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Campanha recente da Nike pro relançamento do AirMax 90
Já faz tempo que “tendências” não são mais lançadas exclusivamente nas passarelas. Isso mudou com o fenômeno do street style, que fez com que muitos desejos pintassem primeiro nas ruas (e agora também nos blogs, sites e Tumblrs da vida). O movimento das tribos, dos jovens, dos blogueiros… tem sido mais importante nesse sentido do que as vontades de um único criador. Uma vez ouvi uma teoria de que a moda tem um ciclo de 20 anos. Se essa teoria for verdade (tentamos achar essa referência, mas não encontramos), podemos dizer, então, que estamos em pleno retorno da década de 1990. A lógica é que se até dois anos atrás vivemos um boom dos anos 80, agora, cansados de tanto exagero – como realmente aconteceu quando acabaram os anos 80 e explodiu o minimalismo – caminhamos pras tendências 90’s. E isso tem surgido, antes das passarelas, nas ruas.
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O minimalismo da Calvin Klein em campanha de 1990…
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...E o estilo minimalista da top Taylor Dean em foto de 2011
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Foto de Corinne Day, de 1990. Não tem uma estética meio Instagram aí?
Já temos vivido essa volta dos 90’s com o sucesso de aplicativos como o Instagram, que dão às nossas modernas fotos digitais aqueles efeitos de coisa antiga, meio Polaroid, malfeitinho e com qualquer luz… Um tipo de imagem que lembra as “snapshots” de Corinne Day, fotógrafa que fez aquele editorial “The Third Summer of Love” com a Kate Moss novinha pra revista “The Face” no começo da década de 90.
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Kate Moss por Corinne Day
Foi aí, inclusive, que estourou o “heroin chic” (alguma semelhança com as modelos cada vez mais secas hoje em dia?) e o grunge do Nirvana fez sua escalada de sucesso com “Smell Like Teen Spirit”, do álbum “Nevermind” (1991).
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A revista Elle espanhola e a grife Mango apostam na edição de fevereiro deste ano no grunge do começo dos anos 90
É nessa década que passam a pipocar as tribos, os estilos, a diversidade. Se antes existia uma moda jovem e outra um pouco mais madura, em 1990 isso já não era suficiente, os jovens queriam se distinguir uns dos outros. Daí surgiu o streetwear, que era uma moda não tão chique e nem tão esportiva, e também nem tão ligada aos modismos das passarelas, era radical e alternativa, atendia perfeitamente às necessidades de expressão da juventude da época. “Durante os anos noventa, o cuidado e a atenção aos detalhes se perdeu de alguma forma”, disse Alexander McQueen certa vez ao falar da moda deste período. Porque naquele momento ninguém precisava mais provar nada a ninguém, a moda podia ser mais confortável e livre em prol do amor, ou do bem comum, ou da camada de ozônio. Além disso, se antes a preocupação era seguir a moda à risca, naquele momento o medo era não estar bem vestido demais.
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O top Cole Mohr em foto de 2011: streetwear radical e podrinho, a cara dos anos 90
Vale lembrar também que, se hoje vivemos um revival de 20 anos atrás, naquela época também olhava-se pra duas décadas anteriores, que eram justamente os anos 70. Daí a tendência das bocas de sino, cinturas baixas, tops com barriga de fora, plataformas, camisas estampadas, bigodes… Aliás, é essa tendência 70’s que tem aparecido bastante nas passarelas, com túnicas, bocas de sino e, acreditem, os sapatos creepers. Criado no pós guerra, esses calçados com solado grosso conquistaram os Teddy Boys nos anos 50. E olha a teoria dos 20 aí de novo: 20 anos depois, voltaram à moda em Londres graças à “Let it Rock”, histórica loja de Malcom McLaren e sua então esposa Vivienne Westwood. Já hoje, as plataformas retornam à baila graças à Prada, grife que, coleção após coleção, determina pra onde os ventos da moda sopram.
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Os solados grossos dos anos 90…
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…e os brogues da Prada em 2010
Quer mais indícios desse comeback dos anos 90? Olhe o figurino das bandas mais legais, a look dos fashionistas mais descolados, as lojas, os brechós, os editoriais. Certamente você vai encontrar jeans acid wash e/ou com modelagem bag, camiseta de banda com a manga dobradinha desgastada e podrinha, camisa estampada toda fechada, tênis New Balance, óculos redondinhos, blazer e shortinho combinando, calça com barra franzida de lastex, tipo aquelas de moletom, jaqueta esportiva Adidas com as listras nas laterais, bonés coloridos com referência rapper… As referências são muitas.
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Camiseta em destaque na arara de uma loja de Bricklane, em Londres. A “Smile Face” é símbolo do acid house e também foi usado pelo Nirvana nas famosas camisetas “Corporate Rock Whores“
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Cindy Lauper e Kurt Cobain eram alguns que exibiam cabelos coloridos nos anos 90. Lembra que naquela época o povo usava até papel crepom pra pintar? E agora essa moda tá de volta, como já falei aqui
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“Um Maluco no Pedaço”, com Will Smith, era um sucesso nos anos 90. As camisas estampadas, as camisetas coloridas e o boné rapper do figurino da série é usado hoje.
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Camisa dos anos 90, no site de um brechó gringo
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Os supercools meninos da Banda Uó abusam desse tipo de camisa hoje
Pra mim, que pela primeira vez na vida começo a ver o retorno de uma época que eu realmente vivi, só tenho a concordar com um anúncio recente da Nike: “1990 was a great year”.
Colaborou Thomas del Carlo



A Nike soube aproveitar bem a década que lhe rendeu boas vendas com a febre dos tênis esportivos no mundo. Na moda, tudo que vai, com certeza, um dia volta. Sem preconceitos, ela prova que tudo pode ser reinventado e o melhor, as ruas se encarregam deste efeito veloz e cíclico. Basta tirar proveito de cada fase, identificar os estilos que desfilam por aí e entrar na onda com ainda mais personalidade. Este style “desajeitado” dos anos 90 ainda vai dar muito o que falar…
Amei o post! Amei esse resgate das camisas estampadas e também dos cabelos coloridos. As referências dos anos 90 são diversas e tu soubeste aproveitar as melhores e mais interessantes de se “reviver”. Parabéns!
Amei
mas nosso amor ta quase tão longe quanto essa decada :/