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17 set

Hugo Toni
Janete-Friedrich-editorial

Janete Friedrich em editorial para o Fashion4Fun

Mea culpa: faz um tempão que eu sei sobre a criação desses dois blogs, mas com a correria acabei esquecendo de contar pra vocês. Bom, antes tarde do que nunca. O primeiro são de três colegas de faculdade – Hugo Toni (que fez o editorial dos nerds aqui por blog!), Henrique Tank, João Massaro e Lolô Porcel (que fez o tratamento das imagens do mesmo editorial). O blog deles chama-se “Fashion4Fun” e traz posts sobre tudo que a gente gosta: moda, música, arte, cultura, tendências… Tudo escrito numa linguagem super informal e gostosa de ler. O Hugo, que é um super fotógrafo e mega amigo das agências de modelos, fez inclusive um editorial incrível com a Janete Friedrich, modelo destaque do último SPFW. Só por isso já vale dar um pulo lá.

Diesel Liquid Space from Marcelo Baldin on Vimeo.

O segundo blog é do meu amigo Jorge Patrocínio + o Exequiel Felipelli, a Nat Naville e o Vitor Alves. “Mistura Urbana” fala de arte, design, dança, moda, música, noite e tecnologia… Tudo junto e misturado! Foi lá que eu assisti a um vídeo muito bacana de um desfile da Diesel em 2007, o “Diesel Liquid Space Fashion Show”. Eu tinha visto as fotos, mas sei lá porque nunca me ocorreu de procurar o filme. Eu tava marcando, né? A apresentação foi muuuito legal, com hologramas e gráficos no meio da passarela. Pra quem ainda não tinha visto, tem que conferir. Se você já viu, é legal relembrar!

Bom, agora, dívida paga, né? Não vou levar essa karma pra próxima encarnação… Rs.

18 abr
Separando uns jornais velhos para jogar fora, me deparei com um artigo no caderno Mais, da Folha de S.Paulo, bem interessante. O jornalista Marcelo Leite, responsável pelo blog Ciência em Dia, comenta essa nova onda da moda de querer ser “ambiental” e critica, especificamente, um anúncio da marca de jeans Diesel. Apesar de ter sido publicada em 18 de março, acho que teve gente que pode não ter visto. Por isso, coloco o texto abaixo. Espero que gostem! :-)

Impostura verde

Coluna Ciência em Dia
Marcelo Leite

Hoje em dia ninguém mais cita o filósofo Gilles Deleuze (1925-1995) em jornal -a não ser, talvez, para criticá-lo. Mesmo quem o conhece mal, porém, não deixará de reconhecer como é certeira sua caracterização do marketing como “a raça impudente de nossos senhores”. Em especial se topar com um anúncio da nova coleção de roupas Diesel.
Pessoas sensatas, em tempos normais, pensariam duas vezes antes de adquirir confecções de uma empresa que publica no Brasil anúncios inteiramente em inglês. Só que nosso tempo há muito deixou de ser normal. E o Brasil, todos sabem, nunca foi sério. Precisava carimbar a campanha com um “Global Warming Ready”, porém? Para quem não sabe, a frase quer dizer “pronto(a) para o aquecimento global”. Noutro lugar, anuncia-se que são roupas para permanecer “cool” (bacana, ou, literalmente, fresco) enquanto o mundo se aquece.

As imagens utilizadas são ainda mais loquazes. Numa delas, um rapaz de camisa aberta lambuza com filtro solar a garota em vias de trepar num coqueiro. Seria só a ração cotidiana de nonsense da publicidade de moda, não fosse pelo carimbo mencionado e por mostrar no fundo, à esquerda, o mar batendo no topo do que parece ser o monte Rushmore, nos EUA.
A face esculpida em pedra, com água pelo nariz, talvez seja a de Abraham Lincoln. Não aparecem na imagem as outras três do famoso monumento em Dakota do Sul: George Washington, Thomas Jefferson e Theodore Roosevelt. O quarteto de presidentes só se mostra por inteiro noutro quadro, em que um modelo sarado lê um livro com geleiras na capa, deitado na areia da mesma praia. A mesma alusão à elevação do nível dos mares como resultado do aquecimento global surge num plágio deslavado do filme “O Dia Depois de Amanhã”. Em tela, arranha-céus de Nova York (Chicago?) com água na cintura.

Nesse álbum disparatado ainda há espaço para araras no lugar dos pombos da praça São Marcos em Veneza, vegetação equatorial ao lado da torre Eiffel e gente de biquíni ao lado de pingüins. Na Antártida, supõe-se. A publicidade não tem nem precisa ter compromisso com a realidade, sequer com a verossimilhança. Seu liquidificador de signos já nasceu pós-moderno. O que salta aos olhos são os sobretons frívolos para retratar uma questão de sobrevivência.
O aquecimento global virou moda, modismo. Já houve até evento fashion “carbon-neutral”, em que hedonistas compungidos voluntariam uns caraminguás para plantar árvores, não se sabe nem se quer saber onde. Peles de animais, contudo, voltaram a ser chiques. O mundinho é verde, ma non troppo.
Ao final, todos montam em seus jipões 4×4 movidos a (muito) diesel e rodam superiores sobre o asfalto esburacado das metrópoles brasileiras. Os mais radicais se filiam a alguma ONG -com nome em inglês, claro.

Dá vontade de incorporar um “nerd” rápido. Lembrar que Dakota do Sul fica no meio dos Estados Unidos, onde o mar nunca vai chegar (não na escala de tempo que interessa à espécie humana). O monte Rushmore, aliás, está 1.745 metros acima do nível do mar, que deve subir só meio metro nos próximos cem anos, segundo a última previsão do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática).
Quem é que quer saber de informação, no entanto? O negócio agora é ser “ambiental”. Qualquer dia desses nasce a grife Biodiesel. Lula vai a-do-rar.