/ Arquivo / julho, 2010



30 jul

Desde o dia que eu decidi fazer faculdade de jornalismo pra trabalhar com moda, eu sabia que a Central Saint Martins (CSM) era o lugar mais incrível pra estudar depois que eu pegasse meu diploma. Como todo mundo já deve estar careca de saber, a escola é considerada a Harvard da moda e responsável por revelar nomes como Alexander McQueen, Stella McCartney, John Galliano, entre muitos outros… E foi na faculdade em São Paulo, há uns cinco anos, que eu comecei a planejar essa tão sonhada vinda pra cá. Por que tanto tempo? Porque morar em Londres e fazer um curso na Saint Martins realmente não é nada nada nada barato… O jeito era ir juntando dinheiro aos poucos. A Saint Martins é umas das faculdades da University of the Arts London, que tem mais outras cinco faculdades sob seu chapéu. Por lá, os cursos dividem-se basicamente em graduação, pós-graduação, mestrado e cursos curtos.

Maria Eugênia CaminhaCSMentrada
A CSM já revelou nomes como Alexander McQueen, Stella McCartney e John Galliano

Pra se ter uma ideia da grana que se gasta numa graduação, um estudante brasileiro que queira fazer o bacharelado em “Criticism, Communication and Curation: Arts and Design” tem que pagar por ano, durante três anos, mais ou menos o equivalente a R$ 40 mil. Isso sem contar todos os custos que se tem ao morar em uma das capitais mais caras da Europa, onde estudantes estrangeiros têm hoje a permissão para trabalhar legalmente apenas 10 horas por semana ganhando quase sempre o salário base (o que em reais e por mês, dá cerca de R$ 768). Esses 768 contos não são nada perto do que o Britsh Council, órgão público cuja missão é difundir o conhecimento da língua inglesa e de sua cultura, calcula que seja necessário para se viver por mês na capital britânica: R$ 2560! Aliás, isso nem é uma recomendação, é uma exigência. Para se tirar o visto de estudante para Inglaterra, você é obrigado a comprovar ao consulado que tem na sua conta o dinheiro necessário para viver em Londres por todo o período do seu curso, sem trabalhar. Fazendo os cálculos, portanto, a brincadeira fica em R$ 30.720 por ano. Somando com as mensalidades, quase R$ 71 mil reais ao ano!

E como nem todo mundo é filho de pai rico, o que eles fazem?

Três opções:

1- Tentam alguns dos poucos programas de bolsas destinados a estudantes da América Latina, que geralmente são mega concorridas, bem mais que qualquer vestibular pra medicina da USP. Uma das mais famosas é o programa Chevening. Mas você pode dar uma pesquisada na própria área de bolsas de estudo do site da CSM.
2- Tentam primeiramente conseguir alguma cidadania européia. Para brasileiros, a italiana é a mais comum. Quando conseguem, o curso cai para R$ 10.600 ao ano. Isso, é claro, se o estudante se qualificar para, digamos, receber esse “desconto” (precisam já ter morado um bom período por aqui, contribuindo com a economia do país). A vantagem é que, com esse passaporte, você pode trabalhar quantas horas quiser, sem restrições.
3- Optam pelos cursos curtos, cujos preços giram em R$ 1 mil por semana. Mas que, infelizmente, não conferem nenhum diploma. Apenas um certificado de participação.

Eu nem fui atrás da primeira opção. A segunda ainda está em andamento, já que o consulado italiano agendou o atendimento para analisar meu caso pra 2016! E como eu não agüentava mais esperar, fui pela terceira via. E essa última tem uma vantagem: você pode montar um mosaico de cursos em diversas áreas e assuntos, o que pode ser enriquecedor.

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Sem váaarias dessas belezinhas, você não faz nada aqui

Vale a pena?

Vale! Os cursos de curta duração rolam durante as férias de verão (final de junho, julho e agosto) e no inverno (outubro e novembro). A lista de cursos disponíveis é enlouquecedora e se esgota realmente muito rápido. Quando cheguei em Londres, fiquei em dúvida entre Direção de Arte, Styling de Moda, Introdução ao Jornalismo de Moda e Moda no Cinema. Demorei uma semana pra decidir e quando fui me inscrever, três deles já estavam lotados. Fiquei com a última opção. É claro que um curso curto não se compara com uma graduação, mas ele cumpre a função pela qual a Saint Martins é mundialmente famosa: inspirar seus alunos. Dá pra ver que os professores manjam muuuito do que falam e eles fazem com que você saia cada dia cheio de ideias e vontades. É como se abrissem portas. Eu redescobri uma paixão pelo cinema e passei a compreender mas ainda a moda como parte importante dessa indústria.

Sem falar na quantidade de filmes que agora eu preciso e quero muito ver para fazer meu curso realmente valer à pena. Enfim, eles dão os caminhos e o resto é com o aluno (em outros posts, vou publicando a lista completa de filmes fashion obrigatórios para quem se interessa pelo assunto). Na sala, é legal ver que existem pessoas de vários cantos do mundo e com os mais diferentes backgrouns… É enriquecedor. E, ao contrário da imagem que nos vem à cabeça quando pensamos num estudante de moda numa badalada escola de Londres, as pessoas são bem, digamos, normais. Não existe montação, todo mundo é relaxado. O que importa ali é o que você tem na cabeça, não o que você veste. Sinto que essa característica é bem diferente em relação ao Brasil, onde a faculdade de moda parece um desfile, uma disputa para ver quem é mais montado ou cool… As pessoas são inteligentes, conversar com elas te inspira.

E como é a escola?

Quando pensava em Saint Martins, pensava num ambiente moderno, equipado, futurista… Mega engano! Na unidade onde estudo (a Saint Martins está dividida em vários prédios espalhados pela cidade), as paredes são podres, a escola é velha, bem decadente. Não que a estrutura deixe a desejar. Lá, tem de tudo o que você precisa pra estudar mesmo. E a biblioteca é inacreditável, com um acervo sensacional de livros, revistas e filmes. Na parte de computadores, aqueles Mac gigantes, impressoras, scaners, maquinas de Xerox… Tudo, tudo, tudo. Complicado mesmo é se você não tem um inglês bom. Não que seja difícil de entender o que os professores falam, mas fica complicado participar da aula se você não manja dos termos específicos da moda e do vestuário em inglês. Eu tenho um inglês super avançado, converso numa boa, faço entrevistas, mas ando tendo que estudar em dobro – o conteúdo do curso e o, digamos, “English for fashion” – para entrar mais nas discussões de classe.

Maria Eugênia CaminhaCSM-corredor
Na foto, esse corredor da CSM de Holborn parece melhor do que ele realmente é

Bom, depois de vários e-mails que andei recebendo nas últimas semanas de leitores queridos, espero que tenha conseguido dar uma visão geral para todo mundo do que é, pra mim, estudar na Saint Martins. No iG Moda, eu fiz uma matéria bem grande dando mais dicas de como estudar moda na Inglaterra, com uma lista de outras escolas que existem por aqui. Sei que não é fácil, mas tenho certeza que todo mundo que gosta de moda e quer fazer dela uma profissão pode e deve passar por uma experiência como essa que estou passando. É só realmente querer. Stay beautiful, guys!

28 jul

Muito antes da sustentabilidade virar moda, Martin Margiela já reciclava roupas de segunda mão, o couro dos assentos de carros e muitos outros materiais – luvas, cintos, gravatas, sacos de lixo, porcelana quebrada… – na criação das peças da versão dele de alta costura. Membro do trio belga de vanguarda formado por Dries Van Noten e Ann Demeulemeester, Margiela é o mais talentoso herdeiro do movimento japonista, inaugurado por Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto.

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É um pacote de bala? Nãaaao!

A desconstrução é a essência do seu trabalho, com roupas de proporções enormes, além de forros, costuras e bainhas aparentes do lado de fora. Faz parte ainda do seu léxico o trompe l’oeil… Aquela brincadeira do parece, mas não é, sabe? E a mais recente criação da Maison nessa seara – já que o estilista em si se aposentou recentemente – são essas incríveis “Candy Clutch”. Elas imitam o formato de uma bala embrulhada e são encontradas na versão clutch e maxi clutch.

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É uma carteira? Siiiim!

Para ficar mais divertido ainda, o acessório tem o código de barras e o peso de cada uma, impressos como um detalhe nas peças. Feitas com alumínio, poliéster e algodão, as delícias são encontradas nas cores dourado, prata ou fúcsia. Pena que ainda não chegaram ao Brasil, mas se você quiser, dá pra comprar pelo site lagarconne.com. Por lá, ainda rola um descontinho de 30% pra quem se animar com a idéia de ter uma: de R$ 850, a carteira sai por R$ 590. Ok, não são nada baratinhas. Mas, tem conceito e design incríveis!

Ana Olyveira e Izadora Gauche, colaboradoras do Descolex, de São Paulo

26 jul

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Vamô estourar o cartão de crédito!

Tá planejando dar um rolê pela terra da rainha e quer saber o que comprar e onde comprar? Pois, confira o roteirão especial que eu fiz de Londres, pro iG Moda. Lá tem os lugares principais e as coisas mais legais que eu vi… Eu diria que é um bom ponto de partida, mas não um roteiro definitivo. A capital britânica tem tantos markets, tantas ruas de comércio e tantas lojas incríveis, que meus dois meses morando aqui ainda não foram suficientes pra dar conta de tudo. É claro que dá pra conhecer muito mais do que eu em menos tempo. É que, como apaixonado por moda, louco por compras e brasileiro que ganha em real, estou segurando minha onda pra não ir à falência antes do previsto. E se vocês tiverem suas próprias dicas de achados em Londres, não deixem de compartilhar aí nos comments! É sempre útil pra quem pretende fazer uma viagem.

Em breve, vou publicar uma matéria de outlets em Londres e um guia de compras em Berlim. Só ficar de olho. Cheers!

23 jul

Como todo bom turista, fui ao Pálacio de Buckingham assistir à troca da guarda. Durante o verão, o “show” acontece todos os dias, às 11h. Durante o inverno, quando não dá pra ficar congelando na rua, só rola uma vez por semana. Os guias de viagem sempre dizem que é passeio obrigatório, mas juro que não recomendo. A única coisa engraçada é ver aquelas hordas de turistas japoneses com suas câmeras… Depois de lá, ainda fui conhecer uma pista de skate onde, pela primeira vez, vi grafite aqui. Bem xoxo. Sou muito mais São Paulo! Legal mesmo no nosso dia de passeio foi mesmo o West End Live, festival gratuito no meio de Leicester Square, quando rolam pocket shows de todos os musicais londrinos. Bem divertido! Veja só o vídeo:

21 jul

A história das cuecas é bem basiquinha, sabe? No começo, os homens usavam umas tanguinhas feitas com uns panos amarrados, depois mudaram pra uma coisa mais confortável bem similar às cuecas boxer que temos hoje. Daí, deram um passo pra trás e começaram a usar uns macacões bem justinhos… Pra esquentar. Tudo isso pra depois voltar pras boxers. Chaaaato!

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Olha as tangas que os homens usavam no Egito

Agora, a história da roupa de baixo feminina é tão mais divertida. Veja só: por muito tempo, as mulheres não usavam nada por baixo dos vestidos (isso faz você olhar os quadros das rainhas do século XVIII de forma diferente, hein?). Só que começaram a achar que isso era um pouco perigoso pra, digamos, a moralidade feminina. Segundo o livro “Por baixo do pano – a história da calcinha”, da autora inglesa Rosemary Hawthorne (Matrix Editora), a calcinha apareceu pela primeira vez em 1800, quando a revolução havia mudado a França e, por consequência, toda a Europa. Na época, as mulheres passaram a usar elegantes vestidos de cintura alta, inspirados na vestimenta das gregas antigas. Mas esses “vestidos império”, super sensuais, deixavam as partes baixas arejadas demais. Surgia então o primeiro modelo de calcinha, chamado de calção ou “pantaloon’, que chegava abaixo dos joelhos ou até os tornozelos e era feito de um tecido “cor de carne” semelhante ao das meias-finas. Daí o nome calcinha, sacou?

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No começo, as calcinhas não eram nada sexy

As guerras vieram, os hábitos mudaram, as saias subiram e as calcinhas foram virando vestidos levinhos e curtinhos. Com a evolução da indústria têxtil e o surgimento de fibras elásticas, elas foram perdendo os botões, as costuras e foram ficando cada vez mais justas. Quando chegou a época de ouro do cinema, virou festa: as calcinhas começaram a aparecer sem pudor, o que contribui pra criação da imagem sensual que ela tem hoje. E cada vez que elas iam ficando menores, mais sucesso elas faziam: a calcinha virou biquíni, que virou tanga, que virou fio dental… E tem mulher por aí que até resolveu aboli-la de vez. Mais uma prova de que a moda definitivamente é feita de ciclos. Hoje, calcinha não é só calcinha. É lingerie. E não é mais apenas um pedaço de pano pra cobrir as vergonhas… É peça fundamental do guarda roupa feminino e, como os homens bem sabem, uma perigosa arma de sedução. Pedacinho de pano poderoso esse, hein?

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Você realmente achou que eu ia posta a foto de uma bunda com fio dental? Esse blog é de respeito!

Nesse divertido vídeo do site Porta Curtas, da Petrobras, você vê a evolução da calcinha num vídeo animado e bem divertido. Pode assistir no escritório porque ele é família, tá?

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