/ Categoria / dicas



13 set

Se tem uma coisa que me deixa profundamente preocupado quando eu decidir voltar pro Brasil é sobre como eu vou fazer pra carregar tantos livros que eu já comprei aqui em Londres (e em Berlim também!) na mala. Gente, sabe aqueles livros de fotos incríveis e enormes que a gente vê na loja e fica babando sem nunca levar porque custam 300 contos? Aqui, dá pra encontrar um monte deles por, tipo, 50 reais. É muito muito barato mesmo. E o meu problema ficou maior ainda depois que a Thais Losso, estilista queridíssima, passou por aqui e me deu a dica de quatro livrarias de moda sensacionais. Cada uma tem sua particularidade, mas são visita obrigatória pra quem está planejando uma futura viagem pra cá:

ReproduçãoSoho-Original-Books

Soho Original Books
Localizado na região gay mais turística de Londres, é um misto de livraria e sex shop. Mas, esqueça aquele ambiente obscuro de inferninho com vibradores pendurados nas paredes, ok? Trata-se de um lugar super cool, de decoração charmosa, com gente interessante passeando pelas prateleiras que misturam livros de fotografia erótica com obras dedicadas ao design e à arquitetura numa boa. Sem falar nos livros raros de moda, nas melhores revistas do mercado e coisinhas para presente.

121 Charing Cross Road
Estação do metrô mais próxima: Tottenham Court Road

Reproduçãoclaire-de-ruen-books

Claire de Rouen
Saindo da Soho Original Books, você entra numa portinha à direita e sobe as escadas. Você estará na Claire de Rouen, a livraria preferida dos estilistas David Bailey e Giles Deacon. Fundada pela ex-gerente da legendária e defunta livraria de arte “Zwemmers”, o espaço é dedicado exclusivamente à moda e fotografia. Tanto que nela há dois espaços de exposição, um deles reservado somente para apresentar novos talentos. Nos seus estoques, diversos títulos, incluindo edições raras, antigas, de colecionadores e algumas assinadas pelos próprios autores. Marcando um horário, a própria Claire acompanha você na sua pesquisa, te deixando de boca aberta com seu conhecimento e memória referencial de moda.

125 Charing Cross Road
Estação do metrô mais próxima: Tottenham Court Road

Reproduçãord-franks-books

RD Franks
Fundada em 1877, a RD Franks é o melhor destino para os apaixonados por revistas. Dizem que é a que possui a maior variedade de títulos especializados em moda aqui em Londres. Me contaram que, uma vez, uma cliente estava desesperada já, procurando a edição da Vogue Itália dedicada aos negros. É realmente bem difícil encontrar a versão italiana da publicação por aqui e ela precisava muito da revista. Sugeriram que ela ligasse na Franks. O vendedor do outro lado responde: “Temos sim”. Sem acreditar, ela diz: “Mas, vocês têm certeza que é aquela com a Naomi Campbell na capa?”. A voz do outro lado: “Claro. Quer reservar?” Ela: “Com certeza”. O vendedor: “Para quem devo reservar?”. E ela: “Naomi Campbell”. Verdade ou mentira, pelo menos a história é boa.

5 Winsley Street
Estação do metrô mais próxima: Oxford Circus

Reproduçãothe-dover-bookshop

The Dover Bookshop
Essa é perfeita pra quem vem a Londres fazer pesquisa de referência, seja estilista, designer ou ilustrador. É que a loja é especializada em material “copyright and permission free”. Você pode escolher levar o livro inteiro ou CDs de imagens e depois fazer o que bem entender com elas quando chegar em casa, sem se preocupar com direitos autorais. Desde 1986 eles pesquisam, reúnem e colecionam esse tipo de material. Portanto, o arquivo deles é extenso, cobrindo diversos estilos e épocas. No site, da para pesquisar uma parte desse acervo, mas se você quer algo especifico, pode solicitar pessoalmente ou por e-mail. É de cair o queixo.

18 Earlham Street
Estação do metrô mais próxima: Covent Garden

25 ago

Glauco SabinoBerliner-Dom-Berlim
Berliner Dom

Vou confessar que estava super com pé atrás de ir pra Berlim. A cidade nunca foi meu objetivo ao vir pra Europa, mas acabei decidindo em ir porque as passagens estavam realmente baratas. Tinha essa impressão errônea de que os alemães são frios e estava apavorado com o fato que eu não sabia uma palavra da língua. Enorme engano meu. Lá, só tive o prazer de encontrar pessoas ótimas, simpáticas e que falavam inglês perfeitamente. Super tranqüilo: pude me comunicar numa boa com todo mundo mesmo, do vendedor da lojinha de cigarros até o motorista de ônibus. Fiz todos os programas básicos de turista: visitei o Checkpoint Charlie, a linda “Ilha dos Museus”, tirei fotos no Muro, conheci o Portão de Brandenburgo, o impressionante Memorial do Holocausto… Mas, o que mais vai ficar na minha memória é a vibração da cidade, cheia de gente jovem, muitos artistas, galerias de arte alternativas, cafés de uma charmosa decadência e incríveis baladas.

Glauco SabinoMemorial-Holocausto-Berlim
Memorial do Holocausto

A mais incrível de todas, que por sinal é considerada a número 1 do mundo segundo ranking da revista inglesa DJ Mag, é a Berghain-Panorama. Como todos os clubes e bares que eu conheci na capital da Alemanha, ela tem um ar bem underground. Fica no meio do nada, numa zona de fábricas desativadas do leste berlinense. Não há letreiro, nem número. Você só sabe que está chegando perto quando começa a ver uma movimentação de pessoas rumo à entrada dessa usina abandonada às 5h da manhã. Peguei uma fila tranqüila, de 20 minutos. Mas, muitos amigos disseram que chegaram a ficar mais de duas horas esperando para entrar até serem barrados na porta por um host pavoroso. O cara é de dar medo mesmo. Mas, acho que tive sorte. Entrei fácil.

ReproduçãoBerghain-Panorama-Berlim
A entrada do Berghaim-Panorama, uma das baladas mais lokas que eu já fui na vida

Lá, todo mundo se mistura: gays e héteros, roqueiros e hippies, patricinhas e lethers… No térreo, há uma lojinha improvisada e a chapelaria. Subindo uma escadaria, chega-se à pista principal, que é a porção Berghain do clube. Com pé-direito de uns 15 metros, tem som entre house e techno. Outro lance de escadas leva ao segundo andar, a metade Panorama do espaço. A pista funciona no centro de um grande recinto quadrado, com paredes de ladrilhos brancos. O DJ toca num balcão baixo, bem ao alcance do público, vertentes de house, tech house, deep house… Incrível é quando, no auge da festa lá pelo meio-dia, eles abrem por segundos as enormes persianas do espaço deixando a luz do dia entrar. A galera fica eufórica.

Divulgaçãoberghain-flyer-2010-08-1
Flyer do mês de Agosto

Só que as pistas são só uma parte do programa: um passeio pelos corredores da usina revela lounges, com sofás muito velhos, ante-salas para banheiros fervidíssimos e até um jardim, onde, lá pelas 15h, rola uma terceira pista improvisada que lembra uma mistura de rave com pool party. Enfim, Berghaim-Panorama é uma balada que merece o título que tem, onde é fácil conhecer pessoas e o único desejo de quem vai ali é de se divertir como se não ouvesse amanhã. Já quero voltar pra lá.

Glauco SabinoEast-Side-Gallery-Muro-Berlim
East Side Gallery, no Muro de Berlim

No Flickr do Descolex, eu postei uma galeria de fotos da East Side Gallery, maior trecho remanescente do Muro de Berlim, onde artistas de diversas partes do globo fizeram intervenções. Algumas pinturas e grafites são bem legais, outras parecem mais um desenho tosco de criança. Enfim, vocês podem opinar…

Já no site do iG Moda, saiu uma reportagem minha sobre a moda em Berlim, com um guia de lojas e brechós imperdíveis. Tem até uma loja second hand enooorme, onde a roupa é vendida por quilo! Vai lá ver.

30 jul

Desde o dia que eu decidi fazer faculdade de jornalismo pra trabalhar com moda, eu sabia que a Central Saint Martins (CSM) era o lugar mais incrível pra estudar depois que eu pegasse meu diploma. Como todo mundo já deve estar careca de saber, a escola é considerada a Harvard da moda e responsável por revelar nomes como Alexander McQueen, Stella McCartney, John Galliano, entre muitos outros… E foi na faculdade em São Paulo, há uns cinco anos, que eu comecei a planejar essa tão sonhada vinda pra cá. Por que tanto tempo? Porque morar em Londres e fazer um curso na Saint Martins realmente não é nada nada nada barato… O jeito era ir juntando dinheiro aos poucos. A Saint Martins é umas das faculdades da University of the Arts London, que tem mais outras cinco faculdades sob seu chapéu. Por lá, os cursos dividem-se basicamente em graduação, pós-graduação, mestrado e cursos curtos.

Maria Eugênia CaminhaCSMentrada
A CSM já revelou nomes como Alexander McQueen, Stella McCartney e John Galliano

Pra se ter uma ideia da grana que se gasta numa graduação, um estudante brasileiro que queira fazer o bacharelado em “Criticism, Communication and Curation: Arts and Design” tem que pagar por ano, durante três anos, mais ou menos o equivalente a R$ 40 mil. Isso sem contar todos os custos que se tem ao morar em uma das capitais mais caras da Europa, onde estudantes estrangeiros têm hoje a permissão para trabalhar legalmente apenas 10 horas por semana ganhando quase sempre o salário base (o que em reais e por mês, dá cerca de R$ 768). Esses 768 contos não são nada perto do que o Britsh Council, órgão público cuja missão é difundir o conhecimento da língua inglesa e de sua cultura, calcula que seja necessário para se viver por mês na capital britânica: R$ 2560! Aliás, isso nem é uma recomendação, é uma exigência. Para se tirar o visto de estudante para Inglaterra, você é obrigado a comprovar ao consulado que tem na sua conta o dinheiro necessário para viver em Londres por todo o período do seu curso, sem trabalhar. Fazendo os cálculos, portanto, a brincadeira fica em R$ 30.720 por ano. Somando com as mensalidades, quase R$ 71 mil reais ao ano!

E como nem todo mundo é filho de pai rico, o que eles fazem?

Três opções:

1- Tentam alguns dos poucos programas de bolsas destinados a estudantes da América Latina, que geralmente são mega concorridas, bem mais que qualquer vestibular pra medicina da USP. Uma das mais famosas é o programa Chevening. Mas você pode dar uma pesquisada na própria área de bolsas de estudo do site da CSM.
2- Tentam primeiramente conseguir alguma cidadania européia. Para brasileiros, a italiana é a mais comum. Quando conseguem, o curso cai para R$ 10.600 ao ano. Isso, é claro, se o estudante se qualificar para, digamos, receber esse “desconto” (precisam já ter morado um bom período por aqui, contribuindo com a economia do país). A vantagem é que, com esse passaporte, você pode trabalhar quantas horas quiser, sem restrições.
3- Optam pelos cursos curtos, cujos preços giram em R$ 1 mil por semana. Mas que, infelizmente, não conferem nenhum diploma. Apenas um certificado de participação.

Eu nem fui atrás da primeira opção. A segunda ainda está em andamento, já que o consulado italiano agendou o atendimento para analisar meu caso pra 2016! E como eu não agüentava mais esperar, fui pela terceira via. E essa última tem uma vantagem: você pode montar um mosaico de cursos em diversas áreas e assuntos, o que pode ser enriquecedor.

Reproduçãopounds-20-libras-esterlinas-nota-dinheiro
Sem váaarias dessas belezinhas, você não faz nada aqui

Vale a pena?

Vale! Os cursos de curta duração rolam durante as férias de verão (final de junho, julho e agosto) e no inverno (outubro e novembro). A lista de cursos disponíveis é enlouquecedora e se esgota realmente muito rápido. Quando cheguei em Londres, fiquei em dúvida entre Direção de Arte, Styling de Moda, Introdução ao Jornalismo de Moda e Moda no Cinema. Demorei uma semana pra decidir e quando fui me inscrever, três deles já estavam lotados. Fiquei com a última opção. É claro que um curso curto não se compara com uma graduação, mas ele cumpre a função pela qual a Saint Martins é mundialmente famosa: inspirar seus alunos. Dá pra ver que os professores manjam muuuito do que falam e eles fazem com que você saia cada dia cheio de ideias e vontades. É como se abrissem portas. Eu redescobri uma paixão pelo cinema e passei a compreender mas ainda a moda como parte importante dessa indústria.

Sem falar na quantidade de filmes que agora eu preciso e quero muito ver para fazer meu curso realmente valer à pena. Enfim, eles dão os caminhos e o resto é com o aluno (em outros posts, vou publicando a lista completa de filmes fashion obrigatórios para quem se interessa pelo assunto). Na sala, é legal ver que existem pessoas de vários cantos do mundo e com os mais diferentes backgrouns… É enriquecedor. E, ao contrário da imagem que nos vem à cabeça quando pensamos num estudante de moda numa badalada escola de Londres, as pessoas são bem, digamos, normais. Não existe montação, todo mundo é relaxado. O que importa ali é o que você tem na cabeça, não o que você veste. Sinto que essa característica é bem diferente em relação ao Brasil, onde a faculdade de moda parece um desfile, uma disputa para ver quem é mais montado ou cool… As pessoas são inteligentes, conversar com elas te inspira.

E como é a escola?

Quando pensava em Saint Martins, pensava num ambiente moderno, equipado, futurista… Mega engano! Na unidade onde estudo (a Saint Martins está dividida em vários prédios espalhados pela cidade), as paredes são podres, a escola é velha, bem decadente. Não que a estrutura deixe a desejar. Lá, tem de tudo o que você precisa pra estudar mesmo. E a biblioteca é inacreditável, com um acervo sensacional de livros, revistas e filmes. Na parte de computadores, aqueles Mac gigantes, impressoras, scaners, maquinas de Xerox… Tudo, tudo, tudo. Complicado mesmo é se você não tem um inglês bom. Não que seja difícil de entender o que os professores falam, mas fica complicado participar da aula se você não manja dos termos específicos da moda e do vestuário em inglês. Eu tenho um inglês super avançado, converso numa boa, faço entrevistas, mas ando tendo que estudar em dobro – o conteúdo do curso e o, digamos, “English for fashion” – para entrar mais nas discussões de classe.

Maria Eugênia CaminhaCSM-corredor
Na foto, esse corredor da CSM de Holborn parece melhor do que ele realmente é

Bom, depois de vários e-mails que andei recebendo nas últimas semanas de leitores queridos, espero que tenha conseguido dar uma visão geral para todo mundo do que é, pra mim, estudar na Saint Martins. No iG Moda, eu fiz uma matéria bem grande dando mais dicas de como estudar moda na Inglaterra, com uma lista de outras escolas que existem por aqui. Sei que não é fácil, mas tenho certeza que todo mundo que gosta de moda e quer fazer dela uma profissão pode e deve passar por uma experiência como essa que estou passando. É só realmente querer. Stay beautiful, guys!

26 jul

Reproduçãoguia-compras-londres-roteiro-shopping
Vamô estourar o cartão de crédito!

Tá planejando dar um rolê pela terra da rainha e quer saber o que comprar e onde comprar? Pois, confira o roteirão especial que eu fiz de Londres, pro iG Moda. Lá tem os lugares principais e as coisas mais legais que eu vi… Eu diria que é um bom ponto de partida, mas não um roteiro definitivo. A capital britânica tem tantos markets, tantas ruas de comércio e tantas lojas incríveis, que meus dois meses morando aqui ainda não foram suficientes pra dar conta de tudo. É claro que dá pra conhecer muito mais do que eu em menos tempo. É que, como apaixonado por moda, louco por compras e brasileiro que ganha em real, estou segurando minha onda pra não ir à falência antes do previsto. E se vocês tiverem suas próprias dicas de achados em Londres, não deixem de compartilhar aí nos comments! É sempre útil pra quem pretende fazer uma viagem.

Em breve, vou publicar uma matéria de outlets em Londres e um guia de compras em Berlim. Só ficar de olho. Cheers!

23 jul

Como todo bom turista, fui ao Pálacio de Buckingham assistir à troca da guarda. Durante o verão, o “show” acontece todos os dias, às 11h. Durante o inverno, quando não dá pra ficar congelando na rua, só rola uma vez por semana. Os guias de viagem sempre dizem que é passeio obrigatório, mas juro que não recomendo. A única coisa engraçada é ver aquelas hordas de turistas japoneses com suas câmeras… Depois de lá, ainda fui conhecer uma pista de skate onde, pela primeira vez, vi grafite aqui. Bem xoxo. Sou muito mais São Paulo! Legal mesmo no nosso dia de passeio foi mesmo o West End Live, festival gratuito no meio de Leicester Square, quando rolam pocket shows de todos os musicais londrinos. Bem divertido! Veja só o vídeo:

Página 1 de 212»