/ Arquivo / agosto, 2010



30 ago

Termina agora no dia 5 de setembro a exposição “20 anos da Maison Martin Margiela”, que está rolando aqui em Londres, na Somerset House. Eu fui visitá-la e amei muito o que eu vi. Saí inspirado de lá! Assistam o vídeo dessa visita:

Eu esqueci de colocar nos créditos, mas vale avisar que o vídeo que aparece no comecinho foi cedido pela organização da mostra, ok? Comentem!

27 ago

Rolou no começo do mês o The Creators Project, aqui no Brasil. O evento que já passou por Nova York e Londres, escolheu São Paulo pra fazer o seu debut pela América Latina em agosto. As próximas cidades a sediarem o projeto são Seoul, na Coréia do Sul, e Pequim, na China. De acordo com os organizadores, o objetivo é expor novos artistas de diversas áreas e que usem diferentes tecnologias em suas obras.

Nathan KunigamiMuti-Randolph-Creators-Project
O “Tubo” de Muti Randolph, criado para o The Creatros Project de Sampa traz várias luzes de LED e uma ambientação Sonora que reage à velocidade, posição e cor das próprias luzes

Nathan KunigamiAnaisa-Franco-Creators-Project
“Expanded Eye” da artista Anaisa Franco. A escultura interativa em formato de olho, olha para o usuário com uma camera infravermelha e projeta seus próprios olhos dentro dela. Achei demais.

Além da presença de nomes de peso como Muti Randolph, Ricardo Carioba e Jum Nakao, o público pode ver o trabalho de outros artistas, assistir a palestras, filmes e de quebra ainda conhecer gente nova e descolada. De noite, rolaram as apresentações do super produtor e DJ Mark Ronson, da banda nova-iorquina Gang Gang Dance, do DJ Zegon, do rapper Emicida, entre outros. É claro, que o Descolex tava lá e registrou um pouco de tudo.

Nathan KunigamiMark-Ronson
Mark Ronson ataca de DJ e exibe o novo cabelo

Nathan KunigamiGang-Gang-Dance
A banda Gang Gang Dance, de NY

Os looks mais legais do dia também não podiam ficar de fora, não é?

Nathan KunigamiModa-Rua-Creators-Project-Sao-Paulo

Nathan Kunigami, colaborador do Descolex, de São Paulo

25 ago

Glauco SabinoBerliner-Dom-Berlim
Berliner Dom

Vou confessar que estava super com pé atrás de ir pra Berlim. A cidade nunca foi meu objetivo ao vir pra Europa, mas acabei decidindo em ir porque as passagens estavam realmente baratas. Tinha essa impressão errônea de que os alemães são frios e estava apavorado com o fato que eu não sabia uma palavra da língua. Enorme engano meu. Lá, só tive o prazer de encontrar pessoas ótimas, simpáticas e que falavam inglês perfeitamente. Super tranqüilo: pude me comunicar numa boa com todo mundo mesmo, do vendedor da lojinha de cigarros até o motorista de ônibus. Fiz todos os programas básicos de turista: visitei o Checkpoint Charlie, a linda “Ilha dos Museus”, tirei fotos no Muro, conheci o Portão de Brandenburgo, o impressionante Memorial do Holocausto… Mas, o que mais vai ficar na minha memória é a vibração da cidade, cheia de gente jovem, muitos artistas, galerias de arte alternativas, cafés de uma charmosa decadência e incríveis baladas.

Glauco SabinoMemorial-Holocausto-Berlim
Memorial do Holocausto

A mais incrível de todas, que por sinal é considerada a número 1 do mundo segundo ranking da revista inglesa DJ Mag, é a Berghain-Panorama. Como todos os clubes e bares que eu conheci na capital da Alemanha, ela tem um ar bem underground. Fica no meio do nada, numa zona de fábricas desativadas do leste berlinense. Não há letreiro, nem número. Você só sabe que está chegando perto quando começa a ver uma movimentação de pessoas rumo à entrada dessa usina abandonada às 5h da manhã. Peguei uma fila tranqüila, de 20 minutos. Mas, muitos amigos disseram que chegaram a ficar mais de duas horas esperando para entrar até serem barrados na porta por um host pavoroso. O cara é de dar medo mesmo. Mas, acho que tive sorte. Entrei fácil.

ReproduçãoBerghain-Panorama-Berlim
A entrada do Berghaim-Panorama, uma das baladas mais lokas que eu já fui na vida

Lá, todo mundo se mistura: gays e héteros, roqueiros e hippies, patricinhas e lethers… No térreo, há uma lojinha improvisada e a chapelaria. Subindo uma escadaria, chega-se à pista principal, que é a porção Berghain do clube. Com pé-direito de uns 15 metros, tem som entre house e techno. Outro lance de escadas leva ao segundo andar, a metade Panorama do espaço. A pista funciona no centro de um grande recinto quadrado, com paredes de ladrilhos brancos. O DJ toca num balcão baixo, bem ao alcance do público, vertentes de house, tech house, deep house… Incrível é quando, no auge da festa lá pelo meio-dia, eles abrem por segundos as enormes persianas do espaço deixando a luz do dia entrar. A galera fica eufórica.

Divulgaçãoberghain-flyer-2010-08-1
Flyer do mês de Agosto

Só que as pistas são só uma parte do programa: um passeio pelos corredores da usina revela lounges, com sofás muito velhos, ante-salas para banheiros fervidíssimos e até um jardim, onde, lá pelas 15h, rola uma terceira pista improvisada que lembra uma mistura de rave com pool party. Enfim, Berghaim-Panorama é uma balada que merece o título que tem, onde é fácil conhecer pessoas e o único desejo de quem vai ali é de se divertir como se não ouvesse amanhã. Já quero voltar pra lá.

Glauco SabinoEast-Side-Gallery-Muro-Berlim
East Side Gallery, no Muro de Berlim

No Flickr do Descolex, eu postei uma galeria de fotos da East Side Gallery, maior trecho remanescente do Muro de Berlim, onde artistas de diversas partes do globo fizeram intervenções. Algumas pinturas e grafites são bem legais, outras parecem mais um desenho tosco de criança. Enfim, vocês podem opinar…

Já no site do iG Moda, saiu uma reportagem minha sobre a moda em Berlim, com um guia de lojas e brechós imperdíveis. Tem até uma loja second hand enooorme, onde a roupa é vendida por quilo! Vai lá ver.

23 ago

Se você ainda não foi, não perca a chance de conferir duas boas exposições que estão rolando em São Paulo e acabam agora em setembro. “Transfer – arte urbana e contemporânea, transferências e transformações” traz mais de 500 obras surgidas por meio do movimento punk, do skate, do grafitti, do hip hop e dos fanzines. A mostra é dividida em quatro eixos, como se fossem escolas dentro desse vasto campo:

ReproduçãoOSGEMEOS
Osgêmeos são um dos “Autoindicados”

“Autoindicados” apresenta uma seleção de obras da galera que passou a ser vista quando os museus e galerias desse mundão começaram a abrir os olhos para o trabalho feito na cena cultural alternativa. No geral, esses artistas não precisaram de diplomas ou indicações, foram os pioneiros.

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Coleção Nike “Beautiful Losers”

“Beautiful Losers” é uma seleção da exposição de mesmo nome que aconteceu em março de 2004 no Contemporary Arts Center de Cincinnati, nos EUA. Conta a trajetória de artistas norte-americanos que vieram à tona por conta de movimentos como hip hop, grafitti e punk. Em 2008, aliás, foi lançado um documentário intitulado “Beautiful Losers”, dirigido por Aaron Rose, que rendeu uma parceria com a Nike: a série “Make Something!”, com 22 modelos de tênis estampados com as cenas do documentário.

ReproduçãoTiti-Freak
Titi Freak é um dos “Intervencionistas”

“Intervencionistas” mostra a parte brasileira da coisa: uma seleção de obras interessantes do cenário de intervenção urbana contemporânea do Brasil. Está representada seja através de vídeos e fotografias como também por meio da street art e do skate. Basicamente, o que está super presente nas ruas e nós passamos batido.

ReproduçãoBilly-Argel-Transfer
As pranchas de skate de Billy Argel estão em “Mauditos”

Por último, “Mauditos”, também de artistas brasileiros, retrata os que passaram pelos anos 80 e 90 sem chamarem muita atenção na época. Nessa seção, estão os trabalhos de quem expressou suas idéias através de fitas K7, discos, pranchas de skate, fanzines e cartazes de shows. Os representantes dessa parte da expo nasceram do espírito “faça você mesmo” da cultura punk e expunham seus trabalhos no encarte Mau, da revista “Animal”, que foi bem importante no cenário underground da época.

A mostra fica em cartaz até o dia 12 de setembro e tem um site bem legal e informativo com vídeos, fotos do making of da montagem da exposição e posts sobre o processo criativo de artistas envolvidos. Vai lá!

Transfer
Até 12 de setembro, terça a domingo, das 9h às 17h
Parque Ibirapuera: Pavilhão das Culturas Brasileiras
Entrada Gratuita

Sem fugir dessa linha arte urbana e cena alternativa, aproveite o dia e vá conferir também “Keith Haring – Selected Works”, na Caixa Cultural. Recordando os 20 anos de morte do artista que ganhou reconhecimento internacional entre 1980 e 1989, a mostra traz 94 obras, entre elas gravuras, desenhos inéditos, artigos pessoais, fotografias, vídeos e litografias. Fortemente influenciado pela independência e democracia do grafitti, sua arte pode ser reconhecida pelas cores vibrantes, linhas grossas e figuras características. Keith acreditava na acessibilidade da arte e sempre teve uma grande preocupação social no seu processo criativo.

ReproduçãoKeith-Haring-2
Keith Haring

Expressava de forma bem direta conceitos universais de nascimento, morte, sexo e guerra e assim assegurou o poder de permanência de mensagens que foram reconhecidas como uma linguagem visual do século 20. Sua obra ainda inspira e não as vemos só nas ruas e exposições. Ilustraram o backdrop da música “Into de Groove”, da turnê Sticky & Sweet da Madonna , estão estampadas nos tênis que a Tommy Hilfiger lançou em parceria com a sua fundação e já passearam pelas criações do francês Jean-Charles Castelbajac.

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Look de Jean Charles Castelbajac inspirada em Keith Haring

Keith morreu de Aids e a questão da prevenção do HIV está fortemente ligada ao seu nome. Por isso, além de oficinas de criação e informação que vão acontecer paralelamente à mostra, programas educacionais sobre o alerta e a prevenção do vírus, também estão sendo organizados.

Keith Haring – Selected Works
31 de julho a 5 de setembro, terça a sábado, das 9h às 21h, domingos e feriados das 10h às 21h
Caixa Cultural: av. Paulista, 2083, Cerqueira César, São Paulo
Informações: (11) 3321-4400
Entrada Gratuita

Ana Olyveira e Izadora Gauche, colaboradoras do Descolex, de São Paulo

20 ago

Embora não seja um artigo de vestuário propriamente dito, a maioria dos homens deve concordar que a braguilha é bem essencial. Mas, como elas surgiram? Originalmente, os homens usavam túnicas, muito semelhante às que as mulheres usavam. Eventualmente, calças muito justas entraram na moda para os rapazes. No entanto, elas geralmente tinham uma fenda entre as pernas. Por isso, a fim de preservar sua modéstia, os homens passaram a usar uma espécie de saqueira. Só que esse pedaço de tecido preso por cordas não servia qualquer propósito além de cobrir determinada parte do corpo. E, para dar uma finalidade ao acessório, os homens começaram a usá-los como bolsos. Precisa de um lugar pra guardar aquele tabaco fresquinho que você comprou? Saqueira. Quer esconder uma coxa de peru daquele banquete que você foi? Saqueira.

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Reprodução de braguilhas do século 16

Só que com o tempo, a coisa foi se tornando maior e cada vez mais bizarra. Nos anos 1540, atingiu seu auge em tamanho e ornamentação, antes de cair em desuso por volta de 1590. Nas armaduras do século 16, a braguilha blindada era um complemento importante para os trajes de guerra. E algumas delas, inclusive, estão em exibição em museus hoje, como no “Metropolitan Museum of Art”, em Nova York, e na “Tower of London”. Bom, se a braguilha surgiu para preservar a modéstia de um homem, ela acabou ficando tão sutil quanto um sinal neon piscando e apontando para “as vergonhas” do cavalheiro… Um puta exemplo da sociedade falocêntrica daquela época, não acham? Aliás, fui à uma peça de Shakespeare no Globe Theater, aqui em Londres, e reparei que no figurino do rei, a braguilha era sempre maior do que qualquer outro personagem. Por que será, não?

Reproduçãosaqueira-codpiece-braguilha
Ô, coisa mais esquisita
 

No Google, vi quadros de braguilhas super ornamentadas com jóias ou no exato formato daquilo que elas deveriam estar escondendo. Engraçadíssimo! Porém, graças a Deus, o desenvolvimento da moda e o surgimento dos bolsos, tornaram as calças com fendas e as braguilhas com cara de saqueiras obsoletas. As calças do séculos 19 e 20 ainda traziam uma espécie de aba de tecido que era abotoada de ambos os lados… Aliás, foram os botões os primeiros aviamentos usados para fechar a braguilha das calças jeans. O zíper é uma adição relativamente nova nessa história toda, mas também a mais popular e prática criação já inventada. Ainda bem.

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