todo o mapeamento: imprensa, clientes multimarcas, patrocinadores, possíveis patrocinadores, celebridades, clientes do varejo, amigos.  É uma grande responsabilidade.

D: É a assessoria de imprensa a responsável, junto com a marca, por determinar os lugares de cada convidado dentro da sala de desfiles, certo? Como é esse trabalho?
M.T:
Acho que a fórmula é a mesma pra todo mundo. Uma combinação de imprensa, compradores, formadores de opinião e patrocinadores.  Mas nem sempre é possível convidar todas as pessoas, porque muitas delas não podem receber um convite lá atrás.

D: E a Fila A? Como fazer caber imprensa, celebridades e convidados do estilista em tão poucas cadeiras?
M.T: Definitivamente é a dança das cadeiras. Mas temos que tentar priorizar imprensa, formadores, compradores e patrocinadores. É sempre um Deus nos acuda! Tem revista que passa seis meses sem colocar uma peça da marca no editorial, sem dar atenção, mas chega lá na hora quer sentar na primeira fila.

D: Se tudo é numerado, com mapeamento e envio de convites, porque é inevitável aquela confusão básica de cadeiras antes do desfile? O que fazer quando tem um chato sentado no lugar que não é dele?
M.T: Primeiro porque muita gente que está ali não tem a real noção do que representa. Vai pelo evento, para ver as pessoas. Um pouco tupiniquim, mas fazer o quê?! São essas pessoas que desrespeitam o nosso trabalho e também os profissionais que precisam trabalhar. E na confusão, nem sempre conseguimos enxergar quem está sobrando, ou melhor, quem está na primeira fila e que não deveria estar. É jornalista que leva a filha, editor que passa o convite para o cabeleireiro tal e que quer que ele sente ao seu lado, estudantes que sentam e depois dão o maior trabalho pra sair. Mas, quando percebemos que tem gente no lugar errado vamos lá e tiramos. 

D: Você tem alguma história engraçada de Fila A que possa contar?
M.T:
Você quer dizer, trágicas, né (risos)? Ah, temos muitas. Mas sempre envolve pessoas conhecidas. Bom, nos meus tempos de Suzana tinha sempre um cara (para gente ele era o Gordinho) que ia a todos os eventos que fazíamos. A Suzana na porta e lá estava ele querendo entrar, enchendo o saco. E ele não era de imprensa, não era comprador. Era simplesmente uma pessoa que gostava do ‘circo’. E não era que ele sempre conseguia driblar os seguranças?! Era impressionante. Quando percebíamos, lá estava ele, com uma taça de champagne na mão, dando tchauzinho. Até que um dia ele me “salvou”. O desfile estava para começar, toda a fila A ocupada e chega a Erika Palomino. Saí correndo pra ver se avistava alguém, uma alma boa, e o Gordinho na primeira fila… Claro que de bico! Mas, fui com todo o jeitinho e ele saiu. Problema resolvido, acabamos coleguinhas.

D: Alguns estilistas optaram por subverter a exibição tradicional de suas coleções, fazendo performances (caso de Rita Wainer e Lorenzo Merlino, por exemplo) e tirando as cadeiras. Como você vê isso? Acha que o desfile é um modelo desgastado?
M.T:
Não acho desgastado. Mas que é um alívio quando não precisamos numerar e mapear as cadeiras, isso é. De vez em quando é bom optar por uma fórmula diferente. Desde que dê para a imprensa e convidados entender, ver direito a coleção.

D: Você está de licença maternidade, certo? Mas, você conseguiu acompanhar um pouco do que rolou nessa temporada que acabou?
M.T:
Sim, estou voltando ao trabalho nas próximas semanas. Mas fui ao desfile do Ronaldo e acompanhei alguns poucos desfiles pelo GNT Fashion, sites e blogs. Do que vi, gostei muito da Maria Bonita Extra (O Amante, livro de Marguerite Duras que serviu de inspiração, é um dos meus preferidos), Maria Bonita, Ronaldo Fraga, Maria Garcia e Priscilla Darolt.

D: Quais blogs você gosta de ler, recomenda?
M.T:
A lista é bem grande… About Fashion, C’est Sissi Bon, Hypercool, Dus Infernus, Descolex, Fora de Moda, Oficina de Estilo, Blog da Cami, Mario Mendes, Moda Sem Frescura, Moda sob Medida, Prataporter, Tangerine, Caminho Dourado, Vodca Barata, Moda pra Ler, Estilo Quem, On the Runway, Suzi Menkes; Pedro Alexandre Sanches, Zé Pedro, Zeca Camargo, Trópico. Espero não ter esquecido nenhum. 

D: Quais são suas outras fontes de informação?
M.T:
Revistas de moda, de decoração, de cultura, Piauí, caros amigos, sites, rádio, livros, marido e amigos jornalistas (risos). Ah, e recebo muitas newsletters. Como vem por e-mail, guardo pra ler quando sobra um tempinho.

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