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18 jul

Ela tem “catiguria” e gosta de homem de “cueca maneira”. A prostituta Bebel, interpretada pela atriz Camila Pitanga na novela Paraíso Tropical está, digamos, na boca do povo. E seu estilo, do tipo “tudo ao mesmo tempo agora”, misturando a moda de Copacabana, a cultura do funk (lembrei do livro Meninas do Brasil, citado pela Oficina de Estilo lá no BlogView) e a perua das oncinhas, paetês e muito brilho, certamente tem tudo para ser um hit do próximo verão. Quer uma pequena prova? O portal de notícias da Globo, o G1, deu uma matéria no dia 3 de julho falando do sucesso do famoso body “engana mamãe”, muito popular nos anos 60 por ter uma cara comportada na frente, tipo um maiô e ousada atrás, como um biquíni. A reportagem conta o caso de uma grife da zona sul carioca que viu seus modelos – R$ 240, em média – se esgotarem após a atriz aparecer com um exemplar de oncinha na novela. A mesma matéria traz também uma série de depoimentos de mulheres, dos 27 aos 57 anos (!!!) que se declararam mega felizes com suas aquisições “pra lá de sexies”. E não é só nas ruas que esse modelo faz e ainda vai fazer bastante sucesso.

Os maiôs engana-mamãe de Bebel

Nas passarelas pude observar muitos maiôs, macacões e até vestidos utilizando a mesma idéia. Aliás, isso só me trouxe uma dúvida: Bebel influencia a moda verão 2008 ou é a moda verão 2008 que influencia Bebel? Enquanto não descubro a resposta (digam vocês!), uma coisa eu tenho certeza: não existe passarela maior que a novela das oito.

Da esq. para a dir.: Água de Coco, Cia. Marítima, Poko Pano e Blue Man


Da esq. para a dir.: Zoomp, Reinaldo Lourenço, Colcci, Triton e Cia. Marítima

Enfim, essa moda sexy com megadecotes, muito brilho, lurex, microssaias e salto altão, essa moda com um “pé na piranhice” (sem preconceitos, hein gente?) é bem provável que aconteça…. para a tristeza de alguns elegantes que conheço. Por falar em elegantes, lembrei de uma entrevista que o estilista brasileiro Francisco Costa, da Calvin Klein, concedeu à Folha. Quando perguntado sobre o que ele gostava e o que não gostava no estilo das brasileiras, respondeu: “Existem pessoas chiquérrimas no Brasil. Mas existe uma atração muito grande pela vulgaridade – não só aí, mas em todo mundo -, devido a uma série de fatores, inclusive econômicos. Tenho pavor de barriga de fora, por exemplo”. Pois é, Costa, a Bebel acabou trazendo à tona exatamente essa moda com um pé na vulgaridade. Ouso até dizer uma moda de rua autêntica, bem brasileira. E o engraçado é que enquanto Bebel toma aulas para se tornar uma moça chique, as chiques de carteirinha estão no caminho inverso. Todas querem ser Bebel.

Pós-post: o que separa a vulgaridade da sensualidade?

- Esse post foi originalmente publicado no BlogView