23 fev

Acho o trabalho Zevs muito legal. Tento sempre acompanhar o que esse artista plástico francês anda fazendo por aí e sempre paro pra ler quando falam dele. Dia desses vi uma entrevista onde ele indica sua marca favorita de acessórios, que não podia ter mais sua cara. Chama-se “Liberty Symbol”, fica na França e oferece uma coleção completa de… um único broche! Pois é, a marca vende um triangulo invertido branco e só. E porque é tão legal? Porque o Zevs usa o triângulo pra cobrir os logos das roupas que ele compra (ele tem todo um histórico anti-marcas) e porque o triângulo tem uma proposta política até que simples: somos todos iguais. No site, o texto inglês explica que a inspiração veio dos triângulos coloridos que os nazistas usavam pra estupidamente classificar seus inimigos – dos gays aos imigrantes. Daí esse broche ser branco, pra contrapor todas essas ideias de separação e censura. Claro que não é a quintessência da moda política, mas pelo menos tem uma mensagem interessante. Dá para comprar pela internet e três broches custam 10 euros.

Divulgação
“Liberty Symbol” serve pra cobrir os logos das roupas

Quem é Zevs, pô?

Reprodução/FFW
Prazer, eu sou o Zevs!

Bom, eu to aqui falando de Zevs pra lá, Zevs pra cá e certamente tem alguém irritado comigo por não explicar quem é a pessoa. Vamos lá: Zevs começou sua carreira nos anos 90 como grafiteiro. Em 2001, estourou quando anúncios publicitários tornaram-se foco do seu trabalho. Ele fazia intervenções nos outdoors usando spray vermelho para “assassinar” os modelos das grandes campanhas nas ruas de Paris. Quem iria ter desejo por uma bolsa cuja modelo parecia ter tomado um tiro na testa?

Reprodução
Visual Attack: tiro na testa e sangue no zóio

Com o tempo seu “Visual Attack”, como era chamada a intervenção, evoluiu para o “Visual Kidnapping”: ele “seqüestrava” os modelos dos anúncios e ainda colava o recado “Seqüestro Visual. Pagar Agora!”. Depois de algumas ações, a marca de café Lavazza até cedeu e pagou. Simples, mas muito criativo (e lucrativo!).

Reprodução
A modelo sequestrada no anúncio da Lavazza. Pior que a marca pagou o resgate!

Porém, sem dúvida, o trabalho mais notável de Zevs é o “Liquidated Logo”. Ele pega os símbolos de grande força visual e cria a ilusão de que eles estão derretendo, se desfazendo. Entre os alvos, as marcas Louis Vuitton, Nike, Lacoste e até o Google. O trabalho ganhou exposição no museu Ny Carlsberg Glyptotek, na Dinamarca, ao lado de obras de Manet e Rodin. Mas não é porque a arte até então marginal do Zevs ganhou espaço em museus e galeria, que tudo foi lindo.

Reprodução
Liquidated Logo do monograma da Louis Vuitton colorido por Takashi Murakami

Em 2009, na China, ele estampou o logo da Chanel na fachada da Giorgio Armani. As duas lojas, muito próximas uma da outra, disputavam clientes ferrenhamente. Por isso, não é de se surpreender que Zevs tenha sido convidado a se hospedar no xadrez por uns dias, além de segurar a bronca de um processo indenizatório milionário.

Reprodução
Pintando a fachada da Giorgio Armani, na China. Resultado: foi direto pra prisão

No ano passado, Zevs veio ao Brasil para o evento Pense Moda. Além de sua palestra no evento, o cara fez uma performance na rua Haddock Lobo, em São Paulo, com Marina Dias. A modelo foi a “Fashion Victim” assinada no meio da rua com o logo da Vuitton ao seu lado e a boca cheia de sangue falso.

Reprodução/Mistura Urbana
Marina Dias, uma fashion victim da Louis Vuitton, em SP


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