26 mar

Adoro jornalismo. Mas, com em toda profissão, ela tem seus altos e baixos. Tem hora que chove trabalho e tem tempos de vacas magrinhas magrinhas. Para driblar isso, reparei que muitos profissionais assumem mais de um papel dentro do mercado: atacam de stylist, assessor de imprensa, DJ, maquiador, redator… Tudo para conseguir pagar suas mais que merecidas roupinhas descoladas no final do mês. Comigo também não tem sido diferente. Por isso, resolvi me aventurar pela produção de moda, uma área que sempre me despertou interesse e admiração.

E sabe a primeira coisa que eu fiz? Me inscrevi num curso lá no Senac. Afinal, estudar nunca é demais. Tenho curtido bastante as aulas e, inspirado pelos bate-papos com os colegas e profesoras, achei que seria interessante conversar com alguém que já faz esse tipo de trabalho há tempos. A escolhida foi a queridíssima Thais Mol. Mais do que produtora, Thais é figurinista e stylist. Assina editoriais para publicações brasileiras como Vogue, Elle, Key, Marie Claire, Trip e Simples e internacionais como Surface, Dune, JNC, Ware e Fashion Lines

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Thais Mol

Ela também atuou como crítica de moda para os sites Erika Palomino, Chic e São Paulo Fashion Week, tem textos publicados nas revistas Capricho, Revista da Folha, Simples e jornal do São Paulo Fashion Week além de assinar o prefácio do livro da Huis Clos da coleção Moda Brasileira pela editora CosacNaify. Produziu desfiles para marcas como Adidas, Lucy in the Sky, Drosófila e Recife Fashion. Fez o styling de campanhas da Cori, Lei Básica, Dryzun e Zoomp acessórios. E como figurinista já atuou na MTV, TV Bandeirantes e em comerciais de marcas como Puma, Coca-Cola Clothing, Boticário, Natura e Seda. Currículo ruim o da moça, hein?

Confira a enrevista:

Descolex: Qual a diferença entre um stylist e um produtor de moda? A formação dos dois é diferente?
Thais Mol: Acho que aqui há um problema de nomenclatura. Deveríamos usar editor de moda ao invés de stylist, além de ser uma palavra em português que definiria essa profissão pelas bandas de cá, isso já explicaria bem a diferença entre as duas profissões. O produtor é aquele que corre atrás das roupas, procura, produz, mas não necessariamente ultrapassa aquelas peças e formas, ou cria uma nova forma de mostrar aquilo, na maioria das vezes faz o correto, o bonito. O stylist, ou editor, é aquele que consegue um resultado que vai além do que o estilista definiu, que expande, inverte, recria as fronteiras daquela criação. Ou que a define tão bem que o produto passa a ter uma identidade própria após esse encontro.

D: O que um stylist faz? Quais são as áreas e veículos que ele atua?
T.M: O stylist trabalha em revistas, confecções, eventos, criando uma imagem de acordo com um objetivo definido. Ele pesquisa referências e propõe caminhos estéticos para aquele trabalho.

D: Onde você se formou? Que curso fez? Fez algum curso livre a mais?
T.M:
Eu me formei em Comunicação Social na PUC-MG, fiz uma especialização em moda na Anhembi Morumbi e diversos cursos livres de modelagem, moulage, história da arte, filosofia e política.

D: Como começou? Quais foram os primeiros trabalhos?
T.M: Minha mãe trabalhou na área como representante, tenho uma prima que foi casada com o Renato Loureiro, então, mesmo passando minha infância e adolescência em Recife, sempre tive contato com moda. Meu primeiro emprego, já morando em Belo Horizonte, foi num show room, aos 16 anos, da Zoomp, como estagiária. A partir daí passei a trabalhar como freelancer em todos os lançamentos. Enquanto estava na faculdade, fiz uns biquinhos de modelo para ganhar dinheiro e passei a conhecer um monte de gente e, rapidinho, a produzir para publicidade e moda. Escrevia para jornais locais, vinha cobrir a Semana de Moda e o então Morumbi Fashion e comecei a conhecer o mercado de SP. Fui contratada pela revista Capricho como repórter e produtora de moda em 2000, quando mudei para a cidade.

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 Look switchblade sisters, para a Vogue (Foto: Rodrigo Marques)

D: O que é preciso para ser reconhecido?
T.M:
É preciso ter uma habilidade visual própria, que faça com que os outros se encantem com aquela imagem que você criou e que, com o tempo, consigam identificar seu modo de ver e estar na moda. Responsabilidade, como em qualquer profissão, e muito esforço. É um trabalho muitas vezes exaustivo, de horas e horas de estúdio e externa, de produção na rua, de madrugadas acordado. Mas muito encantador por sempre mudar, por sempre desafiar os profissionais a criar e entender o momento que vivemos.

D: Quais são os seus stylists preferidos na moda?
T.M:
Aqui eu adoro o Daniel Ueda, o Paulo Martinez, o Davi e a Flávia. Fora, admiro a Polly Mellen por ter sido meio pioneira na carreira, nem tinha seu nome publicado nas revistas quando começou a trabalhar… A Katie Grand que tem muita versatilidade e resultados impactantes.

D: No Brasil tem bastante mercado para um stylist? Dá para ganhar dinheiro?
T.M: Se essa profissão mal existia há 8 anos, se as escolas de moda no país são recentes, se a educação visual que temos nas escolas ainda é tão incipiente, dá pra imaginar que há muito que se conquistar na profissão, desde a formação de um repertório de imagens e idéias até a um mercado que consiga absorver esse profissional. E, sim, dá pra ganhar dinheiro.

D: Você tem alguma dica prática para aqueles que estão começando agora na profissão?
T.M:
São tantas dicas… Desde o extremo cuidado com as roupas (já machuquei uma saia Versace de R$ 3000 por tê-la alfinetado), sapatos e acessórios, até a manutenção de uma boa relação com os parceiros, entregar as peças nas lojas no prazo, limpas, bem cuidadas.

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 Dryzun “Black Venus” (foto: Paulo Vainer)

D: O que você está gostando mais para o inverno?
T.M: Eu ainda continuo viciada em vestidos e saias, especialmente nos comprimentos curtos. Mas especialmente nesse inverno eu adorei os volumes nos ombros, os volumes criados por novas experimentações de modelagem. E o engraçado nesse inverno são as ankle boots. O mercado consumidor demora cerca de dois anos pra absorver uma tendência da passarela, e é agora que a gente começa a ver nas ruas e nas lojas as ankle, que os editoriais e jornalistas de moda nem conseguem mais falar sobre.

D: Você também tem uma marca, a Mona. O que levou você a se jogar na criação?
T.M: Eu sempre interferi nas roupas, sempre fui curiosa pelos diversos aspectos da moda, já escrevi, brinquei de fotografar, customizei, trabalhei em confecção, então, fazer roupa acabou se tornando uma vontade de aprender mais, de aprender algo novo.

D: Sua marca é para que tipo de consumidor?
T.M:
É para mulheres que não se preocupam tanto com as demandas externas, que querem uma roupa expressiva e feminina, cuja sensualidade é menos explícita, depende mais de quem usa.

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Editorial “Apocalypse Now”, para a Vogue (foto: André Passos)


11 comentários »

patty:

Bem – Vindo a profissão produtores de moda ralam horrores rs

março 26th, 2008 às 9:54 pm | Comentário #1001
Denise Dahdah:

Vc esqueceu de dizer que a Tais tb faz editoriais pra revista Quem, e que fez um incrível que vai sair na semana que vem, com as principais “tendências” de inverno, está fantástico!

março 27th, 2008 às 12:02 pm | Comentário #1002

uma delícia a entrevista.. objetiva, informativa e interessante!’

março 29th, 2008 às 3:16 pm | Comentário #1010
março 30th, 2008 às 10:52 am | Comentário #1013
Alessandra:

Glauco querido adorei a matéria,tudo a ver c/o que precisamos saber.Grande bj!Alê do seu curso.

abril 2nd, 2008 às 6:34 pm | Comentário #1025
Davi:

Olá!!!! adorei a entrevista moro em BH e estou entrando no mercado de moda daqui, faço consultoria de imagem no Senac e quero escrever sobre moda aqui também…. a entrevista valeu bastante.

abril 9th, 2008 às 6:31 pm | Comentário #1037

pq vc não põe meu blog nos seus links de favoriteeesss??? meu blog é tão legal… dá um outro look!!! please!!!

bjbjoooo

abril 13th, 2008 às 8:07 pm | Comentário #1048

[...] gente gostou da entrevista que fiz no mês passado com a Tais Mol. Por isso, inspirado pelos e-mails queridíssimos que recebi, resolvi [...]

maio 2nd, 2008 às 5:46 am | Comentário #1093

[...] mais assuntinho sobre todo esse processoaqui, aqui e aqui. Tem também a top stylist Thais Mol em entrevista a Glauco Sabino no Descolex, acreditando que, por ser o trabalho tanto do stylist como do editor de [...]

maio 28th, 2008 às 6:32 pm | Comentário #1257
fatima gadioli cipolla:

adorei sua entrevista e sua história; é tanta coisa! e coube em tão pouco tempo de vida. Realizar trabalho como sua aluna aqui em Fortaleza vai ser ótimo. Até breve.

janeiro 21st, 2009 às 3:24 pm | Comentário #3976

[...] Mais do que produtora, Thais é figurinista e stylist. Assina editoriais para publicações brasileiras como Vogue, Elle, Key, Marie Claire, Trip e Simples e internacionais como Surface, Dune, JNC, Ware e Fashion Lines. Ela também atuou como crítica de moda para os sites Erika Palomino, Chic e São Paulo Fashion Week, tem textos publicados nas revistas Capricho, Revista da Folha, Simples e jornal do São Paulo Fashion Week além de assinar o prefácio do livro da Huis Clos da coleção Moda Brasileira pela editora CosacNaify. Produziu desfiles para marcas como Adidas, Lucy in the Sky, Drosófila e Recife Fashion. Fez o styling de campanhas da Cori, Lei Básica, Dryzun e Zoomp acessórios. E como figurinista já atuou na MTV, TV Bandeirantes e em comerciais de marcas como Puma, Coca-Cola Clothing, Boticário, Natura e Seda. (Descolex) [...]

janeiro 28th, 2009 às 10:42 am | Comentário #3994
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