20 mar
Saiu hoje minha matéria (capa, por sinal! Hehehe) para o suplemento Folhateen, da Folha de S.Paulo. Quem é assinante, pode conferir os quatro textos aqui, aqui, aqui e aqui. A seguir, reproduzo parte da reportagem:
Diversão com consciência
Com a ameaça do aquecimento global, Holanda cria discoteca em que o público gera a energia para a diversão.
“A proveitar a vida ajudando o planeta”. É com essa idéia que um grupo de holandeses está desenvolvendo um projeto que pode dar samba (ou rock, ou electro, ou o que você preferir): a primeira balada sustentável do mundo.Nela, os banheiros são abastecidos com água da chuva e da condensação do vapor liberado pelo suor das pessoas, as paredes reagem com o calor e mudam de cor e a refrigeração é feita por turbinas de vento instaladas no teto.Mas a principal inovação dessa danceteria ecologicamente correta é a pista, capaz de gerar parte da energia elétrica consumida com o movimento das pessoas dançando.

Funcionamento simples

Enquanto você sacoleja, vibra e pula ao som dos DJs, um sistema capta toda essa energia mecânica e a transforma em eletricidade. É o mesmo princípio (lembra-se das aulas de física?) que coloca as usinas hidrelétricas para trabalhar.Mas e se a música estiver ruim e a pista vazia? Aí entram em cena painéis solares instalados no telhado. “Um ganho e tanto, se você imaginar que, funcionando três vezes por semana, uma casa noturna gasta por ano 150 vezes mais energia elétrica que um lar”, explicou ao Folhateen Alijd van Doorn, responsável pelo projeto.A tecnologia por trás da pista geradora de energia ainda está sendo pesquisada pela Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda. Há vários métodos que estão sendo considerados.Entre eles, a ativação de um gerador elétrico à medida que as pessoas dançam. Ou o método “pneumático”: um tecido especial sobre a pista que funciona como uma grande bomba, comprimindo ar para ser utilizado em microturbinas ou em microgeradores.Outra idéia, que pode ser aplicada a longo prazo, é o uso de cristais piezoelétricos. Esses minerais -o quartzo é o mais comum- ficam com a superfície carregada eletricamente quando são submetidos a uma pressão. Essa tecnologia já é usada em relógios de alta precisão e até em controles remotos.Doorn conta que o primeiro protótipo da pista deverá ser apresentado ao público em julho, quando será realizada a 2ª The Critical Mass, festa que, em outubro de 2006, levou 1.500 pessoas ao clube Off Corso, em Roterdã, na Holanda, para o lançamento oficial da Sustainable Dance Club, como é chamada a balada.”Danceterias são uma excelente forma de estarmos perto dos jovens. Escolhendo essa combinação de balada e sustentabilidade, somos desafiados a fazer da consciência ecológica uma coisa sexy e atraente”, explica Doorn.Com a possível criação de clubes sustentáveis também em Nova York e em Melbourne (Austrália), o projeto se alinha a uma nova onda verde que vem tomando conta do mundo nos últimos meses.

O Brasil quer entrar na onda

As baladas daqui ainda estão longe de se tornar sustentáveis, apesar das expectativas dos especialistas ouvidos pelo Folhateen. O envolvimento de artistas, bandas e festas na causa pode ser um meio de mostrar a importância de conservar o ambiente. “Toda vez que um artista assume uma postura sustentável de forma séria e conseqüente, acaba influenciando muito mais as pessoas a enxergar o quanto é importante elas mudarem suas vidas”, afirma Eduardo Petit, diretor de marketing e responsável pela divisão CarbonoNeutro da empresa MaxAmbiental.A empresa já neutralizou o show do grupo O Rappa no aniversário da ONG S.O.S Mata Atlântica, em junho de 2006, e acaba de fechar um acordo com a dupla Sandy e Júnior e com a atriz Regina Casé.”Essa questão vai se tornar uma obrigatoriedade. Estamos vivendo uma revolução cultural que vai transformar significativamente o comportamento das pessoas”, espera Petit.Quem também almeja uma maior preocupação com a questão do aquecimento Global aqui no Brasil é Francisco Maciel, diretor da ONG Green Initiative, responsável pela neutralização do festival Pop Rock Brasil 2006, em Belo Horizonte, da estréia da nova turnê do grupo Jeito Moleque e da edição de inverno 2007 da SP Fashion Week.”Nossa média [de projetos de neutralização] tem aumentado significativamente, sendo que temos atendido adesões de instituições de todos os tipos”, diz.A questão também é uma preocupação para quem organiza festas, como a empresa No Limits-Eventos, que chega a reunir 30 mil pessoas por mês em festas open air, como a famosa XXXperience.Nessas raves, por enquanto, o único trabalho ecologicamente consciente desenvolvido é a coleta seletiva da grande quantidade de lixo produzida.Renato Ratier, DJ e proprietário do clube D.Edge, em São Paulo, elogia o projeto da balada sustentável desenvolvido na Holanda. “Estamos estudando a viabilidade de algumas dessas idéias e pesquisando outras medidas que podem ser adotadas na casa e no projeto de expansão dela”, afirma.Uma ótima iniciativa para o clube, cujo projeto de iluminação usa 200 retângulos de luz ligados por mais de 10 km de fiação elétrica e três equalizadores gráficos gigantes.


4 comentários »

gabi pegurier design.blog:

opa, vou pegar minha Folha SP já!..gosto de folhear papel de vez em quando, sabe?..rs.
mas antes de mais nada, jura que não acho descolex aquele sapatinho básico do Ghesquière? Putz, Glauco..tudo bem que it isn’t easy to carry, mas foi a mesma coisa que disseram sobre a calça dourada de ciborg da última coleção…daí veio um monte de estilistas depois com suas versões genéricas dela..né não?

bjubju

março 20th, 2007 às 3:15 am | Comentário #173
Thiene B.:

Êeeeee! Que arraso! Muito legal a matéria. Beijocas.

março 20th, 2007 às 1:53 pm | Comentário #174
Paula Lourenço:

Parabéns, querido!
Mostrei pra todo mundo aqui a sua matéria. E teve chamadinha na capa da Folha!!! ;o)

Beijos.

março 20th, 2007 às 6:37 pm | Comentário #175
Alex:

Folha!! Muito legal cara. Parabéns.

março 24th, 2007 às 3:00 am | Comentário #176
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