Arquivo de julho 2012
18 de Julho | 2012
Vejo flores em você


Lá na minha terra o povo tinha costume de falar que era “a flor mais esquisita que Deus inventou”. Irônico é que ela também é conhecida como ave-do-paraíso em outras regiões. Enfim, lembro que uma vez minha mãe pediu pro jardineiro tirar todas do canteiro na frente de casa. Mal sabia ela que a Estrelícia seria tão fashion hoje. Depois que Riccardo Tisci estampou sapatos, camisetas, bonés e tudo mais da Givenchy com essa flor na temporada de inverno do começo do ano, ela dominou geral.
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A Givenchy colocou a estrelícia nas roupas…
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…e acessórios, como esse boné…
…e essa bolsa
Na temporada de verão carioca, Victor Dzenk colocou essas flores de verdade no cabelo das modelos de seu desfile – na sua pesquisa dos arquivos da época da Tropicália, uma das imagens-referência foi as modelos Watusi e Veluma usando o arranjo.
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A estrelícia apareceu na beleza de Victor Dzenk
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E também na coleção. Qualquer semelhança é mera coincidência
Ela também apareceu em estampas na Lenny e na Cia. Marítima…
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Cia. Marítima verão 2012/13
E a estrelícia foi até parar na minha boca! Pois é, a Juliana Mathias, que é figurinista do GNT Fashion, veio com a história no último dia de Fashion Rio que o trend era fotografar pro Instagram com a flor na boca.
Juliana Mathias
Olha eu comendo a estrelícia
E eu entrei na onda… E você? Vai de Estrelícia no próximo verão?
16 de Julho | 2012
Três marcas cool de camisetas


Julho taí, tem gente que vai sair de férias e algumas ricas vão até viajar pro exterior. Boa chance de garimpar camisetas bacanas por um preço às vezes bem mais justo que os praticados aqui no Brasil (sad, but true). Se você não é a rica em questão, pode pedir pro amigo trazer pra você um presentinho. Veja algumas das minhas sugestões das tees mais descoladas e hipsters que estão nas lojas neste verão gringo.
Prada X Vahram Muratyan
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Camisetas da Prada com estampas de hits da coelção de verão 2012
Num universo paralelo, poderíamos comprar toda Prada que desejássemos. Mas como esse não é o caso pra grande maioria dos mortais, que tal uma camiseta? A grife italiana fez uma parceria com a artista armênia Vahram Muratyan para criar uma série de t-shirts ilustradas com alguns dos itens mais desejados da coleção de verão deles. Aliás, as estampas são iguaizinhas aos gifs animados do projeto “Parallel Universes”. Em edição limitada, as peças chegam às lojas na metade de julho e custam entre US$ 150 e US$ 180.
Alexsandro Palombo
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Alexsandro Palombo faz camisetas com um toque de humor bem sarcástico
Achar algumas camisetas dele às vezes é tipo gincana. O cara faz coleções limitadas, vende nas “lojas mais cool de NY”, mas nunca conta onde. O esquema pra encontrar as peças mais especiais é ficar de olho nas dicas que ele dá em sua página no Facebook. Alexsandro Palombo estampa as t-shirts com charges e desenhos que satirizam o universo da moda, postados no blog “Humor Chic”. A Ana Wintour, editora da Vogue América, aparece por exemplo como uma caveira – critica ao incentivo que a indústria da moda dá a padrões de beleza fora de qualquer padrão humano. Esse modelo, no caso, é mais fácil de achar. Nesse site, ela sai por US$ 68.
County of Milan
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As camisetas da County of Milan, do DJ, stylist, RP, fotógrafo Marcelo Burlon
Misture imagens da top brasileira Lea T., de símbolos maçônicos, de penas de aves exóticas e de cruzes dos indíos Mapuche da Patagônia. Jogue tudo isso num caleidoscópio e você terá uma camiseta da County of Milan. A linha é criação de Marcelo Burlon, argentino baseado em Milão, que é DJ, stylist, fotógrafo, relações públicas e amigo de ninguém menos que Riccardo Tisci, estilista da Givenchy. Entre seus clientes, estão grifes como Alexander McQueen, Maison Martin Margiela,Versace, Calvin Klein, Gucci, Prada, Jil Sander… Nada fraco o rapaz. O único problema é que revirei a internet pra procurar um endereço ou um site que vendesse a marca. Mas, pelo visto, o jeito vai ser você bater perna por Milão ou Paris, onde as t-shirts estão sendo distribuídas. Vale o esforço, já que as peças são lindas.
13 de Julho | 2012
Pedalar cansa? Vá de bike elétrica!


Já fiz vários posts pra tentar convencer vocês que bike é o futuro. Já dei dicas pra pedalar sem detonar o visual, já falei de um encontro de bicicletas super legal e fashionista que rola na gringa, já mostrei a magrela mais hypada do mundo… Não te convenci? Mais uma tentativa, então.
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Pausa para o descanso
Muitos amigos meus apontam a suadeira, o cansaço e as longas distâncias como motivos pra não adotarem esse estilo de vida. Que tal, então, uma bicicleta elétrica? Eu pessoalmente acho que você acaba perdendo uma das maiores vantagens de pedalar: exercitar o corpo, ganhar condicionamento físico e, de uma forma geral, melhorar a saúde. Mas, mesmo assim, acho que pode ser uma alternativa melhor que o carro e os congestionamentos. Um dos câmeras do GNT Fashion tem uma dessas. Ele faz tudo, vai pra todos os lugares com a bike elétrica. Ele diz que é incrível. Eu testei durante o SPFW lá no Ibirapuera e realmente senti que a bike elétrica torna o pedalar literalmente um passeio no parque. Nesse post do “Eu Vou de Bike” tem mais prós e contras pra ela.
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O motor elétrico é essa caixa no meio do quadro da bicicleta
Mas eu também tenho um argumento a favor, bem fashionista: a grife carioca Farm fez parceria com a empresa brasileira LEV, que faz bicicletas elétricas, e desenvolveu 4 estampas para colorir os quadros das bikes. O modelo, fabricado em aço-carbono e alumínio, chama-se e-bike e custa R$ 2.990. Com peso de 40kg, ela tem piloto automático (sem necessidade de troca de marchas) e sistema de partida elétrico, além de não emitir ruídos e odores, nem utilizar nenhum tipo de combustível fóssil. A autonomia média da bateria varia entre 35 e 40km, variando conforme o tipo de terreno, velocidade empregada, peso do motorista e carona, por exemplo. Para recarregar a bike, basta conectá-la a uma tomada comum (110V ou 220V) pelo período de 6 a 8h.
Aproveitando o gancho, tenho uma dica de leitura: acaba de ser lançado o livro “Como viver em São Paulo sem carro” (ed. Santa Clara Idéias, R$ 32), que traz histórias de 12 personagens da cena paulistana que agora andam pela cidade a pé, de bicicleta ou transporte público. O livro é idealizado pelo empresário Alexandre Lafer Frankel e escrito pelo jornalista Leão Serva. Se meus posts não fazem você mudar de ideia, quem sabe o livro te convença.
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Capa e contra-capa do livro com boas dicas pra você que quer mudar seu estilo de vida
11 de Julho | 2012
LV e as bolinhas de Yayoi Kusama


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A artista Yayoi em uma de suas instalações
Acaba de abrir a primeira pop-up store da parceria entre Louis Vuitton e a artista plástica japonesa Yayoi Kusama no SoHo, em Nova York. Super aguardado entre os fashionistas, o lançamento revelou a coleção de roupas e acessórios que tem como protagonista as icônicas bolinhas de Kusama, um dos temas mais explorados pela artista ao longo de sua carreira.
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A coleção da Louis Vuitton traz as bolinhas de Kusama estampadas em roupas e acessórios
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Eu acho esses sapatos particularmente fofos, você não acha?
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A coleção chega às lojas esta semana
Trata-se de um trabalho lindo e impressionante, fruto de sua esquizofrenia, que a faz ter uma percepção e uma visão diferente da realidade em que vive: segundo seus relatos, ela sempre foi atormentada por visões distorcidas, que a fazem enxergar bolas e pontos.
Bolinhas por todos os lados
Yayoi nasceu 1929 e desde a infância sofria com as alucinações. Como forma de desabafo e também para mostrar às pessoas como era o mundo que ela enxergava, passou a colocar no papel as bolinhas que via por todos os lados. Com o tempo, passou a preencher pisos, paredes, telas, objetos e até pessoas com seus pontos. O lance mais louco é que além da esquizofrenia, Yayoi começou a desenvolver TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e as bolinhas e os pontos se tornaram uma verdadeira obsessão, que se reflete em tudo que venha da artista, não só em sua arte como também nas suas roupas.
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O TOC de Kusama por bolinhas se reflete até nas suas roupas
No fim dos anos 50, Yayoi resolveu ir para os Estados Unidos. O Japão ainda se recuperava da guerra e ela percebeu que no novo país poderia exercer sua arte livremente e ganhar reconhecimento. Em Nova York, trabalhou com grandes nomes da Arte Moderna e Contemporânea como Andy Warhol e logo passou a liderar o movimento da vanguarda. Participou de diversas exposições, engajou-se numa campanha contra a guerra do Vietnã e foi (e continua sendo), uma grande simpatizante na luta pelos direitos dos gays.
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Yayoi engajou-se numa campanha contra a guerra do Vietnã. Essa foto foi feita em 1968, durante a queima de uma bandeira americana na Ponte do Brooklyn, em NY
Em 1973, ela resolveu retornar ao Japão por problemas de saúde. Seu transtorno obsessivo tinha se agravado, e assim se internou em um hospital psiquiátrico e lá vive até hoje voluntariamente, apesar de usar seu apartamento há poucos minutos dali como ateliê. Apesar de ficar conhecida por suas pinturas e instalações psicodélicas, ela também trabalha com escultura, performance, happenings e já escreveu mais de 13 livros. Em Inhotim, Minas Gerais, é possível ver uma de suas obras, a “Narcissus Garden Inhotim”. São dezenas de esferas prateadas que ficam na superfície da água e que podem ser movidas conforme a ação do vento.
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“Narcissus Garden”, obra de Yayoi em Inhotim, Minas Gerais
A obra é uma versão da escultura que ela fez em 1966 para participar da Bienal em Veneza, onde ela espalhou 1500 dessas esferas, vendendo-as por US$ 2. Entre as bolas, podia-se ler ”Seu narcisismo à venda”. Era uma forma de crítica ao sistema das artes.
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A obra de Inhotim é uma versão da escultura que ela fez em 1966 para participar da Bienal em Veneza
Parceria vai rodar o mundo
Depois da pop-up store em NY, a sequência de inaugurações de lojas temporárias continua em Tóquio (que terá dois endereços dedicados à coleção), Cingapura, Hong Kong, Paris (com uma instalação na loja Printemps) e Londres (com uma pop-up na Selfridges). Os lançamentos dão continuidade à relação de inspiração que Marc Jacobs, estilista da Louis Vuitton, mantém com a artista.
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Mais um look da coleção da Louis Vuitton pra dar vontade
A grife, aliás, é um das principais patrocinadoras da retrospectiva da obra de Yayoi no Tate Modern em Londres e que agora, no dia 12, vai para o Whitney Museum em NY. Aliás, um dos episódios mais marcantes do documentário “Marc Jacobs & Louis Vuitton”, que mostra como é o trabalho do estilista dentro da grife francesa, é justamente uma visita do designer ao ateliê dela no Japão. Mr. Marc sabe das coisas.












