12 mar

Essa foi a pergunta que alguns leitores devem ter encarado na hora de se candidatarem à vaga de repórter de moda na Folha de S.Paulo. Achei a pergunta muito abrangente pra ser respondida nas poucas 20 linhas exigidas pelo veículo. Mas gostei do desafio e posto aqui um texto que matutei com a ajuda de alguns livros e textos. Se estiverem afim, me digam o que vocês acham, se vocês concordam ou se viajei na maionese:

Só no Brasil a indústria da moda representa um faturamento estimado de US$ 47 bilhões em 2009, segundo dados da Associação Brasileira de Industria Têxtil e Confecção (Abit). Isso significa uma participação de cerca de 3,5% no PIB brasileiro. Não bastasse o papel que exerce na economia do país, o setor ainda é o 2º maior empregador da indústria de transformação, com 1,65 milhão de empregos formais, dos quais 75% são mão-de-obra feminina. Bonitos números. Porém, mais do que dados expressivos, a moda cumpre uma função que não pode ser simplesmente compreendida por meio de tabelas ecônomicas. No mundo contemporâneo, ela está no centro dos fenômenos estéticos, responsável pela expressão do homem comum. Embora a moda esteja sempre ligada ao fascínio pelo belo, o luxo, o glamour, ela se revela como uma forma de expressão de escolhas adotadas pelos indivíduos.

Reproduçãofila-final-moda
Esse foi o único tipo de imagem genérica que me ocorreu pra ilustra esse texto. Ficou muito ruim?

É essa postura adotada que gera a identificação, a diferenciação e a auto-afirmação. Ou seja, mais do que a mera funcionalidade material (cobrir o corpo), a moda é elemento de um sistema lingüístico cultural de nossos tempos. É na moda que o indivíduo age e reage socialmente, tendo, na roupa, uma espécie de armadura, como as que identificavam os antigos guerreiros aos seus reinos e protegia do perigo exterior. E num mundo em que a informação visual é propagada no ritmo acelerado da internet, a moda precisa ter essa característica de fênix que se renova, destruindo-se a cada seis meses para poder nascer mais forte e imponente. Hoje, o “novo” perde rapidamente seu poder informativo, torna-se redundante e cansativo. Quando isso acontece, a moda lança mão das estratégias incisivas, dos grandes desfiles, das campanhas e do incentivo ao consumo exacerbado. Assim, a roda dos desejos e da economia giram. Mas, a que preço? Sob esse ponto de vista, numa fase em que falamos de sustentabilidade, a moda parece estar precisando encontrar seu lugar no mundo.


4 comentários »

Daniel:

Adorei Glauco. Clap clap clap. Moda não é (necessariamente)sinônimo de automatismo. Concordo que a moda precise achar seu lugar no mundo. Não no mundo dos abastados, ela já está no cerne dele, mas no mundo das pessoas “comuns”. Entretanto, a moda já dá sinais, faz algum tempo, de ter sede de beber neste mundo que é tão mais nosso. Parabéns!

março 12th, 2010 às 5:28 pm | Comentário #7233
Diego:

wow!
estou speechless! mt bom o texto! Parabens!

março 12th, 2010 às 9:53 pm | Comentário #7234
Ana:

Muito bem escrito hein, parabéns!

março 15th, 2010 às 8:02 am | Comentário #7239
Marckye:

Eu gostei do texto. Ele é realmente muito bem escrito. Mas eu discordo em vários pontos pq eu que viajo muito sobre o assunto.

Achei que vc não falou sobre o papel da moda no mundo contemporâneo. Moda é um elemento cultural desde o momento em que o homem começou a se cobrir, não é algo novo na nossa cultura. E se for falar sobre o incentivo ao consumo exagerado, o mundo capitalista inteiro é baseado nisso. Inclusive o próprio mercado de produtos sustentáveis! E na moda isso torna mais feroz, pq as pessoas não seguem mais tanto o ciclo de estações. No mundo globalizado, as estações se sobrepõem, um casaco no inverno daqui não vai vender no verão do norte e vice versa. Então o mercado é inundado por novidades! As pessoas têm mais informação sobre moda do que se tinha há uns 10, 15 anos atrás.

A impressão que tenho agora é a do domínio do “fashion” na vida das pessoas. E como consequencia, das grandes marcas. As pessoas não vestem mais as roupas, elas são vestidas pelas roupas. Tem uma inversão de valores no sentido geral de se vestir. Esse novo sistema de valoração começa no final da década 80, início dos 90 e se torna pleno agora. Isso se torna muito visível qdo celebridades começam a associar seus nomes à moda. Lançam roupas, perfumes e acessórios. As pessoas passam a vestir a celebridade! Elas passam de garotas e garotos propaganda pra serem os objetos!
Outro ponto interessante é que não basta mais seguir a tendência e ter roupas similares ao que está na estação. As roupas devem ser originais e da determinada marca que lançou tal produto! As pessoas que usam genéricos são até vistas de cima pra baixo. O que não chega a ser um paradoxo com o não seguimento do ciclo de estações. Já que as pessoas têm informações sobre moda e não conhecimento.

Disso tudo, numa sociedade em que o mundinho fashion se torna o centro das atenções, não tem muito como falar que ela precisa achar o seu lugar pq ela literalmente toma esse lugar pra ela!

Bom, como eu disse é uma impressão. Mas é uma linha de pensamento que venho tendo há algum tempo que eu preciso organizar melhor. Na verdade, como eu já disse, o meu texto é a viajação na maiosene. É bem provável que eu esteja equivocado sobre alguns pontos, ou mesmo quase tudo, mas acho que o legal é pensar, discutir e ver fora do padrão.
Não consigo mais pensar em moda nos dias de hoje com o que se lê nos livros. A sociedade inteira mudou desde a internet e ninguém sabe direito falar sobre essa mudança que é tão recente.

De qualquer maneira, com certeza, é um assunto muito amplo pra se colocar só em 20 linhas!

março 16th, 2010 às 1:11 pm | Comentário #7245
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