Nada de tratamentos de cor, contraste, iluminação, entre outros no Photoshop. O que São Paulo receberá na próxima Bienal de Artes, entre os dias 21 de setembro e 12 de dezembro, são os trabalhos de uma fotógrafa que gosta de registrar a realidade nua e crua do universo ao seu redor: a americana Nan Goldin. Graduada pela School of the Museum of Fine Arts, em Boston, ela ganhou espaço nos anos 70 e 80 documentando a cena new-wave pós-punk, simultaneamente à subcultura gay daquela epóca. Na série de imagens que vem à capital paulista – “Ballad of Sexual Dependency” – o seu cotidiano e de seus amigos é retratado da maneira mais realista possível, sem fantasias, produções ou modelos.
Nan Goldin
Ela registrou a subcultura gay entre os anos 70 e 80
Goldin afirma que seu trabalho naquele período não era sobre o underground nova-iorquino e nem sobre viciados e prostitutas. Eram imagens dos relacionamentos entre homens e mulheres e “de como toda essa atmosfera era difícil”. “Não era um grupo marginal, de pessoas isoladas. Ninguém se importava com nada, nós éramos o mundo, nunca houve uma cena à parte”, diz. Mas as coisas mudaram um pouco de figura nos dias de hoje, já que grande parte de seus amigos que aparecem nos retratos morreram de Aids. Assim, a dor pessoal virou base pro seu trabalho. “Minha questão é amizade e sobrevivência. Pergunto como é possível viver depois de perder todos que você ama, meus amigos todos morreram”, comenta.
Nan Goldin
Muitos dos amigos que aparecem nas fotos já morreram de Aids
E com todo esse histórico, com uma fotografia carregada de atitude e estilo, já dá pra perceber que seus registros também carregam uma forte imagem de moda. Não é à toa que suas fotos já serviram de influência para diversos estilistas, entre eles Helmut Lang e Miuccia Prada. A vida real invade as criações, uma vez que se constrói uma nova estética, que, no caso de Goldin, vem do retrato do seu modo de vida e de seus amigos, resultando numa gama variada de sentimentos e cenas cotidianas.
Ana Olyveira e Izadora Gauche, colaboradoras do Descolex, de São Paulo


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